A professora e a juíza

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MARCELO CANELLAS

(Texto publicado no perfil de Marcelo Canellas no FaceBook. Canellas é repórter especial da TV Globo.)

Em julho de 2013, Margarida e José Robério Seabra de Moura me receberam no apartamento deles, em Natal. Eu e meu saudoso parceiro Luiz Quilião fomos à capital potiguar para entrevistar a filha do casal, Débora, a primeira professora brasileira com síndrome de Down.

A entrevista rendeu uma reportagem para o Fantástico. Eis que, quase 5 anos depois, a professora Débora é atacada pela desembargadora Marília Castro Neves, a mesma que espalhou notícias falsas na internet, difamando a vereadora Marielle Franco logo após o assassinato que estarreceu o país.

Em sua postagem sobre Débora, a desembargadora se pergunta: “o que será que essa professora ensina a quem?”. Débora não precisa que ninguém a defenda. Ela própria escreveu, de próprio punho, uma resposta que é também uma bela lição de civilidade, explicando a tal desembargadora que “ensina muitas coisas para as crianças.

A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito pelas outras e aceitem as diferenças”. Não tenho muito a acrescentar, além de deixar aqui meu beijo a Débora e a seus pais, reiterando que ela orgulha o Brasil.

Ao contrário de alguns quadros do judiciário brasileiro que são, a um só tempo, motivo de vergonha e parte da explicação para a injustiça que caracteriza tantas decisões judiciais pelo país afora.