O TRUQUE DO TUCANO

O governo que vem aí no Rio Grande do Sul vai governar pela direita nas questões mais amplas e essenciais (economia, serviços, gestão de patrimônio público, servidores) e fazer afagos à esquerda na área cultural, onde não provoca a ira de aliados.
Saíram dessa cartola as notícias sobre a possível ressurreição da TVE e da FM Cultura e a revitalização da Secretaria da Cultura.
Fica bonito, fica charmoso e fica bem com parte da esquerda que ajudou na sua eleição por rejeitar Sartonaro.
Mas não pensem que esse será um governo do PSDB mais jovem e mais fofo, porque o PSDB não existe mais. É um governo de direita, com todos os aliados possíveis, com amplas alianças com o empresariado, mas com algum glamour ‘iluminista’ para a torcida da cultura.
Para tempos de Bolsonaro, é um consolo. Quem quiser que embarque. A claque da chamada classe artística já está se manifestando. O rapaz tem voz, tem pinta de galã e agora já tem público. Cada um com o sertanejo universitário que merece.

New age de novo?

fronteira

Essa história da grande virada me deixou reflexivo ontem. Vou relembrar. Li num texto solto na internet que o tema central do Fronteiras do Pensamento vai na direção de grandes mudanças que estão por chegar.

Vem aí a grande virada. Me pareceu alguma coisa tipo Era de Aquário, algo anos 60 e 70. O Fronteiras estaria ficando esotérico?

Claro que não é uma notícia nova, essa do slogan do Fronteiras, mas eu havia ficado de fora da novidade. Fui pesquisar e achei este texto explicativo do curador do evento, Fernando Schüler. Leiam o que ele diz:

“O Fronteiras do Pensamento terá, em 2016, um sentido indisfarçavelmente otimista. A visão do mundo como ‘potência’. Do Brasil que, indiscutivelmente, precisa de uma grande virada. Do plano por vezes misterioso de nossa própria vida. Cada um de nós. Nossas pequenas revoluções. Nossa disposição de migrar. De arriscar um pouco mais em um mundo que percebemos mais excitante, mais pleno de informação e de oportunidades”,

De fato, há aí um otimismo que não dá pra disfarçar. O mundo pode então estar caminhando em direção a algo grandioso?

Para que lado devemos nos virar? Estamos virados para o lado certo? Nosso vizinho já se virou antes e a gente não viu?

Eu vou dizer o que eu acho, com a sinceridade que me acomete no outono: o Fronteiras estava sem gancho, em meio a tanta notícia ruim, e encontrou um jeito de dizer que vem aí algo que ninguém sabe o que é.

Numa situação como essa, eu prefiro então ir a um culto ou frequentar uma ONG new age. Mas eu nem sei se ainda falam em new age. O Fronteiras me deixou confuso.