Depois de morto…

Concordo com o Carpinejar. João Gilberto Noll foi morto pela indiferença de todos nós. Inclusive dos cínicos que, depois da morte, como sempre fazem, decidiram reconhecê-lo como grande autor.

Mas não tenhamos pena dos mortos. Tenhamos pena dos que se acham vivos.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/livros/noticia/2017/03/fabricio-carpinejar-joao-gilberto-noll-foi-assassinado-9760397.html#showNoticia=LiFNVTMtdWwyMzA3Nzk0NDUxNzYzODIyNTkyd0J+MTE3MjQ2MTE2NDY5MTk1MDc3MiRoZDE2MDM5MjcwMzM2Nzc2MTEwMDhGJVJbSnteb2VsMy9wPG8pTmE=

(Foto de Daniel Ramalho)

 

As Letteras

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Qual a diferença da Olivetti Lettera 82 para a Lettera 32? Eu tive uma 32 azul piscina, que durou até a metade dos anos 80. O Carpinejar tem uma Lettera 82. Foi onde datilografou os poemas do livro Amor à moda antiga, que autografa hoje às 19h na Livraria Cultura.

Milton Santos, o geógrafo, corria da rapidez de uma máquina de datilografia. Só escrevia à mão. Quando o entrevistei, pouco antes de ele morrer, me disse pelo telefone que ninguém pode pensar direito se tiver pressa.

Quem, nos últimos anos, fez o que o Carpinejar acabou de fazer e datilografou algo em uma máquina esquecida em algum canto? Ou escreveu uma linha de texto à mão?

Os próximos poemas do Carpinejar poderiam vir em composição tipográfica, como faziam os gráficos que catavam letras de ferro, uma a uma, nas gráficas escuras dos séculos 19 e 20, e depois viravam poetas. Para citar um de perto, Alceu Wamosy foi um deles.