A GURIA DE VACARIA

Márcia Tiburi é de Vacaria. Foi o que anunciou com alegria o advogado e professor Carlos Frederico Guazzelli no meio de um debate sobre fascismo hoje à noite no Café Nossa Cara, no Bom Fim. Guazzelli é vacariense e estava se exibindo.
Há muito tempo não temos muito o que exaltar por aqui. O fascismo, um dos temas que Márcia Tiburi gosta de abordar, ganha feições variadas no Estado desde antes do golpe de agosto de 2016.
O Rio Grande que alguém algum dia inventou de chamar de o Estado mais politizado do Brasil (e muitos acreditaram nessa lenda) é visto hoje como a república do relho.
Márcia mexe com o orgulho dos vacarienses porque se atreveu a se apresentar como pré-candidata ao governo do Rio pelo PT. Criou o fato político do mês. A professora de filosofia mora no Rio há quatro anos. Vai para uma guerra.
Joga-se na linha de frente da política numa hora em que muitos estão saindo.
Quem ainda estiver em dúvida sobre o que deve fazer em meio à longa ressaca do golpe, que se inspire no gesto corajoso de Márcia. Pelo Rio, por Marielle, pelas mulheres, pelo Brasil, por Lula, pela democracia.
Uma mulher vai encarar a disputa pelo governo no Estado em que os homens não conseguem descobrir ou não querem descobrir quem matou uma mulher negra, favelada, de esquerda, militante política, vereadora, defensora das comunidades pobres e dos direitos humanos, bissexual, formada em sociologia.
A valente Marielle merece que sua história e sua memória sejam homenageadas pelo gesto de uma gaúcha de Vacaria. Sem gauchismos e sem bravatas.
Márcia se dispõe a enfrentar a barra de um Estado quebrado, os traficantes, as milícias, os capitães Nascimentos, os amigos do José Padilha, a Globo, o Jornal Nacional, os traumas causados pela intervenção federal, os golpistas, os fascistas com chiado, os conchavos das máfias dos garotinhos e dos cabrais.
É fácil ser militante e correr poucos riscos em tempos de calmaria. A democracia testa seus defensores em seus piores momentos.
No livro “Como Conversar com um Fascista – Reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro”, editado pela Record, Márcia nos ajuda a refletir sobre o medo que os fascistas têm das mulheres.
Pois vai em frente, Márcia Tiburi. Mete medo neles.

FOI-SE LUCIANO HUCK. INVENTEM OUTRO

Luciano Huck testou as forças e as manobras da política como um amador. Recebeu afagos de Fernando Henrique Cardoso, o sinhozinho tucano que não manda mais nada no partido, consultou o mercado financeiro, conversou com amigos do mundo dos bacanas, ouviu a Globo, hipnotizou-se com o auditório, titubeou e acabou concluindo que não tem talento nem estrutura para aguentar uma campanha.
Huck sabe que poderia ser traído, se não aumentasse seus 8% nas pesquisas, que os votos de Lula não iriam tudo para ele (como o DataFolha insinuava, se Lula ficar de fora) e que os próprios tucanos ressentidos se encarregariam de pulverizá-lo. E ele seria então o candidato do PFL.
O ‘novo’ no PFL de Zé Agripino e Pauderney. Huck seria o saco de pancadas da campanha. Ele e a Globo levariam bordoadas.
Um sujeito que prega altruísmos (mesmo que patrocinados) e compra um jato de R$ 17 milhões com dinheiro do BNDES não tem como ser candidato.
Huck sabia, no fundo, que era mais um impostor da direita. Era um teco-teco. Que inventem outro.

Abandonaram Bolsonaro

Bolsonaro está se defendendo sozinho do massacre da imprensa. Hoje, a Folha denuncia que ele emprega (com salário de assessora da Câmara) uma vendedora de Açaí que mora em Angra dos Reis.
Ontem, vi aqui só um debatedor defendendo Bolsonaro. Abandonaram o cara que iria vencer Lula. A direita é ingrata.
Vão abandonar Bolsonaro como abandonaram Eduardo Cunha. Só Aécio e os amigos tucanos não são desprezados pela direita, porque fazem parte da elite. Bolsonaro era apenas um servidor intermitente do reacionarismo para atacar o PT e Lula. Não era da direita cheirosa.
O erro dele: achar, como Eduardo Cunha achou, que seria protegido para sempre pelo Parcão, pelos Jardins e pela Avenida Paulista.
Bolsonaro iludiu-se com o plano de ter o voto dos ricos e do pato amarelo à presidência da República. Golpistas não poupam nem os aliados mais empenhados no golpe.