A FARSA E AS IGNORÂNCIAS

Uma pergunta que inquieta mais da metade do Brasil e que reaparece hoje numa boa análise de diretores do DataFolha: como Bolsonaro foi eleito, se a maioria dos brasileiros discorda do que seria a sua plataforma básica de ações de governo?

Os brasileiros, como ucranianos, italianos, tunisianos, búlgaros e 99% da população mundial, querem mais segurança, saúde e trabalho. Mas os brasileiros são contra o armamento, a escola sem partido, as privatizações, o fim das leis trabalhistas, a aproximação seletiva com os Estados Unidos, a redução das terras indígenas.

Na análise das pesquisas, por Mauro Paulino e Alessandro Janoni, aparece um dado que pode ser esclarecedor: os que detêm as maiores rendas, a classe média abastada e os ricos, são em absoluta maioria os que mais se engajam às teses bolsonaristas.

Os ricos adoram Bolsonaro. A conclusão mais óbvia é esta: a classe média que era tucana puxou a arrancada pró-Bolsonaro, reforçando o que seria o bolsonarismo de raiz (armamentistas, moralistas, reacionários em geral, antiPT, antiLula, religiosos, gente que vê Jesus na goiabeira) e levou o povo junto.

Eu gosto de respostas semelhantes à dada por Flavio Koutzii na entrevista ao Sul21. É isso o que ele diz quando fala do eleitor de Bolsonaro, de uma forma direta:

“Eles não fizeram por mal. Fizeram por estúpidos, muitos. Mas fizeram com uma convicção sincera, embora convicção composta de elementos inquietantemente regressivos para ser discreto e elegante”.

As análises do DataFolha também põem os pesquisados em caixas, não só por classe, mas por grau de adesão às teses bolsonaristas.

E aí vai ficando mais evidente essa constatação dolorosa. As pessoas não sabiam em quem estavam votando. Sabiam que era um antiPT, um antissistema (como farsa), um anti-tudo-isso-daí. Mas na verdade não queriam o que ele defende, quando cada questão é especificada.

Bolsonaro (que manteve um teto de 18% nas pesquisas durante quase toda a véspera do primeiro turno) foi eleito na reta final pela corrida dos ‘indecisos’ desinformados, pelos tucanos desorientados, pelos incapazes de avaliar o que ele representava.

A facada, a desinformação e as ignorâncias ajudaram Bolsonaro a prosperar, ou o ataque em massa das fakenews comandadas pelo filho do homem não teria resultado.

Se as pessoas acreditaram em mentiras e votaram em Bolsonaro, está dada a resposta. Elas estavam vulneráveis. A direita descobriu essa vulnerabilidade há muito tempo no mundo todo.

Mas as esquerdas não gostam de falar disso, de como a maioria está alheia ao que se passa ao redor, porque é politicamente incorreto. Ah, esse eleitor ajudou a eleger Lula e poderia também eleger Haddad. Poderia, mas não elegeu.

Uma hora as esquerdas terão de enfrentar essa realidade, ampliada pela omissão das próprias esquerdas e o descaso com a comunicação. As esquerdas entregaram a classe média e o povo à direita.

O filho de Bolsonaro já fala na criação de uma TV bolsonarista. A CNN vem aí com um projeto à direita da Globo.

Sentiremos saudade do poder de alienação da Globo, que preparou o eleitor para a recepção, pelos meios virtuais, das mentiras e da difamação disseminadas pelo bolsonarismo.

Um esperto tático de esquerda, com a cabeça na batalha e não na guerra, vai dizer: mas TV hoje não é o canal, o canal é o Twitter, ou Instagram, o youtube, o Whats.
Então tá.

OS FOFOS E O PT

O jornalista fofo é um torcedor que não pode torcer publicamente por quem orienta sua conduta. Ele apenas pode torcer contra alguém ou alguma coisa.

O fofo tem um time para chamar de seu (já foi o time do Aécio), mas se constrange de dizer para quem torce. O grito de guerra do fofo é um grito abafado pela censura da própria consciência.

Então, resta a ele ser um torcedor contra, como anti-PT que é, anti-Lula, antiesquerdas. O jornalista fofo que embarcou no golpe é um ser atormentado pela própria opção.

Ele não pode dizer que está com Alexandre Frota, Lobão, Janaína Paschoal, Bolsonaro, Zezé di Camargo. Muito menos com Lobão, Regina Duarte, Ronaldo Nazário, Suzana Vieira. Mas sabe que essa é a sua turma.

E uma das coisas mais batidas pelo jornalista fofo, como torcedor do contra, é o fim do PT. O fofo viva repetindo que o PT acabou. Pois o DataFolha divulga hoje que 20% dos eleitores entrevistados pelo instituto têm simpatia pelo partido. Os outros partidos têm quase nada.

Antes da prisão de Lula, a simpatia pelo PT era de 19%. Os partidos da turma dos jornalistas fofos estão muito mal. O PMDB tem 4% e o PSDB tem 3%.

Mas o jornalista fofo continuará dizendo que o PT chegou ao fim. O fofo acredita até na interpretação do DataFolha para o crescimento da simpatia pelo PT. Segundo o instituto, isso aconteceu como “reflexo da impopularidade do governo Michel Temer”.

Entenderam? O PT teria conquistado mais adesões porque o jaburu é impopular.

O jornalista fofo vai repetir a explicação, fazendo cara de sério. Porque o fofo é aquele que repete quase todos os dias: “Eu concordo com o Merval”.

POR QUE LULA ESTÁ PRESO

O povo sabe que Lula é um preso político. Tanto que, mesmo preso, Lula seria eleito por goleada.
A chamada da Folha é calhorda, com a conversa de que a prisão ‘enfraquece’ Lula. Mesmo ‘fraco”, Lula seria eleito sem muito esforço contra todos os candidatos e contra o Supremo e tudo?
Imagine se estivesse forte. A pesquisa reafirma que Lula deve continuar preso, ou volta ao poder.

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/04/prisao-enfraquece-lula-e-poe-marina-perto-de-bolsonaro-diz-datafolha.shtml

Lula dá goleada

Pesquisa DataFolha quentinha. Lula aumenta sua liderança para 2018. E o candidato da direita continua sendo Bolsonaro.
Lula ganha em todos os cenários de segundo turno. Ele ampliou em quatro pontos percentuais sua vantagem, em relação à pesquisa feita no fim de setembro, no confronto com Alckmin (52% a 30%), Marina (48% a 35%) e Bolsonaro (51% a 33%). É um vareio.
Henrique Meirelles, o candidato da Globo, é o grande fiasco da pesquisa com apenas 1% em uma simulação e 2% em outra, representados pelos votos dos Marinho, do William Waack, da Miriam Leitão, do Alexandre Garcia, do Merval e de outros agregados.
Mas a Globo acha que Meirelles, o sujeito do crescimento do PIB de 0,001%, é um baita candidato.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/12/1940171-lula-lidera-e-bolsonaro-se-consolida-em-2-aponta-datafolha.shtml

Em busca da pureza perdida

É precária, quase simplória, a análise de Mauro Paulino, diretor do Data Folha, para o crescimento de Lula nas pesquisas.
A prinicpal conclusão dele, em texto hoje na Folha, é que a maioria do eleitor despreza a corrupção como fator importante para que o candidato seja rejeitado.
A outra conclusão. Lula seria corrupto, mas faz mais pelos pobres do que os outros candidatos.
Não passa pela cabeça do analista que o eleitor está dizendo algo muito mais óbvio do que suas conclusões moralistas.
O que o eleitor diz é que Lula está sendo perseguido porque é Lula (mas essa questão não está nas perguntas formuladas pelo DataFolha). E que, no contexto da política suja brasileira, Lula ainda é menos sujo do que os candidatos da direita impune do PSDB, do PMDB e demais partidos golpistas que derrubaram Dilma.
Mas o diretor do DataFolha talvez imagine que um eleitor puro devesse buscar um candidato com a pureza do Brasil. Talvez como Aécio, Marina, Bolsonaro ou Doria Junior. Ou até quem sabe com a pureza do juiz de Curitiba.
(A conclusão final do analista, em tom de sabedoria superior, é que no fim políticos e eleitores são hoje tudo a mesma coisa. A minha conclusão é que o crescimento de Lula perturbou muito mais o jornalismo do que os políticos da direita.)

Pesquisas

Estou vendo as pesquisas eleitorais no Jornal Nacional. Haddad estava na terceira divisão até o meio da semana em São Paulo. Agora, pode estar no segundo turno…
É ajuste urgente para não pagar mico amanhã?
Por isso meu nível de confiança nas pesquisas, pelos parâmetros do Datafolha, caiu para 0,3%, com margem de erro de 30 pontos percentuais para mais e de 40 pontos para menos.
As pesquisas e a democracia brasileira estão cada vez mais estranhas.

62% querem eleição. E daí?

A partir de hoje, cai no esquecimento a história da já famosa pesquisa que a Folha havia escondido sob o tapete.
Ninguém mais fala nisso, apenas os blogs sujos. O dado apurado pelo Datafolha, indicando que 62% dos eleitores pesquisados querem nova eleição, já está a caminho do ralo das notícias esquecidas.
E o jornalismo continuará fazendo o que sempre fez. Seguirá em frente, autônomo, independente, transparente, defendendo as instituições e a democracia.

A manipulação

A melhor análise sobre a manipulação de informações pela imprensa, no esforço pela manutenção do interino, está no texto dos jornalistas Glenn Greenwald e Erik Dau, do site intercept.

Eles jogam luzes nas sombras da já famosa pesquisa escondida pela Folha.

O americano Glenn Greenwald tem ajudado a divulgar no Exterior a farsa do golpe no Brasil e por isso é visto com desconfiança pelo jornalismo embarcado.

O texto mostra que a prioridade do projeto conservador agora é tentar salvar Michel Temer de qualquer jeito, com boas notícias nos jornais e na TV, considerando-se que a opção tucana (a preferida), em eventual eleição, foi para o ralo.

Leia aqui:

https://theintercept.com/2016/07/20/folha-comete-fraude-jornalistica-com-pesquisa-manipulada-visando-alavancar-temer/

O que a Folha escondeu

É delicada a situação da Folha de S. Paulo, depois da controversa pesquisa do Datafolha, publicada na edição de domingo, sobre as eleições de 2018.

Este blog levantou, no mesmo domingo, suspeitas sobre os 50% que apoiariam a permanência de Temer, segundo a pesquisa.

Outros blogs (todos “sujos”, claro, segundo a imprensa dita “independente”) levaram outras suspeitas adiante. E agora ficamos sabendo que a Folha omitiu um dado devastador: o eleitor não quer saber de Michel Temer, os eleitores (62%) querem novas eleições.

Leia este trecho de reportagem do jornal El país, que anuncia a publicação do mea culpa pela Folha, corrigindo os “erros” da pesquisa de domingo.

Este é o texto do El Pais:

“Para 62% dos brasileiros, uma saída para a crise política seria a renúncia de Michel Temer e Dilma Rousseff para que fossem realizadas novas eleições.

O dado consta da pesquisa feita pelo instituto Datafolha em 14 e 15 de julho, mas não apareceu nas reportagens publicadas sobre o assunto e nem no relatório da pesquisa disponibilizado pelo instituto em seu site nesta terça-feira.

A existência desta e de uma outra pergunta, a respeito da percepção popular sobre os procedimentos do impeachment, foram reveladas pelo site Tijolaço e confirmado em reportagem publicada pela própria Folha, que traz link para a nova versão do documento.

O episódio aprofunda a controvérsia em torno do mais respeitado instituto do país, que vinha sendo questionado por ter apresentado dados de maneira imprecisa em um gráfico do jornal sobre os favoráveis a uma nova votação e por supostamente não ter repetido a pergunta sobre o hipotético pleito, como no levantamento de abril”.

Agora, a pergunta: por que a Folha escondeu o dado sobre a eleição e deu manchete para o falso apoio a Temer, a partir de uma pergunta formulada de forma enviesada? (Se o melhor seria Temer ou Dilma.). O melhor estava em outra resposta: para 62%, o melhor é que se realizem eleições já.

E agora?

Está aqui o relatório da pesquisa. É constrangedor:

http://media.folha.uol.com.br/datafolha/2016/07/20/av-presidente-michel-temer-completa.pdf

Lula ameaçador

Conclusões, algumas óbvias demais, sobre a pesquisa do DataFolha com os possíveis pretendentes às eleições de 2018.

1 – Lula continua forte e ameaçador e melhorou o desempenho em relação à Marina num primeiro turno.

2 – Aécio foi pulverizado pelas delações e passa a ser um tucano em extinção (apesar de uma estranha simulação em que, depois de performance ridícula num primeiro turno, estaria em empate técnico com Lula num segundo turno…). Aécio perdeu metade das intenções de voto que detinha até o final de 2015. E como encostaria em Lula?

3 – Alckmin e Serra também perderam força, mas teriam condições de enfrentar um segundo turno. Mas levam uma goleada de Marina, que vence todos, inclusive Lula.

Então:

Se Lula é o melhor candidato num primeiro turno (segundo turno é outra eleição), é preciso que o golpismo invista logo em ações pesadas para neutralizá-lo. Vem mais coisa por aí além da volta dos pedalinhos e do tríplex.

Nessa linha, é preciso turbinar as notícias boas sobre o governo do interino Michel (o que já vem sendo feito de forma avassaladora pela imprensa), porque uma eleição antecipada não interessa à direita.

É preciso cassar Dilma no Senado, ou Lula pode sobreviver.

Também é preciso convencer o povo de que o Brasil caminha para a redenção com o interino.

Teremos meses ou anos terríveis pela frente, se não cairmos antes no penhasco.