O FIM DE MACRI

Frase dita ontem por Nicolás Dujovne, ministro da Fazenda de Mauricio Macri: “A Argentina terá mais inflação e menos crescimento”.
É o anúncio oficial do começo do fim. O dólar continua subindo e chegou agora pela manhã a 25,30 pesos.
Macri perdeu apoios importantes. Um dos maiores críticos da situação do país é o seu ex-ministro da Fazenda Alfonso Prat-Gay Alfonso Prat-Gay.
Analistas da TV C5N disseram ontem que comércio e indústria perderam a noção de preços relativos. Lojas e prestadores de serviços cobram o que acham que devem cobrar.
E hoje vence um lote das chamadas Lebacs (Letras do Banco Central), que são títulos de curto prazo que financiam o governo. Ou o governo rola a dívida ou abre a porteira para a quebra.
Para completar, anuncia-se que finalmente será fechado o cerco da Justiça para que a família Macri pague US$ 75 milhões que deve ao governo desde a quebra dos Correios (explorados pela família de 1997 a 2003).
E os liberais brasileiros? Todos quietos. Os liberais vão votar em Bolsonaro para aplacar suas consciências. O modelo Macri já era. Está valendo o modelo Geisel.

Já?

Fermenta o dilema que se apresenta antes da queda do jaburu-rei. Eleição direta, ou indireta mesmo, para que alguém de centro, reconhecidamente um democrata, faça a transição até a eleição de 2018?

A tese da eleição direta é a mais óbvia e majoritária no PT. Lula seria o favorito e como tal ficaria protegido politicamente contra as investidas de Sergio Moro já durante a campanha. Eleito, não poderia ser processado por acusações anteriores ao mandato.

Mas é preciso que a eleição aconteça antes da condenação em segunda instância, porque esta tornaria Lula inelegível. Como todos os processos de Curitiba andam a jato, tudo pode acontecer.

Só que a eleição direta é uma bandeira, uma utopia. Dependeria da votação de propostas já existentes, que mudam a Constituição, hoje algo politicamente impossível, e de um longo processo de deliberações no Congresso, até sua realização. E o Congresso é direitoso, não quer diretas.

O PT sonha com o improvável. Mas é preciso considerar que vivemos num país onde o imponderável está sempre à espera na esquina. O caso Joesley é o exemplo recente.

Os defensores da tese da eleição indireta de um mediador minimamente respeitado (quem?) dizem que seria bom livrar o PT e as esquerdas da bronca representada pela gestão da crise crônica, pela reacomodação das reformas inconclusas (que andariam pra frente ou pra trás?), pelo desencanto geral.

Um presidente provisório, mas com reputação para ser bem acolhido, poderia restabelecer confianças, quem sabe até iniciar a recuperação da economia e conduzir o país até a eleição do ano que vem.

Um presidente interino, eleito por esse Congresso de pilantras, pode até ser rejeitado no começo, mas poderia também, quem sabe, aos poucos conquistar os brasileiros. É o que dizem os indiretistas.

Mas e se o provisório e sua turma gostarem, rearticularem a direita e os golpistas conseguirem apresentar um candidato viável durante o governo provisório? Ou até ficar no governo, sem eleição?

A eleição indireta, pelo cenário atual, é o que se encaminha para acontecer, se não pensarem em mais um golpe. Mas ainda não dá pra captar os sentimentos das demais esquerdas de fora do PT.

O que sabemos é que o PT está dividido (mesmo que os contrários às diretas estejam mais quietos) e que Henrique Meirelles é o candidato da direita que mais saliva quando fala na TV.

O jornalismo e o golpe

Mídia

Será daqui a pouco, a partir das 19h30, o debate sobre jornalismo e o atual momento político, no auditório do Sindicato dos Bancários, em Caxias.
É uma promoção do Sindicato dos Bancários de Caxias e Região, com apoio do Sindicato dos Professores (Sinpro/Caxias), do Sindicato dos Servidores Municipais de Caxias do Sul e do Coletivo de Comunicação Alternativa.
Fui convidado a participar, ao lado do Juremir Machado da Silva, mas não posso estar presente.
Desejo um bom debate. Em momentos como esse, o jornalismo nunca será figurante.
A Lava-Jato e o golpe jogaram o jornalismo no fosso. A imprensa tem sido, há muito tempo, apenas emissária de recados, grampos e vazamentos.
É a realidade. Negá-la é contribuir para a fragilização e a irrelevância do próprio jornalismo.

O dólar e os analistas

E o dólar sobe, sobe, continua subindo e vai a R$ 3,30…
Quantos analistas induziram aposentados assustados a comprar o dólar a mais de R$ 4, porque o mundo estaria acabando. Só no Brasil, claro.
Faz pouco tempo. E outros tantos analistas referendavam os colegas analistas anunciadores do fim do mundo, até que um grupo grande de analistas, nos jornais, no rádio, na TV, chegou a insinuar, com a sutileza dos golpistas, que o Brasil estaria colocando em risco todas as reservas em dólar.
E depois disso tudo, você acha mesmo que o déficit de ética é apenas dos políticos?
Os analistas a serviço do golpe continuam por aí. Sempre analisando, porque alguém precisa analisar.