PEGARAM OS HACKERS. E O QUEIROZ?

O caso do Queiroz, segundo Bolsonaro, já foi resolvido por Dias Toffoli. Flavio Bolsonaro, os laranjas e os milicianos do Rio das Pedras podem ficar tranquilos.
Agora, a Polícia Federal pode estar resolvendo a história dos hackers, com a prisão de quatro suspeitos de terem invadido os telefones de Moro e Dallagnol.
Acharam os hackers. Quatro presos em três cidades (São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto).
Acharam quatro, em cidades diferentes, mas até hoje não acharam o Queiroz, que é um só e está, como todo mundo sabe, protegido pelos Bolsonaros em algum lugar de São Paulo.
Outro detalhe. A Lava-Jato fará força para dizer que os hackers são os responsáveis pelos vazamentos dos diálogos escabrosos do juiz com o procurador. Se disserem que foram eles, estará provado que os diálogos são verdadeiros, mesmo que continuem com a história de manipulação das mensagens.
Se não disserem, de qualquer forma a confusão estará criada.
Vem aí o novo teatro da Lava-Jato, enquanto a a Polícia Federal de Sergio Moro não faz o que qualquer jurista sabe que deveria fazer: investigar os conteúdos das mensagens.
Por que a polícia sob o comando do ex-juiz não investiga as mensagens? Os servidores republicanos da Polícia Federal são minoria, a ponto de permitirem que a instituição continue calada sobre uma sindicância que deveria estar realizando há muito tempo?
Quando ficaremos sabendo das investigações em torno dos conluios contidos nas mensagens?
Quem, como fez o diretor do Inpe sobre a devastação da Amazônia, irá desafiar o aparelhamento do Estado e o poder absoluto dos bolsonaristas que se apoderaram das instituições?

OS 10 DRAMAS DE SERGIO MORO

O que levou Sergio Moro a pedir licença para cuidar de “assuntos particulares”.

1. Moro não consegue trocar ideias com Deltan Dallagnol e seus ex-subordinados no Ministério Público da Lava-Jato, porque é claro que não irão usar celular e sistemas de mensagens. E eles adoravam trocar mensagens. Agora, é preciso ter contato direto. Mas onde? Será que se encontraram nos Estados Unidos? Mas não deve ter sido suficiente.

2. O ritmo da divulgação dos vazamentos, que é lento porque exige apuração e a publicação das mensagens em seus contextos, atormenta os envolvidos. Se não conseguem se comunicar, não conseguem nem se preparar melhor para o que eles sabem, e sabem muito bem, que virá mais adiante.

3. Moro vai enfrentar no Supremo o julgamento da suspeição levantada por Lula. Pode ter informações de que será derrotado. E, se for derrotado, precisa estar preparado para o que virá na sequência.

4. A Lava-Jato pode estar sendo desmontada com a retirada dos tijolos da sua base. Se puxarem, além do tijolo da condenação de Lula, outros pontos de sustentação, tudo virá abaixo, junto com o projeto maior do ex-juiz de chegar ao Supremo.

5. O dito suporte jurídico à defesa de Moro é frágil. O ex-juiz repete sempre os mesmos e poucos defensores da sua tese de que conversas como as dele com Dallagnol são triviais no Judiciário. Não são, ou não podem ser.

6. A repercussão internacional do escândalo das conversas abalou sua reputação no Exterior. Moro já não é mais visto como herói contra a corrupção, como conseguiu se vender nos Estados Unidos.

7. A decisão do Intercept de compartilhar o material das conversas com Folha e Veja criou uma armadilha para o ex-juiz. Ele sempre acusou o Intercept de ser um site sem expressão. Agora, a revista que o endeusou está editorialmente contra ele, e o maior jornal do país se jogou com força na pauta.

8. Moro e Dallagnol sabem que os vazamentos não são obra de um hacker, mas certamente de alguém de dentro do esquema. Por isso não desmentem categoricamente as conversas.

9. O governo que o acolheu está sob suspeita desde o começo. As relações da família Bolsonaro com milicianos desqualificaram o discurso moralista do ex-juiz. Moro sabe onde se meteu.

10. Moro pode ficar só, como ficaram Serra, Aécio, Cunha e o jaburu. Ele sabe que a direita não perdoa e abandona seus perdedores.

Subalternos submissos

Os vazamentos publicados por Veja reafirmam o que existe de mais desabonador (para não usar outra palavra) para o Ministério Público Federal. Os procuradores eram serviçais de Sergio Moro.
Eram mobilizados pelo juiz, sempre com um claro receio de errar e desapontar o chefe.
A força tarefa era formada por procuradores que temiam o juiz, no mais antigo e retrógrado modelo de comando e submissão.
Sergio Moro continua agindo assim no Ministério da Justiça?
E desta vez os vazamentos criam outro constrangimento. Além de Fux, Edson Fachin era considerado aliado.
Está lá na frase de Dallagnol, depois de um encontro com Edson Fachin em 2015:
“Aha uhu o Fachin é nosso”.
Mais tarde, Fachin iria substituir Teori Zavascki na relatoria da Lava-Jato.
Enquanto pelo menos metade do Brasil lamentava a morte de Teori, em 2017, o procurador chefiado por Sergio Moro tinha motivos para comemorar a conquista de um aliado.

https://veja.abril.com.br/politica/dialogos-veja-capa-intercept-moro-dallagnol/

VEJA E AS ESQUERDAS DESMEMORIADAS

Veja é uma revista caindo aos pedaços. Dia desses peguei uma, com uns cinco meses de idade, amassada, num consultório que ainda tem Veja para que seus pacientes fiquem ainda mais doentes.

Vamos reconhecer que sempre foi uma revista de textos atraentes, mesmo na pior fase de aliada de golpistas e extremistas que levaram à eleição de Bolsonaro. Sempre foi bem escrita.

Peguei e larguei, não só por ter informações vencidas. É uma revista medíocre, com texto precário, murcha como uma uva-passa, sem nada do que já foi (e nem falo do tempo de Mino Carta, falo de tempos recentes mesmo).

Pois Veja encontrou as duas testemunhas da conversa de Moro com Dallagnol. Está provado que as duas testemunhas existem e que o juiz se meteu até na indicação de quem deveria ser ouvido para tentar comprometer Lula.

É uma boa informação, mas não piora a situação do ex-juiz, porque a maioria não vai entender o que isso significa. O que acontecerá agora é mais uma discussão jurídica sobre a controversa de sempre: se um juiz pode ou não indicar testemunhas a um procurador. Não pode. Até o Louro José da Ana Maria Braga sabe.

Mas o que importa nesse caso é ver o entusiasmo de uma certa esquerda com a adesão de Veja à tentativa de mostrar a verdadeira face de Moro.

Vamos ter vergonha na cara. Era só o que me faltava comemorar a ressurreição de Veja como aliada da esquerda.

Veja foi a maior articuladora do golpe contra Dilma e do esforço da Lava-Jato para encarcerar Lula. Me deixem fora dessa comemoração. Eu não quero nada com o jornalismo oportunista de Veja.

Não é uma publicação conservadora (como são todas da grande imprensa, no mundo todo, a maioria com grandes profissionais), que decide se aliar à tentativa de retomada da democracia e da normalidade nas instituições.

Não é uma revista dita liberal que se dá conta de que deve estar do lado certo, porque todos sabem hoje qual é o lado certo.

É uma revista reacionária, golpista, antiLula, antiPT, que se desentendeu com o juiz e parte da direita e agora faz o jogo de que ajuda a desmascarar o chefe da Lava-Jato. Ah, dirão, mas é o mesmo caso da Globo.

Não é. É muito pior, Veja é o Everest do golpismo, é o jornalismo sem escrúpulos que se consagrou como modelo com Diogo Mainardi, Augusto Nunes, Joice Hasselmann, Reinaldo Azevedo (que agora é “aliado”) e outros.

Estou fora dessa. Se a revista derrubar Sergio Moro, eu posso até ficar envergonhado com o jornalismo que teve de depender de Veja para que fizesse desmoronar os esquemas mafiosos do Judiciário.

Desejo apenas que se alie à Globo e à Folha e que se matem nesse entrevero de desentendimentos e traições com esse pessoal da Lava-Jato. Mas não me chamem para essa claque.

A HORA MORTA

Os primeiros vazamentos de mensagens do escândalo Moro-Dallagnol completaram hoje oito dias. Os que esperam mais informações estão inquietos e inseguros. Moro e o governo devem estar com a sensação de que o pior já passou.

O que tivemos depois da abertura das comportas foi basicamente essa sequência. A publicação dos diálogos completos, a conversa em que Fux é classificado como confiável por Moro, Dallagnol falando da articulação com os americanos e Moro orientado os procuradores a armarem na imprensa um ataque a Lula.

A partir daí Moro muda a fala e a postura e começa a insinuar publicamente que os diálogos podem não ser verdadeiros. Mas o próprio Moro cai em contradição e admite descuido na ordem a Dallagnol sobre as provas contra Lula. E Dallagnol se aquieta. Só quem fala é o chefe, e o chefe dele é Moro.

Os diálogos completos serviram para mostrar que o comando de Moro sobre a força-tarefa do Ministério Público era exercido com certa naturalidade. Moro põe a turma de procuradores a cumprir tarefas, e eles se sentem felizes montando esquema para cercar Lula.

Mas isso foi suficiente para mostrar que o Intercept tinha, depois da arrancada, mais informações relevantes e impactantes? Relevantes, sim, porque mostram um clima que parece de relação cotidiana e de promiscuidade do juiz com seus subalternos que não deveriam trabalhar pra ele. Mas não impactantes.

Fux era confiável em relação a Teori Zavascki, que representava a única ameaça a Moro. Parece previsível. É um comentário sobre a proximidade da Lava-Jato com o ministro que ninguém espera que seja um problema para os delitos da força-tarefa. É comprometedor, mas não tem grande impacto.

Então, fica a sensação de que merecemos e podemos esperar mais. Mas pode ser que os vazamentos não ofereçam nada mais de chocante (principalmente para o grande público) e que o repertório se esgotou.

Pode ser também que esta seja a hora morta, a hora do suspense, quando um redemoinho arrasta a sujeira do meio da rua. Todos parecem adormecidos, mas de repente o vento bate na porta e um rangido de dobradiça nos acorda.

O Intercept pode nos despertar de uma hora pra outra, é o que se espera. Moro e seu pessoal já deram a entender que vão escapar.

Quarta-feira o ex-juiz será ouvido na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Pode não acontecer nada de especial. Logo depois, pega o avião e viaja para os Estados Unidos. Vai fazer o quê? Tratar de intercâmbios.

Eles parecem agir como se nada estivesse acontecendo, como fizeram todo tempo na Lava-Jato. Mas muitos dos que participaram do golpe de agosto de 2016 tinham a mesma empáfia. Tinham.

A TEIA LAVA-JATO-BOLSONAROS-MILICIANOS

Toda a família Bolsonaro se manifesta a todo momento, menos um dos filhos. O pai e os garotos Eduardo e Carlucho não saem do Twitter. Mas Flávio, o amigo e patrão de Fabrício Queiroz, sumiu.
O pai ainda tenta entender o que significa golden shower. Eduardo autoproclama-se todos os dias líder da direita latino-americana. Carlucho ataca a imprensa, também da manhã à noite.
Mas Flavio sumiu dos noticiários. Uma hora terá de reaparecer. Amanhã começa de fato a nova legislatura, e aí a ficha vai cair.
Flávio Bolsonaro vem sendo poupado pela imprensa pelo foco nos escândalos dos laranjas do PSL (que vai derrubar também o ministro do Turismo) e mais agora no caso dos R$ 2,5 bilhões das Organizações Tabajara da Lava-Jato de Deltan Dallagnol.
Esta semana, teremos essas três pautas: os laranjas de Flávio-Queiroz, os laranjas do homem do Turismo e a caixinha bilionária da Lava-Jato com o dinheiro da Petrobras.
Esta também é a semana em que se completa, dia 14, um ano da morte de Marielle. Todos os casos e os grupos têm relação.
A Lava-Jato encarcerou Lula e abriu caminho para os Bolsonaros. Os Bolsonaros são amigos e protegidos e protetores de Queiroz e dos milicianos. E os milicianos mataram Marielle.
Quando essa teia for desfeita, o Brasil poderá retomar a democracia. Antes, é importante que se evite que a Lava-Jato se aproprie de dinheiro de uma estatal que ainda é dos brasileiros, não é de Deltan Dallagnol nem dos americanos.
Sergio Moro num governo enredado com milicianos e Dallagnol com o dinheiro da Petrobras.
E eles dizem caçar mafiosos do crime organizado…

Os juízes que acusam ou defendem

Sergio Moro desesperado atrás de provas em Curitiba, para cumprir sua missão acusatória contra Lula (porque Dallagnol só lhe oferece convicções e documentos sem assinatura), e Gilmar Mendes tentando se desfazer das provas que o TSE juntou em Brasília, para assim levar adiante a sua tarefa de defensor do jaburu.
O Judiciário acabou cedendo à direita (com raras reações em contrário, dentro da instituição) alguns dos seus melhores ‘advogados’ de acusação e de defesa.
A Justiça brasileira levará décadas para se recuperar dos danos provocados por seus juízes descaradamente seletivos.

Os unhas grandes

O jornal O Globo está se divertindo com a imagem de Garotinho sendo levado do hospital para a cadeia. Seria bom não se divertir muito com esta cena.
Muitos dos que estão rindo, no jornalismo e em outras áreas, eram bem chegados a Garotinho e a Sergio Cabral.
Ontem, o procurador Dallagnol disse à TV Folha, com fervor nos olhos, nos gestos e na fala, que a Lava-Jato está recém na metade.
Tem muito pé pra ser puxado. Mesmo que a Lava-Jato não chegue nem perto dos pés tucanos, que têm unhas grandes, chegará em gente que está no poder e é parceira deles.
Ainda vai ter muito susto, até a tentativa (será que tentarão?) de prisão do Lula, sem muitas provas mas com muitas convicções.

Piada de bom gosto

collor

Joaquim Barbosa era bom lendo suas assertivas no processo do mensalão, mas sempre foi fraco de retórica. Sergio Moro também não encanta, fala sem força e não leva uma frase de impacto para suas palestras.
Dante Dallagnol, o procurador-chefe da força-tarefa da Lava-Jato, tenta ser eloquente, com seu tom religioso, mas é comum.
Hoje ele disse na Câmara que os políticos não temem nada no Brasil porque “a punição à corrupção é uma piada de mau gosto”.
Piada de mau gosto… O censo comum e a frase feita são o forte dos homens da Lava-Jato. O procurador-chefe vai para uma palestra e repete que a impunidade é a uma piada de mau gosto. Não pode.
Os homens da Lava-Jato têm que se puxar mais. A todo momento eles dizem que o combate à corrupção vai em frente, doa a quem doer.
É a frase que ouviremos de novo amanhã ou depois. O Tiririca é mais surpreendente.
E, já na política, ainda tem o Michel…