Viva Chico

Há exagero no tom de certos defensores de Chico Buarque. Os fãs, a irmã, o padre da paróquia do Leblon, todos foram mobilizados como escudos de um artista que deveria estar submetido a todos os olhares possíveis, como qualquer outro.
Eu não chamei Chico de machista, jamais chamaria, e escrevi aqui apenas que a música em questão (“Tua Cantiga”) rebaixa a poética do moço. Mas disseram que sou machista por criticar Chico, o cara que entende as mulheres.
Podemos falar de eventuais defeitos da arte de Picasso e até de Michelangelo, mas não da arte e da mitologia criada em torno de Chico? Que totem é este Chico Buarque?
Que arte intocável é essa que não permite nenhuma abordagem, por mais superficial que seja, se ela está disponível a todos, e não só aos entendidos?
Falar de música não é coisa para críticos. É para todos nós, os mortais, que hoje em dia entendemos até de pedaladas fiscais (rimou sem querer). Ninguém está atacando Chico.
Nem estamos falando de um partido ou de uma seita. Chico deve estar incomodado com a defesa exagerada que fazem dele, como se fosse um artista incapaz de se defender com sua própria arte. Viva Chico.

Sem comparação

Não vamos confundir chuchu com rabanete. As agressões sofridas por Chico Buarque e por Mantega, muito citadas hoje, são incomparáveis ao jogralzinho contra a Globo no avião de Miriam Leitão.
Não vi até agora nenhuma ofensa pessoal nos vídeos. Chico e Mantega foram massacrados por agressores furiosos. Chico foi cercado e ameaçado pelas hienas. Mantega foi chamado de ladrão.
Os cantadores do avião apenas fizeram versinhos para lembrar que a Globo apoiou a ditadura. E a própria Globo ja pediu desculpas por este apoio.
Jornalista que se considera acima de qualquer tipo de crítica deve tentar imunidade como juiz de alguma vara especial de Curitiba. Ou andar de ônibus.

As rodas tucanas

Chico Buarque mandou tirar Roda Viva da trilha sonora do programa do PSDB na TV Cultura de São Paulo. Porque o Roda Viva era um bom programa, mas ficou tucano demais e in-su-por-tá-vel como o Geddel Vieira Lima.
A TV Cultura está aceitando sugestões de novas trilhas. De acordo com a onda de patriotismo que anda por aí e já esperando a nova bateção de panelas que se anuncia com o projeto que anistia o caixa dois, esta é minha sugestão: