Simplório e engraçado

De Sergio Moro na abertura de um seminário sobre combate à corrupção, no Ministério da Justiça:
“É impossível combater a corrupção sendo corrupto. Simplesmente não funciona. Temos que evitar que o policial se corrompa, que o juiz se corrompa, que o Ministério Público se corrompa, que o auditor se corrompa”.
Li isso agora no Globo online, dei um pulo e derramei meio copo de suco de uva em cima da Míriam Lane, a gata que estava aqui ao meu lado.
Não consigo parar de rir. Então, é impossível combater a corrupção sendo corrupto? Onde? Na Suécia? Na Dinamarca?
Esse Sergio Moro é muito engraçado.

A força do dinheiro

Repetem-se as reportagens sobre os milionários que estão financiando as campanhas de candidatos a deputado federal e estadual.

A maioria doa dinheiro grosso para candidatos da direita. E muitos dos que recebem as doações são investigados por corrupção.

A proibição de doação por empresas não mudou quase nada, apenas fomentou uma farsa.

As empresas não doam, mas seus donos e seus altos executivos continuam sendo os maiores doadores, principalmente aos candidatos golpistas.

Troca-se a pessoa jurídica pela física e tudo continua na mesma. O poder econômico tenta sempre determinar o rumo da eleição.

Minha campanha a deputado estadual pelo PT só vai adiante porque recebi colaborações de amigos. São até agora 68 doadores, no sistema de financiamento coletivo.

A maioria eu conheço, mas muitos desconhecidos me surpreendem com seu apoio. Todos, os amigos antigos e esses novos amigos, me emocionam. Porque há uma grandeza no gesto de financiar um projeto político de esquerda.

Sem esse suporte financeiro, eu não teria como sustentar a candidatura. Eu e a maioria dos candidatos enfrentamos nomes da direita que recebem fortunas.

Fazer o quê? Seguir em frente e acreditar que o que vale mesmo é a conquista do voto. Eu luto por um mandato na Assembleia com o que tenho.

E o que tenho são minhas ideias, minhas propostas, minha história como jornalista e minha palavra. Mas só vou adiante com o apoio dos amigos.

Obrigado aos que decidiram me ajudar (muitos com contribuições singelas, o que me honra mais ainda) a enfrentar o poder do dinheiro que manipula eleições.

(Quem quiser conferir o site de doações com detalhes sobre o que recebi até agora, além das propostas que defendo como candidato, pode acessar o link que está na área de comentários. Agradeço aos que reforçarem o financiamento da minha campanha.)

O PERU E O JABURU

O que fizeram no Peru, com a proteção ao neoliberal corrupto no poder e depois com a negociata para a libertação de Fujimori, aconteceu aqui e vai acontecer em outros países.
A direita manipula a democracia como quer para proteger os seus bandidos. O Congresso peruano que preservou Pablo Kuczynski da acusação de corrupção apenas copiou o que os picaretas do Congresso brasileiro fizeram com a proteção ao Quadrilhão do jaburu.
O jaburu, Kuczynski, Macri (os dois são ídolos dos liberais e dos golpistas brasileiros) e toda a direita no poder continuarão onde estão, com o Supremo e com tudo. O Judiciário foi politizado e aparelhado em todo o Continente.
E a direita sabe que as reações populares ainda são insuficientes para ameaçar seus desatinos. Na Argentina, crescem a criminalidade, os ataques violentos a militantes de esquerda e os saques a mercados. Mas o presidente está em férias.
E aqui o jaburu fala à nação na véspera do Natal para dizer que não há inflação e que o povo deve se submeter à reforma da previdência. É o jaburu debochando da apatia da classe média.

A PROPINA DA GLOBO

Está protocolada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma representação em que PT, PDT e PSOL acusam a rede Globo de ter ferido a concorrência no caso de propinas da Fifa.
Os partidos também acionaram a Procuradoria-Geral da República para que investigue o crime denunciado por um delator. E ainda pediram ao Ministério da Ciência e Tecnologia que casse a concessão da TV, porque a Globo, ao pagar por fora para obter licença de transmissão de jogos, feriu a Lei Geral de Telecomunicações.
O que vai dar disso tudo? Nada. Nem no Cade, nem no MP e muito menos no Ministério do jaburu. Talvez dê alguma coisa na Suíça ou nos Estados Unidos.
Só teria alguma consequência aqui se tivesse uma reforma em uma cozinha ou se achassem pedalinhos e barcos de alumínio. Não vai dar nada. Nunca dará nada. Nada, nada, nada. A não ser que um filho do Lula apareça na história como homem forte da Fifa.

Discursinho de Rock in Rio

O tal Dinho Ouro Preto só repetiu no Rock in Rio o bordão que a direita dissimulada (e a esquerda arrependida ou confusa) mais gosta de usar. Peguem todos, porque todos são corruptos da mesma laia.
É o bordão raso que mais circula pelo Facebook. É uma bobagem que também os artistas meia-boca e falsamente politizados ajudam a multiplicar. Pegar todo mundo quem?
Alguns até listam que é preciso pegar Aécio, Padilha, o jaburu-da-mala e outros. Só para fazer média com as esquerdas e ficar de boa com a direita. É um truque de marketing pilantra pra dizer que defendem o combate geral à corrupção. Não defendem nada. Ficam no muro.
E o tal Ouro Preto ainda decidiu incluir Dilma na lista dos que conspiraram contra a democracia, ao lado de Aécio, Eduardo Cunha e Sérgio Cabral.
Eu até acho que o ‘rock’ brasileiro, no estado em que está, merece mesmo um sujeito confuso como este. O ‘rock’ brasileiro vacilante e repetitivo (que aprenda um pouco com o pessoal do funk) está com a cara deste Ouro Preto. O rock há muito tempo é apenas negócio (e em crise).
(Sim, eu li o discurso que ele fez. É uma contribuição ao rebaixamento da retórica básica difundida pela Lava-Jato de que a lei é para todos. É mais do que empobrecedor, é antigo, é manjado e é emburrecedor. Concordo com a Diovane Santos, aí nos comentários: esse sujeito é o Zezé Di Camargo do nosso ‘rock’. Assim, entre aspas.)

O livro

Um amigo comprou, por reembolso, o livro ‘A luta contra a corrupção’, do procurador Deltan Dallagnol. Diz ele que, depois de ler umas 20 páginas, reuniu provas cabais e convicção de que é literatura de oportunidade da pior qualidade.
Uma frase do livro: ‘Sempre acreditei no poder da dedicação’.
A obra tem Deus, tem esperança, tem fé, tem todos os clichês que um texto religioso pode ter.
Meu amigo acha que o livro inaugura a pregação da auto-ajuda no Ministério Público.

Em vez do tucano Aécio, papagaios

Sentei, cruzei as pernas e fiquei esperando que o Jornal Nacional mostrasse Aécio Neves chegando para depor hoje na Polícia Federal em Brasília sobre mais um rolo em que estaria metido e que foi denunciado pelo delator Delcídio do Amaral.
O JN não deu uma linha. Nada. Já vimos cunhadas, irmãs, primos e tios de suspeitos mostrados pelo Jornal Nacional quando chamados ou conduzidos à força para depor na PF.
Fiquei sabendo pelos blogs sujos que Aécio teve direito à condução discreta. Lendo os sites bem limpinhos, só o que sei é que um tucano nunca terá condução coercitiva.
Em compensação, o JN de hoje me informou tudo sobre a proliferação de papagaios na cidade de Santa Fé do Sul, no interior de São Paulo. Da proliferação de tucanos corruptos e impunes nunca ficamos sabendo nada.

Criem coragem e peguem um tucano

As instituições têm mais 14 dias, até o fim do ano, para pegarem um tucano. Mas a Polícia Federal está atrás do Zé Agripino, que não aparece no Jornal Nacional dos sábados ao lado de uma samambaia há pelo menos dois meses.

Zé Agripino é manjado. Vão pegar o moralista do PFL pelas propinas que recebeu de empreiteiras.

Mas 10 Zés Agripinos não valem um tucano enquadrado. Só que continuam pegando os Zés Agripinos e os Malafaias e não pegam ninguém do PSDB.

E há investigações e processos contra José Serra, Pedro Parente, Pedro Malan, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves.

O problema é que ninguém fala disso. E talvez nem os investigadores saibam que todos estes tucanos estão sendo investigados e/ou processados.

Temos mais 14 dias para que ainda peguem um tucano este ano. Se não pegarem, este terá sido o ano da guerra seletiva à corrupção.

Parem de pegar sempre os mesmos passarinhos. Criem coragem e peguem um tucano, mas um tucano graúdo.

Apenas um Garotinho

Soltaram Garotinho, porque Garotinho não deveria mesmo estar preso. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu por seis votos a um que ele deve ficar solto. Garotinho não é perigoso.

É fácil prender e mostrar para o Brasil os mafiosos de pequeno porte. Todo mundo agora quer imitar Sergio Moro. Mas Garotinho é um contraventor.

Claro que eu não torço por Garotinho. Mas essa figura bochechuda não é a representação do mal.

Eu torço mesmo para que peguem grandes mafiosos, que deixem de pegar os mesmos trambiqueiros cariocas.

Eu torço para que peguem gângsteres. E estes agiram durante anos em São Paulo e Minas. Mas quem vai pegá-los?