Orangotangos

Mais uma vez concordo com Luis Fernando Verissimo. Na entrevista que deu ao Flávio Ilha para o Extra Classe, ele é provocado a comentar a própria obra de ficção e admite: “Meu preferido é Borges e os Orangotangos Eternos, que é um pouco melhor do que os outros”.
Li esse livro na praia, em 2001, e lembro bem que economizava cada página para que não acabasse logo. É um livrinho pequeno demais para o que o Verissimo decidiu contar.
Também é o meu preferido porque é o que melhor homenageia a literatura policial. Verissimo brinca com referências e imitações, com Borges, com Poe, magia, mistério, vingança. E a sacada é de gênio.
Mas não me atrevo a ler de novo, para não correr o risco de achar que é bom, mas que em 2001 era superior, ou até de achar agora que é muito melhor do que aquele que li há 16 anos. Não quero trair a memória daquela leitura.
Claro que os sebos têm o livro. Peça e mande entregar os orangotangos em casa. É pra ler num dia de chuva, bem devagar. Se vocês conseguirem.