MADURO E MARIELLE

O que fez a imprensa brasileira sobre o atentado com drones com bombas contra Maduro? Passou a insistir, com ironia, na suspeita de que o ataque havia sido armado pelo próprio governo.
Vivemos num país em que até hoje nada se sabe, além de especulações, sobre o assassinato de Marielle Franco.
E não se lê nada, mas nada mesmo, sobre esforços da grande imprensa no sentido de fazer com que o jornalismo investigativo contribua para o esclarecimento do crime, que dia 14 completará cinco meses.
Há apenas manifestações de indignação. Mas a indignação como retórica é cínica e vazia.
Não há mais nada na grande imprensa, além de abordagens superficiais e noticiosas, sobre a morte de Marielle, que se encaminha para o esquecimento. Mas a imprensa sabe que o atentado a Maduro foi uma armação.
O jornalismo investigativo brasileiro nada faz de mais relevante sobre o caso de Marielle porque foi sufocado pelos altos comandos reacionários das empresas, e não das redações.
As redações ainda tentam reagir, mas há pouco a fazer. A imprensa é protagonista do golpe. E, desde o golpe, a imprensa brasileira atua muito bem em investigações na Venezuela.

Bombas seletivas

Fico sabendo que bombas de gás poupadas contra os fascistas anti-Lula estavam guardadas para reprimir moradores do condomínio Princesa Isabel, em Porto Alegre.
Os moradores, tudo gente pobre, não jogaram pedras nem deram relhaços em ninguém. Nem jogaram cavalos em cima de mulheres.
Apenas queimaram pneus no meio da rua no sábado à noite em protesto contra a morte a tiros, dentro do condomínio, de um jovem suspeito de envolvimento em um assalto.
Os moradores reagiram fazendo o protesto. Várias pessoas ouvidas por jornalistas acusam a Brigada de execução do rapaz, que não teria reagido à perseguição até o pátio do Princesa Isabel.
A repressão a queimadores de pneus sabe usar os recursos que tem. E há condomínios e condomínios. O rapaz seria morto se morasse em outros lugares mais ‘nobres’?
E os moradores? Os moradores que se protejam como puderem do Estado que deveria protegê-los da mesma forma como protege mandaletes de arremedos de fazendeiros e assemelhados.