Pesquisas que assustam

Para os otimistas e os que acordam no sábado cheios de esperança, um dado de pesquisa do DataFolha é destruidor.
Depois dos cortes de verbas para educação, saúde e investimentos, das negociatas de emendas com cúmplices no Congresso, da eliminação de bolsas estudantis e do dinheiro para pesquisa, do fim dos recursos para combater as agressões à Amazônia, depois da destruição dos serviços públicos, o brasileiro melhorou sua avaliação sobre uso do dinheiro público na Era Bolsonaro.
Historicamente, menos de 10% consideram que o dinheiro público está sendo bem aplicado. Com Bolsonaro, esse percentual sobe para 23%.
Pode ser efeito da consolidação do nicho bolsonarista como pode ser produto da negação e da desinformação. Por que aumenta, com Bolsonaro, a percepção de bom uso do dinheiro público?
A confusão é grande, porque cresce ao mesmo tempo (em relação à pesquisa de dezembro de 2016) de 39% para 50% o índice dos que acham que as verbas públicas são insuficientes.
Se desse pra resumir, Bolsonaro aplica menos dinheiro, mas vem melhorando a qualidade da aplicação.
Divirtam-se.

MORO É O ALIEN DE BOLSONARO

O discípulo bolsonarista mais indeciso pode estar se afastando desesperadamente do seu criador. A direita correu para o lado de Sergio Moro, diante da crescente brutalização do governo.

Acordo cedo para saber se Moro caiu, e a notícia do DataFolha é a de que ele está ainda mais forte. Podemos estar vendo o morismo crescer dentro do bolsonarismo que agora o combate.

Isto é o que diz a Folha: “Sergio Moro continua como o ministro mais bem avaliado do governo Bolsonaro, com um patamar de apoio da população que supera o do próprio presidente.
Segundo o levantamento, Moro é conhecido por 94% dos entrevistados, a taxa mais alta na Esplanada.

Dentre os que afirmam conhecê-lo, 54% avaliam sua gestão à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública como ótima ou boa. Outros 24% a consideram regular, e 20%, ruim ou péssima —2% não responderam.

Em comparação, são 29% os entrevistados pelo Datafolha que aprovam o governo Bolsonaro, 30% os que o consideram regular e 38% os que avaliam como ruim ou péssimo (2% não responderam)”.

A pesquisa do DataFolha só amplia o drama de Bolsonaro, que vem tentando desmoralizar o juiz em várias frentes. A situação mais tensa agora é a que envolve o comando da Polícia Federal.

O DataFolha mostra que Moro tem apoio dos ricos, dos brancos, evangélicos, aposentados e moradores do Sul. O ex-juiz avança nos redutos de Bolsonaro e também é rejeitado por nordestinos, estudantes e pobres.

Moro é mais do que uma armadilha que Bolsonaro não conseguirá desarmar tão facilmente. O ex-juiz passa a usar Bolsonaro como hospedeiro.

Moro é o Alien que Bolsonaro atraiu para a sua nave, onde cabem militares, milicianos, incendiários, terraplanistas e, claro, justiceiros.

O terror tem muitas faces, e a que se revela agora para Bolsonaro tem a cara de alguém que parecia acossado, derrotado e, depois de descoberto, pronto para saltar fora sem conseguir engolir ninguém.

Se decidir saltar do ventre que o abriga, quem ficará mal será o hospedeiro. O Alien irá se acomodar em algum compartimento de alguma outra nave.

O amplo espaço da direita, incluindo a nova direita extremada paulista, dissimulada como bacana e tucana, está aberto para Moro.

BOLSONARO AFUNDA

Manchete da Folha segue no mesmo ritmo de ontem, enquanto Bolsonaro caminha para o desastre.
“Brasileiros pobres e entre 35 e 59 anos puxam alta na reprovação a Bolsonaro, aponta Datafolha.
Rejeição ao governo cresce mesmo em segmentos bolsonaristas, como moradores do Sul, e entre os mais ricos e escolarizados, aponta Datafolha”.
O único segmento em que o apoio ao governo cresceu foi o do neopentecostais. Cai entre jovens, ricos, brancos, mulheres, negros, idosos, pobres.
Bolsonaro já é há muito tempo um pregador ‘religioso’ que diz governar o país em nome de uma minoria.
O Brasil tem finalmente uma seita no poder, comandada pela família que desafia toda a estrutura política e institucional, as leis e as normas elementares de costumes e convivência.
Quando tudo isso irá acabar, se tem apoio até dos militares, antes de piorar mais um pouco?
Feita de outra forma, a pergunta que atormenta a todos hoje, inclusive os britânicos, é essa: como a democracia dará conta dos dilemas e das aberrações que ajudou a criar?

BOLSONARO NA SEMANA QUE VEM

A manchete do Globo online, que outros jornais já estamparam nos últimos dias, com formulação semelhante, é esta:
“Queda de popularidade de Bolsonaro entre apoiadores acende sinal de alerta para 2022”
O homem não sabe se o seu governo sobrevive até a semana que vem, mas os analistas já tentam tratar do cenário de 2022.
Como se, em meio aos incendiários da Amazônia, à crise do filho envolvido com milicianos, ao aumento do desemprego, às traições na base aliada e à destruição dos serviços públicos e às bobagens que diz diariamente, Bolsonaro pudesse pensar num cenário para daqui a quase três anos.
O que o Globo e outros tentam fazer, na verdade, não é ver a perspectiva pelo ponto de vista dos bolsonaristas, mas da possível ressurreição dos tucanos ou de algo que se assemelhe a um deles.
Doria Júnior é a aposta de um centro disfarçado, que é apenas a direita não-bolsonarista. Se não der certo, tem Luciano Huck. Se Luciano Huck não der certo, encontrarão outro.
O que parece irreversível é que Bolsonaro se protege cada vez mais no terço que lhe é fiel, na esperança de que possa ampliar esse lastro baseado em antipetismo cada vez mais radical, racismo, xenofobia, homofobia, armamentismo e fortalecimento das polícias e das milícias.
Até na Região Sul, o reduto do reacionarismo, a rejeição a Bolsonaro aumentou de 31% para 35%.

A debandada

A principal constatação da pesquisa do DataFolha não é o previsível crescimento geral da reprovação de Bolsonaro, de 33% em julho para 38% agora, mas o começo da debandada dos mais ricos e escolarizados.
Vai se definindo aos poucos a base estreita do apoio a Bolsonaro, e é para essa base mais fiel, ainda acomodada em torno de um terço do eleitorado (o que não é pouco), que ele governa e manda mensagens.
Vai conseguir manter a radicalização e sobreviver ou será devorado pelos próprios incendiários e pelas traições no Congresso?
Na próxima pesquisa, o Datafolha poderá avaliar o governo de Rodrigo Maia.

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/09/reprovacao-de-bolsonaro-cresce-para-38-em-meio-a-crises-mostra-datafolha.shtml

O FASCISTA MOSTRA A CARA

Bolsonaro pode ter voltado para sua base de apoio de 18% de bem antes da eleição. E essa base, formada pelos mais ricos (a massa de pobres entra na véspera da eleição) é cada vez mais a sustentação do governo, como mostra o DataFolha. O resto vai saltando fora.

O que diz a Folha. “Com a avaliação quase inalterada na base da pirâmide econômica, a maior mudança na percepção do governo Bolsonaro ocorreu nas elites. Em comparação com a pesquisa anterior, os que ganham de cinco a dez salários mínimos expressaram uma visão mais crítica, enquanto os que têm renda acima desta marca ampliaram a aprovação. No primeiro time, os que taxam a gestão como ótima ou boa recuaram de 43% para 37%. No segundo, saltaram de 41% para 52%”.

Algumas conclusões. Quanto mais rico, mais bem formado e pretensamente mais bem informado, mais fascista. É a realidade brasileira. Aqueles brancos de mais de 50 anos, com óculos escuros e camiseta da Seleção, que aparecem nas manifestações na Avenida Paulista, são a base de Bolsonaro.

A classe média mais média, com renda entre cinco e 10 salários, vai abandonando o bolsonarismo, é o que diz o DataFolha. O fascismo assume suas feições definitivas no Brasil. Os ricos têm a cara de Bolsonaro e Sergio Moro.

Quanto mais desemprego, mais desencanto, mais recessão, mais autoritarismo, mais matança de negros e índios, mais desmatamento, mais repressão e mais casos envolvendo os Bolsonaros e as milícias, mais os ricos apoiam Bolsonaro. É com essa turma que Moro se agarra.

Fernando Henrique, Serra, Aécio e Alckmin foram apenas figuras de transição do centro para a direita. O rico brasileiro chegou à extrema direita e ali se acomodou. O processo de fascistização foi completado.

A FARSA E AS IGNORÂNCIAS

Uma pergunta que inquieta mais da metade do Brasil e que reaparece hoje numa boa análise de diretores do DataFolha: como Bolsonaro foi eleito, se a maioria dos brasileiros discorda do que seria a sua plataforma básica de ações de governo?

Os brasileiros, como ucranianos, italianos, tunisianos, búlgaros e 99% da população mundial, querem mais segurança, saúde e trabalho. Mas os brasileiros são contra o armamento, a escola sem partido, as privatizações, o fim das leis trabalhistas, a aproximação seletiva com os Estados Unidos, a redução das terras indígenas.

Na análise das pesquisas, por Mauro Paulino e Alessandro Janoni, aparece um dado que pode ser esclarecedor: os que detêm as maiores rendas, a classe média abastada e os ricos, são em absoluta maioria os que mais se engajam às teses bolsonaristas.

Os ricos adoram Bolsonaro. A conclusão mais óbvia é esta: a classe média que era tucana puxou a arrancada pró-Bolsonaro, reforçando o que seria o bolsonarismo de raiz (armamentistas, moralistas, reacionários em geral, antiPT, antiLula, religiosos, gente que vê Jesus na goiabeira) e levou o povo junto.

Eu gosto de respostas semelhantes à dada por Flavio Koutzii na entrevista ao Sul21. É isso o que ele diz quando fala do eleitor de Bolsonaro, de uma forma direta:

“Eles não fizeram por mal. Fizeram por estúpidos, muitos. Mas fizeram com uma convicção sincera, embora convicção composta de elementos inquietantemente regressivos para ser discreto e elegante”.

As análises do DataFolha também põem os pesquisados em caixas, não só por classe, mas por grau de adesão às teses bolsonaristas.

E aí vai ficando mais evidente essa constatação dolorosa. As pessoas não sabiam em quem estavam votando. Sabiam que era um antiPT, um antissistema (como farsa), um anti-tudo-isso-daí. Mas na verdade não queriam o que ele defende, quando cada questão é especificada.

Bolsonaro (que manteve um teto de 18% nas pesquisas durante quase toda a véspera do primeiro turno) foi eleito na reta final pela corrida dos ‘indecisos’ desinformados, pelos tucanos desorientados, pelos incapazes de avaliar o que ele representava.

A facada, a desinformação e as ignorâncias ajudaram Bolsonaro a prosperar, ou o ataque em massa das fakenews comandadas pelo filho do homem não teria resultado.

Se as pessoas acreditaram em mentiras e votaram em Bolsonaro, está dada a resposta. Elas estavam vulneráveis. A direita descobriu essa vulnerabilidade há muito tempo no mundo todo.

Mas as esquerdas não gostam de falar disso, de como a maioria está alheia ao que se passa ao redor, porque é politicamente incorreto. Ah, esse eleitor ajudou a eleger Lula e poderia também eleger Haddad. Poderia, mas não elegeu.

Uma hora as esquerdas terão de enfrentar essa realidade, ampliada pela omissão das próprias esquerdas e o descaso com a comunicação. As esquerdas entregaram a classe média e o povo à direita.

O filho de Bolsonaro já fala na criação de uma TV bolsonarista. A CNN vem aí com um projeto à direita da Globo.

Sentiremos saudade do poder de alienação da Globo, que preparou o eleitor para a recepção, pelos meios virtuais, das mentiras e da difamação disseminadas pelo bolsonarismo.

Um esperto tático de esquerda, com a cabeça na batalha e não na guerra, vai dizer: mas TV hoje não é o canal, o canal é o Twitter, ou Instagram, o youtube, o Whats.
Então tá.

OS FOFOS E O PT

O jornalista fofo é um torcedor que não pode torcer publicamente por quem orienta sua conduta. Ele apenas pode torcer contra alguém ou alguma coisa.

O fofo tem um time para chamar de seu (já foi o time do Aécio), mas se constrange de dizer para quem torce. O grito de guerra do fofo é um grito abafado pela censura da própria consciência.

Então, resta a ele ser um torcedor contra, como anti-PT que é, anti-Lula, antiesquerdas. O jornalista fofo que embarcou no golpe é um ser atormentado pela própria opção.

Ele não pode dizer que está com Alexandre Frota, Lobão, Janaína Paschoal, Bolsonaro, Zezé di Camargo. Muito menos com Lobão, Regina Duarte, Ronaldo Nazário, Suzana Vieira. Mas sabe que essa é a sua turma.

E uma das coisas mais batidas pelo jornalista fofo, como torcedor do contra, é o fim do PT. O fofo viva repetindo que o PT acabou. Pois o DataFolha divulga hoje que 20% dos eleitores entrevistados pelo instituto têm simpatia pelo partido. Os outros partidos têm quase nada.

Antes da prisão de Lula, a simpatia pelo PT era de 19%. Os partidos da turma dos jornalistas fofos estão muito mal. O PMDB tem 4% e o PSDB tem 3%.

Mas o jornalista fofo continuará dizendo que o PT chegou ao fim. O fofo acredita até na interpretação do DataFolha para o crescimento da simpatia pelo PT. Segundo o instituto, isso aconteceu como “reflexo da impopularidade do governo Michel Temer”.

Entenderam? O PT teria conquistado mais adesões porque o jaburu é impopular.

O jornalista fofo vai repetir a explicação, fazendo cara de sério. Porque o fofo é aquele que repete quase todos os dias: “Eu concordo com o Merval”.

POR QUE LULA ESTÁ PRESO

O povo sabe que Lula é um preso político. Tanto que, mesmo preso, Lula seria eleito por goleada.
A chamada da Folha é calhorda, com a conversa de que a prisão ‘enfraquece’ Lula. Mesmo ‘fraco”, Lula seria eleito sem muito esforço contra todos os candidatos e contra o Supremo e tudo?
Imagine se estivesse forte. A pesquisa reafirma que Lula deve continuar preso, ou volta ao poder.

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/04/prisao-enfraquece-lula-e-poe-marina-perto-de-bolsonaro-diz-datafolha.shtml

Lula dá goleada

Pesquisa DataFolha quentinha. Lula aumenta sua liderança para 2018. E o candidato da direita continua sendo Bolsonaro.
Lula ganha em todos os cenários de segundo turno. Ele ampliou em quatro pontos percentuais sua vantagem, em relação à pesquisa feita no fim de setembro, no confronto com Alckmin (52% a 30%), Marina (48% a 35%) e Bolsonaro (51% a 33%). É um vareio.
Henrique Meirelles, o candidato da Globo, é o grande fiasco da pesquisa com apenas 1% em uma simulação e 2% em outra, representados pelos votos dos Marinho, do William Waack, da Miriam Leitão, do Alexandre Garcia, do Merval e de outros agregados.
Mas a Globo acha que Meirelles, o sujeito do crescimento do PIB de 0,001%, é um baita candidato.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/12/1940171-lula-lidera-e-bolsonaro-se-consolida-em-2-aponta-datafolha.shtml