SERIA CIRO UM TERRAPLANISTA?

Ciro Gomes tem alguma coisa de Deltan Dallagnol misturado com Damares e chanceler Araújo, um esoterismo de um moralismo religioso, exacerbado, sempre com o antipetismo antes de qualquer coisa.
Na entrevista que deu à BBC, ele disse que vive de palestras, como Dallagnol pretendia viver. Mas não cobra nada de sindicatos e estudantes.
E aí vem a parte mais interessante, de quem pode estar hoje mais perto da Lua do que da Terra:
“Nas horas vagas, evidentemente, eu continuo especulando sobre cosmologia, astrofísica, que são limites do conhecimento humano que mexem muito com a minha cabeça”.
Conheço muita gente que foi tolerante até agora com as confusões e grosserias de Ciro Gomes, mas que desistiu. A cosmologia antipetista subiu para a cabeça de Ciro Gomes.
Só falta esse cara ser terraplanista.

CIRO GOMES NO TÚMULO DE GETÚLIO

Esta foto de Eduardo Knapp, da Folha, é de 24 de agosto de 2002. Brizola, Ciro Gomes e Antônio Britto estão diante do túmulo de Getúlio Vargas, no Cemitério Jardim da Paz, em São Borja.

Se a foto fosse um pouquinho mais aberta, poderia mostrar o homem que surge do lado esquerdo (perto de Brizola) e grita, enquanto Brizola discursava:

– É o enterro do trabalhismo.

Foi uma cena paralisante. Só uma pessoa se mexeu. O deputado Pompeo de Mattos, que está de lenço, bem atrás de Brizola, gritou alguma coisa e saiu atrás do homem. O mensageiro do fim do trabalhismo disparou e sumiu entre os túmulos.

Eu estava lá como repórter e vi a cena daquele sábado pela manhã, no dia do aniversário do suicídio de Getúlio. Ciro Gomes era o candidato do PPS à presidência. Britto, do mesmo partido, concorria ao governo do Estado.

Também estavam lá Paulinho da Força, vice de Ciro pelo PTB, o deputado Roberto Jefferson, presidente do partido, e gente que Brizola atraiu para sua última tentativa de aliança com a direita.

Ciro Gomes estava estreando como “homem de esquerda”, sempre tendo ao lado a mulher dele, Patrícia Pillar. A caravana passou por São Borja, Itaqui e Uruguaiana.

Muitos não entendiam aquele ajuntamento em volta de Brizola. Me lembro de um bêbado gritando no comício em Uruguaiana:

– É tudo corrupto.

Um brigadiano tirava o bêbado, e o bêbado voltava. O que mais guardo daquele dia é que de repente, na visita a uma granja de criação de porcos em Itaqui, eu vi Brizola velhinho.

Tentei, muitos anos depois, entrevistar o homem que decretou o enterro do trabalhismo. É conhecido em São Borja. Ele preferiu ficar quieto, enquanto outros continuaram falando o que a maioria não queria ouvir.

Naquela eleição vencida por Lula, Ciro ficou em quarto lugar no primeiro turno, com 11,7% dos votos, atrás de Lula, Serra e Garotinho. Germano Rigotto venceu no Estado.

Brizola morreu quase dois anos depois, no dia 21 de junho de 2004, com 82 anos. E Ciro Gomes está aí. Tem gente que ainda acha que ele é trabalhista e até brizolista e getulista.

Ciro Gomes talvez seja o melhor exemplar brasileiro hoje daquelas figuras camaleônicas. Não se sabe direito o que elas possam ser, mas se sabe com certeza o que elas não são.

Extraviado

Ciro Gomes talvez tenha chegado perto de onde queria. Imita Bolsonaro e fala alto com Maria do Rosário.
Maria do Rosário é o alvo preferencial dos machos inseguros da direita. Ah, mas não é a mesma coisa? Não é a mesma coisa o cacete.
Ele talvez apenas ainda não esteja no estágio que espera alcançar. Mas chegará lá. Nunca se viu um Ciro Gomes tão valente e gritão ao lado de algum homem do PT.
Ciro Gomes é uma imitação de ajudante de ordens de coronel, um figurante extraviado que caiu num solavanco da cabeça do Glauber Rocha.

A culpa é do Lula

Ciro Gomes ‘esclarece’ a bronca com o PT: foi convidado por Lula a assumir a missão que acabou sendo de Haddad e se sentiu ofendido.
A entrevista à Folha é confusa, mal conduzida, não esclarece a história do convite, nem a época e as circunstâncias.
Não explora as especulações sobre a frente de esquerda. Tudo gira em torno do umbigo de Ciro.
O certo é que Ciro não quer mais saber do PT e de Lula. Seu negócio agora é o eleitorado de direita.
Está claro na choradeira. Ele largou de mão a conversa de que era de esquerda.
Ciro entrou na onda conservadora para se preservar nessa faixa. Esqueçam Ciro. Pensem em Haddad, Boulos e Manuela.

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/fomos-miseravelmente-traidos-por-lula-nao-farei-mais-campanha-para-o-pt-diz-ciro.shtml

A voz de Ciro

Um cara poderia entrar na campanha na última semana, para ser a voz forte que parece faltar no momento, a voz em tom um pouco mais alto, para que seja ouvida na mesma frequência das vozes do pai e do filho Bolsonaros.

Uma voz com poucas vírgulas e volteios, mas com muito sujeito, verbo e predicado. Ciro Gomes poderia pegar o megafone.

Todos nós estamos à espera de Ciro Gomes. Entre na reta final da campanha, Ciro Gomes. Entre firme e fale alto.

Todos os que em algum momento o criticaram (inclusive eu, mas acredito que de forma respeitosa) vamos acolhê-lo na luta que não é de Haddad ou do PT, é a luta de todos pela democracia.

Eu te vi em 2002 nas andanças com Brizola pelo Estado. Vi que muito da tua fala e do teu jeito têm inspiração na fala de Brizola.

Vamos lá, Ciro Gomes. Entre nessa briga. É da tua voz nordestina que estamos precisando.

 

As hienas temem Ciro Gomes

É sobre a perseguição que o senador Lindbergh Farias sofreu no sábado à noite, ao sair com a mulher de um restaurante.

Um sujeito cercou o senador, pedindo briga, e logo se formou o grupo de hienas na volta. O homem tira a camisa e parte pra cima de Lindbergh, que recua em direção ao carro.

A Folha fez a manchete baseada em um dos vídeos, que mostra o valentão no chão e Lindbergh dando um chute que parece não acertar o sujeito.

É provável que o chefe da alcateia tenha sido derrubado pelo político. E a Folha, claro, destaca que ele foi chutado pelo senador.

O homem e a mulher cercados por fascistas deveriam oferecer flores aos agressores…

Mas eles estão atacando as pessoas erradas. Devem tentar duelas com Ciro Gomes, que já chamou essas turmas pra briga. Por que as hienas das ruas não atacam Ciro Gomes?

 

 

O que vem aí

Faz pensar, como dizia meu tio Taurino, a reportagem do Marcos Weissheimer no Sul21 sobre o encontro do Ciro Gomes com o Tarso Genro.
Comento meio atrasado porque só li agora há pouco.
Tarso nega ter tratado de candidaturas e diz que está se dedicando à formação de uma nova frente política. É uma informação com linhas, sublinhas e entrelinhas.
Tenho lido os textos de Tarso Genro no Sul21 sobre o complicado cenário brasileiro. Tarso escreve bem. É um dos poucos políticos de projeção nacional que escrevem mais do que as 140 batidas do twitter.
A maioria não consegue escrever nem bilhete.

Leiam a reportagem do Weissheimer sobre o encontro

www.sul21.com.br/…/estou-me-dedicando-a-trabalhar-por-uma-…/