Vazadores caçados e vazadores impunes

 

A grande caçada da Justiça Federal hoje tem foco na Suíça. Mas não para repatriar os R$ 23 milhões que a Odebrecht diz ter depositado lá em nome de José Serra.

A Justiça caça o ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz (foto), aquele que em 2008 tentou pegar o banqueiro Daniel Dantas por crimes financeiros diversos e espionagem de concorrentes (a lista é grande), na famosa Operação Satiagraha.

A Justiça quer Protógenes na cadeia. Ele foi condenado em 2014 a dois anos e seis meses de prisão por vazamento de informações da Satiagraha para a imprensa. Um ano depois, foi demitido da Polícia Federal. O ex-delegado, que se refugiou na Suíça, faltou a uma audiência.

Por acaso, no último dia 26 o ex-ministro Nelson Jobim publicou um artigo na Folha sobre os vazamentos sistemáticos da Lava-Jato e deixou no ar esta pergunta: o que acontecerá com quem passa informações sigilosas à imprensa e comete delito funcional previsto em lei?

Jobim escreveu, a respeito da suspeita de que os próprios procuradores da Lava-Jato vazam as informações: “O Estatuto do Ministério Público da União veda essa conduta. O artigo 246 impõe aos membros da instituição, ‘em respeito à dignidade de suas funções e à da Justiça’, ‘guardar segredo sobre assunto de caráter sigiloso que conheçam em razão do cargo’ e ‘desempenhar com zelo e probidade as suas funções’. A demissão é a penalidade imposta pelo estatuto em tais casos de revelação de assuntos sigilosos”.

Quem adverte é alguém com a autoridade de quem foi ministro da Justiça e presidente do Supremo: os vazadores devem ser identificados, punidos e perder o emprego.

O próprio Jobim relembra ao final do artigo o caso de Protógenes, o delegado demitido da Polícia Federal por delito funcional, quando tentava enquadrar um banqueiro que ninguém consegue pegar.

Agora, Protógenes é caçado. Não perguntem onde está o banqueiro, porque eu não vou responder. E também não perguntem o que foi feito da denúncia de vazamento, publicada pela ombudsman da Folha, Paula Cesarino Costa, na edição do dia 19 deste mês, e reafirmada pela mesma jornalista na edição do dia 22.

Paula diz ter mais de três fontes que asseguram que os vazamentos foram cometidos por procuradores federais. Ninguém se mexeu.

Enquanto isso, Protógenes é caçado e Dantas ri da minha, da sua, da nossa cara.

 

O que Dantas tem que Eike não tem?

Será que vão conseguir prender Eike Batista e mantê-lo preso por algum tempo? O Daniel Dantas chegou a ser preso há oito anos e depois o Supremo mandou que fosse solto. Anda solto até hoje.

Quem perdeu tudo, inclusive o trabalho no serviço público, foi o delegado que prendeu Dantas. Mas Dantas é Dantas, e Eike não é mais nada.

(e lembrando que na época de prisão de Dantas não havia a masmorra de Curitiba com sua ‘prisão preventiva’ para sempre)