É a várzea do golpe

Tasso Jereissati acusa o governo de ter aumentado a meta de déficit para poder gastar à vontade comprando aliados.
Padilha respondeu que não é bem assim, que o governo é austero. É a manchete dos jornais agora.
Teve um tempo em que os grandes debates envolviam gente do peso de um Ulysses e um Delfim Netto. Hoje, são entre o Padilha e o Jereissati.

A meta dos golpistas

Dilma enfrentou, no final de 2015, um déficit fiscal de R$ 115 bilhões. Quando foi golpeada, em maio do ano passado (por causa das pedaladas que seriam para enganar o déficit, segundo os golpistas), a previsão para 2016 era de um déficit de R$ 150 bilhões.
O jaburu-da-mala piorou a situação e fechou 2016 com um rombo de R$ 156 bilhões. O golpe teria vindo para moralizar as contas, mas aumentou o buraco ainda mais e prevê agora que a nova meta é de R$ 159 bilhões para este ano e a mesma cifra para 2018.
Isso significa o quê? Que o jaburu alarga a meta para poder gastar e gastar, mesmo que não tenha de onde tirar. Mesmo assim, ele e Meirelles comemoram os números da economia. Mas que números? Eles estão há um ano e três meses no poder.
O golpe quebrou o país, e os economistas da FGV falam todo dia na TV sobre a volta da confiança. E o povo? O povo está gastando a dinheirama do FGTS.

A Escolinha do Professor Meirelles

Hoje ouvi A Voz do Brasil no rádio do carro. O locutor anunciou que era a nova Voz e que por isso iriam entrevistar ao vivo o ministro da Fazenda. Passei a prestar atenção.

E lá se veio o ministro da Fazenda com sua voz de locutor a comparar de novo os gastos do governo com os gastos de uma família. Meirelles disse o que se repete como mantra entre gente do governo e jornalistas amigos dos homens do Palácio do Jaburu: que, assim como as pessoas, os governos devem cortar despesas e adequar o que gastam ao que recebem.

Sabe-se que não é assim. Que não há como comparar despesas domésticas com despesas e investimentos do setor público. Qualquer aluno de economia sabe que essa comparação é emburrecedora.

O setor público não é uma família, é a estrutura complexa que assegura serviços e investimentos e cumpre também a tarefa de orientar a economia em geral e ajudar a corrigir desequilíbrios sociais.

Déficits (claro que sem grandes descontroles, como o caso gaúcho) são da natureza dos governos em todo o mundo, ou as demandas básicas e as prioridades não seriam atendidas.

Poucos, e a Alemanha é o melhor exemplo hoje, não têm déficits. Então, essa conversa de governo-família só ajuda a confundir ainda mais os desinformados.

O tal ajuste da PEC 241, o garrote nos recursos da saúde e da educação, é uma opção de governo para assegurar o pagamento de juros aos rentistas que vivem da renda paga pelo governo. Não tem nada que possa ser comparável à racionalidade doméstica de uma família.

Se tivesse, seria como se pai e mãe cortassem educação e saúde dos filhos para assegurar o pagamento de ganhos às aplicações financeiras.

Perdi meu tempo como aluno involuntário da Escolinha do Professor Meirelles.