O cinismo americano

Volto do cinema recompensado por ter me divertido com “Feito na América”. Fui arrastado e saí bem faceiro. Tom Cruise está impagável, como se dizia antigamente. E Doug Liman sempre acerta a mão, misturando aventura, comédia e drama em doses iguais para contar a história verdadeira do piloto de avião que fazia jogo duplo trabalhando para a CIA e para traficantes colombianos.
O filme é mais um escracho com a moral americana da defesa da democracia e da rigidez da política antidrogas, quanto tudo que eles fazem é o contrário. Doug Liman não poupa o cinismo de ninguém, de republicanos ou democratas.
Mudaram muito os tempos mostrados no filme, em que os interesses dos Estados Unidos ainda dependiam de armas, aventureiros, mercenários, professores de tortura e generais ditadores para combater e golpear as esquerdas na América Latina.
Este artesanato bélico foi trocado pela ‘sutileza’ das ações locais ‘limpas’ e civis, articuladas apenas por um Quadrilhão de corruptos e o apoio de um Judiciário seletivo. Com 300 picaretas, um pato e alguns juízes, nas baixas e nas altas instâncias, a direita aplica golpes e persegue políticos da esquerda com a maior facilidade.
O filme é um belo deboche, do início ao fim, das lições de ‘democracia’ exportadas pelos Estados Unidos. E com Tom Cruise? Pois é. O cinema americano sempre surpreende.

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Quality : HD
Title : Rings
Director : F. Javier Gutiérrez.
Writer :
Release : 2017-02-01
Language : English.
Runtime : 117 min.
Genre : Horror.

Synopsis :
Rings is a movie genre Horror, was released in February 1, 2017. F. Javier Gutiérrez was directed this movie and starring by Matilda Anna Ingrid Lutz. This movie tell story about Julia becomes worried about her boyfriend, Holt when he explores the dark urban legend of a mysterious videotape said to kill the watcher seven days after viewing. She sacrifices herself to save her boyfriend and in doing so makes a horrifying discovery: there is a “movie within the movie” that no one has ever seen before.

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Saroo

Chorei tanto vendo o filme sobre Saroo que nem sei quando voltarei a chorar no cinema. Já disseram que Lion é um filme exagerado e piegas.

Piegas mesmo é a vidinha racional de tantas certezas e de desprezo por histórias como essa. Piegas é a pretensa ‘valentia’ dos que se esforçam para dizer que não se emocionam vendo um filme lindo como esse.

Comecei a chorar lá no começo, quando o menino entra no vagão vazio e todos sabemos o que vai acontecer. E chorei a cada 10 minutos de filme, porque via em Saroo alguma coisa dos meus netos, no olhar, no tom de voz, no jeito de andar, no formato da cabeça, no sorriso.

Chorei tanto que só voltarei a chorar com transbordamento lá pelo meio do ano, de felicidade, quando o governo golpista do Jaburu for empurrado para o penhasco.

No cinema, sempre chorei meio escondido. Quando o governo do Jaburu for pulverizado, vou chorar na frente de casa. Duvidam? Então tá.

 

 

 

La La Land, de novo

Meu amigo Adriano Barcelos reacendeu o debate sobre La La Land, porque foi (desconfiado), viu e gostou. La La Land é a paleta mexicana deste verão.

É um grande filme. É cinema-cinema como há muito tempo não se via. Quem ficar se achando e não for ver La La Land perderá um filmaço.

Mas vai se fazer o que, se muita gente prefere ficar em casa vendo a mesma série, com os mesmos episódios, todos os anos?

Aquarius

Finalmente, fui ver Aquarius. Parece que Sônia Braga nunca morou nos Estados Unidos e sempre esteve, na verdade, escondida naquele apartamento da Praia da Boa Viagem.

O cinema brasileiro já tem um grande filme sobre o caráter da ala empresarial da turma que fez o golpe.

Se há consolo, a resistência ao golpe tem a arte e a militância de uma Sônia Braga exuberante como a jornalista Clara no seu duelo contra os mafiosos.

É um filme muito incômodo para a direita, a miúda e a graúda.

O lugar da política

Fiquei sabendo ontem. Um colega jornalista estava no cinema em que, ao final da exibição de Aquarius, alguém tentou ensaiar um Fora Temer e não deu certo.
O vaiador falou baixo Fora Temer, tentando puxar o coro, ouviram-se resmungos na volta e alguém disse algo como “aqui não é lugar de fazer política”.
A vaia não aconteceu e isso é do jogo. Mas imaginem se a direita começar a dizer qual é o lugar certo para se fazer política.
Só falta alguém querer desenhar numa rosácea com bolinhas roxas, no PowerPoint, onde e quando se pode fazer política.

 

Buscapé

cidadededeus

Cidade de Deus, que aparece agora em uma lista de críticos de todo o mundo entre os 100 maiores filmes do século 21, é também, no seu desfecho grandioso, um filme sobre o jornalismo.
Nunca se fala dessa virtude de Cidade de Deus, de mostrar a conduta de um adolescente candidato a repórter fotográfico, em meio a crueldades, vinganças, traições e inverdades.
O atormentado Buscapé (Alexandre Rodrigues, na foto) tem muito a ensinar a jornalistas em geral em tempos de negaceios, dissimulações e vergonhosas adesões a golpes.

Jorge e Bianca

jorgefurtado

Vou dormir tarde hoje, mas vou dormir bem. Já escolhi o merlot que vou beber vendo a entrevista do Jorge Furtado no Ofício em Cena, da Globo News.
Vale pelo entrevistado e vale sempre pela entrevistadora. Bianca Ramoneda conduz a conversa com sabedoria e delicadeza, sem nunca tentar ser mais importante do que o entrevistado.
É às 23h30min e sempre parece tarde. Mas pra quem já viu jogo da nossa seleção com o Gil na zaga e depois da meia-noite…

Finalmente verei Ponto Zero

Procurei e não achei quem falasse mal de Ponto Zero, o filme do José Pedro Goulart. Li tudo que escreveram a respeito da história de Ênio, o adolescente que mete o pé na lama e na jaca para virar homem.

E reli um texto elogioso do Daniel Feix na Zero, para ver se havia uma entrelinha com alguma restrição mais séria.

Ouvi muita gente que já viu o filme. Liguei para pessoas cruéis com a arte que se faz aqui, em qualquer área. Não consegui ninguém que dissesse: é bonzinho.

O Daniel escreveu: é um grande filme.

Não se diz impunemente que um filme é g-r-a-n-d-e. Grande é palavra com fortidão para derrubar reputações. Um grande filme tem que ser grande mesmo, como um grande livro ou um grande porre, ou o crítico pode ser empurrado para o ralo.

Pois sou retardatário e só agora vou ver Ponto Zero, pensando nisso: que todo mundo só fala bem do filme.

Ontem, participei ao lado do Lauro Quadros do programa Bipolar, que o Zé Pedro comanda na Rádio Mínima pela internet (www.facebook.com/minimafm). Outro dia vou falar só da rádio, do programa, do Zé Pedro e do Marcelo Ferla.

Pois aí perguntei ao Zé Pedro como é que ele conseguiu fazer no filme a imagem de Porto Alegre de cabeça para baixo. Ele me contou, mas não posso dizer.

Eu vou tentar repetir com um vídeo que estou fazendo das figueiras da Aberta dos Morros. Figueiras de cabeça para baixo.

E vou então, finalmente, ver Ponto Zero. E já vou gostando, o que não me incomoda em nada.

Como é bom ver um cara feliz com a própria obra. O Zé Pedro, deu pra ver, está feliz.