O DELATOR CONFORMADO

É esdrúxula a situação do delator Leo Pinheiro. A manchete da Folha informa hoje que o empreiteiro nega que tenha sido pressionado pelos procuradores a delatar Lula.

Mas quem deixou claro que Leo Pinheiro foi manobrado de todas as formas para que delatasse Lula sob pressão foi a própria turma de procuradores, nas mensagens vazadas e publicadas pelo Intercept e pela Folha.

Leo Pinheiro só virou delator depois que os procuradores o convenceram de que haveria negociação se o delatado fosse Lula. Está lá nas mensagens. É só saber ler.

Mas é claro que nenhum dos delatores grandões, incluindo o doleiro Alberto Youssef, vai contrariar os procuradores agora. Se contrariarem, perdem todas as mordomias.

Imagine que Youssef, contra quem não há mais nenhuma condenação e nenhuma pena a cumprir (porque foi bonzinho com a Lava-Jato e está livre e solto em Angra ao lado do Pedro Barusco), vai dizer que foi pressionado.

Nenhum dos que ficaram mais de ano preso, incluindo o empreiteiro Marcelo Odebrecht, cometerá a bobagem de dizer que foi obrigado a delatar Lula. Todos vivem uma vida boa, com os prêmios que receberam de Sergio Moro.

Mas o próprio Marcelo já disse que executivos da sua empresa fizeram delações sobre caixa dois para o PT, inventando operações que não existiram. Conseguiram livrar a cara e escapar da cadeia. Mas Marcelo nunca será manchete de jornal algum e nunca será ouvido de novo pela Lava-Jato.

Enquanto isso, outras perguntas continuam em aberto. A Lava-Jato, agora no poder, vai perseguir o jornalista Glenn Greenwald também porque é gay e casado com um deputado do PSOL?

Como está o grande plano de Sergio Moro de defesa do cigarro nacional? Quem vai finalmente esclarecer o que era afinal a fundação dos R$ 2,5 bilhões de Deltan Dallagnol com dinheiro da Petrobras?

Por que os procuradores eliminaram mensagens e até hoje não entregaram os celulares à Polícia Federal de Sergio Moro?

Algum delator pode contribuir, sem coação, para que essas perguntas tenham respostas?

Por onde anda o Queiroz?

Quem mandou o miliciano vizinho de Bolsonaro matar Marielle?

POR QUE MORO PROTEGE DELATORES?

Sergio Moro vem impedindo que órgãos federais e de controle de atividades, nas mais variadas áreas, usem provas obtidas pela Lava-Jato contra delatores.
É a nova notícia de mais uma controvérsia envolvendo o juiz simplório. Delatores e dirigentes de empresas que admitiram crimes estão blindados pelo juiz.
A Advocacia-Geral da União, a Controladoria-Geral da União, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Banco Central, a Receita Federal e o Tribunal de Contas da União querem ter acesso a essas provas obtidas por delação.
Estão tentando que os delatores e seus cúmplices sejam denunciados em outras áreas. Mas Moro decidiu que só ele toca nos processos.
O estranho é que Moro havia decidido, bem antes, liberar informações para outros órgãos. O esforço da Lava-Jato deveria ser compartilhado com todos os que combatem crimes.
Agora, voltou atrás. Por quê? Para, segundo a Lava-Jato, evitar a anulação de provas, por solicitação do Ministério Público. Com o pretexto de proteger provas, a Lava-Jato protege bandidos.
As provas dos mafiosos brasileiros só valem para Sergio Moro, não valem para nenhum outro órgão fiscalizador que queira pegá-los, por exemplo, por sonegação.
O famoso powerpoint de Dallagnol contra Lula vale para todo mundo. Mas as provas contra a máfia da direita não valem. São secretas.
Estranho. Muito estranho. O doleiro Youssef, o ladrão avulso Pedro Barusco e todos os outros delatores soltos estão bem protegidos.

A GLOBO ESTÁ FORA

A pergunta do dia é esta: por que a Polícia Federal aceitou levar adiante o acordo de delação de Palocci, antes esnobado pelo Ministério Público?
Uma resposta possível: Palocci não tinha, como o MP pensava, novas munições contra Lula e Dilma. Mas a PF não quer saber se ele tem pouco ou muito a dar para atingir os ex-presidentes.
Tem outra suspeita, a partir de uma informação que está solta hoje na coluna de Mônica Bergamo na Folha. Ao tentar primeiro o acordo com os procuradores, Palocci disparou contra Lula, contra os bancos e contra a área de comunicação (leia-se a Globo).
O MP não queria saber de bancos e Globo, mas de continuar atacando Lula. Com a PF, o acordo é outro. A colunista informa que, além de Lula e Dilma, sobraram apenas os bancos na delação. Esses seriam os alvos de Palocci. A Globo saiu da lista.
Alguém deve saber porque o sujeito recuou. Palocci pode ter descoberto que, se atirasse contra a Globo, nunca mais sairia da cadeia.

Um traste

Cumpriu-se o que qualquer desinformado sobre a Lava-Jato sabia. Palocci será esquecido pela turma de Curitiba, depois de ter prestado o serviço de acusar Lula.
A Lava-Jato não tem mais nenhum interesse na delação do sujeito que se apresenta hoje como se fosse um monge (peço desculpas aos monges) no meio de pilantras.
Palocci foi mais desastrado e imbecil até do que Eduardo Cunha, que ainda tem a proteção do jaburu, porque é preciso manter isso aí.
Palocci fez seu teatro e ninguém mais quer saber dele. Nunca foi grande coisa para a esquerda e agora é um traste abandonado pela direita.

A vocação e o destino de Palocci

Marcelo Odebrecht já contou 30 vezes a mesma história ao juiz Sergio Moro, sempre com versões diferentes. Palocci já contou duas vezes as mesmas histórias, também com versões variadas para cada detalhe. E sem provas.

Marcelo Odebrecht continua contando as mesmas histórias e continua preso, porque não consegue ajudar o juiz a montar as provas contra Lula e porque precisa aparecer sem parar no Jornal Nacional.

Palocci vai contar as mesmas histórias, com as mais variadas versões, sempre dizendo que ouviu dizer alguma coisa, e vai continuar preso. E sempre repetindo que era um coitado.

Ele teria sido manobrado pelas artimanhas de Lula e do pai e do filho Odebrecht. E o juiz, sentindo que as conversas não têm amarração, fará com ele o que faz com o empreiteiro. O que importa é ouvir e expor suas histórias à exaustão, apesar das contradições.

Mesmo como delator formal e juramentado, continuará preso, porque Palocci não é um Youssef.

Palocci ficou mal com as esquerdas, já está na galeria dos grandes traidores da política brasileira e continuará se esforçando para agradar os procuradores e o juiz, sempre com os mesmos causos e as mais diversas versões. E continuará na cadeia, para que se repita sem parar no Jornal Nacional.

Palocci finalmente descobriu qual é o seu papel no enredo da caçada a Lula. Ficará exposto permanentemente nos telejornais da Globo como o novo papagaio do seriado da Lava-Jato, o cara que pretendeu um dia ser amigo dos banqueiros e que também foi traído por eles e que se revelaria por inteiro em algum momento.

Todos esperavam que Eduardo Cunha fosse o grande traidor da Lava-Jato. Palocci apresentou-se antes. Muita gente dentro do PT que o conhecia já sabia que essa era a sua vocação. O traidor está apenas à espera da grande oportunidade.

A lei é para todos os vendedores de delação?

Até um ex-procurador da República está perto de ir para a cadeia, por negociar acordos de delação, mas ninguém vai se mexer para investigar o advogado amigo do juiz, padrinho de casamento do juiz e ex-sócio da mulher do juiz, denunciado publicamente por um mafioso por tentar negociar os mesmos acordos no mercado paralelo?
Que poder tão poderoso tem este advogado amigo do juiz? Há mesmo juízes intocáveis no Brasil? Esse juiz seria hoje mais poderoso do que Gilmar Mendes?

O jaburu-da-mala vai escapar?

Um procurador facilita a vida de um futuro delator, quando do encaminhamento do acordo que iria resultar na denúncia contra o jaburu.  Já sob suspeita do Ministério Público, deixa a função pública e, antes mesmo da delação, decide trabalhar como advogado do mafioso.

É grave o que aconteceu entre o ex-procurador Marcelo Miller e Joesley Batista. Mas é o suficiente para livrar a cara do jaburu-da-mala?

Vamos rememorar o que aconteceu. Feito o acordo, o delator entrega a gravação de uma conversa sua com o jaburu em que este pede que mantenha Eduardo Cunha calado. O delator ganha o benefício da delação e não é preso.

Também ficamos sabendo, por um vídeo, como uma mula a serviço do jaburu, o ex-deputado e seu assessor especial Rocha Loures, pega uma mala com R$ 500 mil de propina.

E o delator disso tudo fica livre. Esse benefício sempre foi questionado por juristas e gente do Ministério Público e da Justiça.

Um delator envolvido em rolo de bilhões, que denuncia o sujeito que está no poder (e mandou uma mula pegar a mala de Joesley), beneficia-se de um acordo que o deixa livre para viajar a Nova York e continuar solto para sempre.

Mas agora vem a grande questão: o que o país ganhará com a destruição do que foi delatado só porque um procurador facilitou a vida de Joesley, na preparação da delação e certamente de seus benefícios, e depois virou seu empregado?

O procurador forjou provas? Ajudou a forjar? Traficou influência para que Joesley ficasse livre depois da delação?

Joesley forçou o jaburu a dizer que deveria ajudar Cunha com uma mesada em dinheiro para mantê-lo calado? Joesley forçou o jaburu a mandar Rocha Loures buscar a mala com a propina de R$ 500 mil?

O jaburu que liderou o golpe é um ingênuo submetido às armadilhas de Joesley? O ex-procurador ajudou a montar estas armadilhas?

Por favor. No que o fato grave da relação do procurador com o delator desqualifica o que foi denunciado contra o jaburu-da-mala? O problema é que agora os formalismos jurídicos entram em cena para favorecer de novo um dos chefes da direita e do golpe.

A controversa e suspeita (use a palavra que quiser) Justiça brasileira não conseguirá tratar o caso na sua gravidade específica. Joesley e o ex-procurador serão punidos e pronto? Não.

O procurador será acusado de ter influenciado o Ministério Público na concessão do benefício que deixou o delator livre, e tudo o que aconteceu até aqui pode também ser desmontado. O jaburu vai escapar?

Quem são?

Multiplicam-se as especulações favoráveis ao jaburu-da-mala, com a possibilidade de anulação das delações e provas que envolvem Joesley. A imprensa põe de novo o jaburu no colo e começa a abandonar Janot.

Na última hora, a direita sempre consegue se safar. O Brasil não poderia mesmo ficar na dependência apenas das flechas de Janot.

E quem são os “agentes” do Supremo envolvidos no novo escândalo?

O enigma Palocci

Esta pode ser a semana de Palocci. Pelo que li de petistas, de direitistas, jornalistas, torcedores de tucanos e jaburus e outros palpiteiros, a direita teme muito mais uma eventual delação de Palocci do que o pessoal do PT.

Os jornalistas embarcados, que esperam mais uma delação devastadora, tentam vender a ideia de que o alvo de Palocci é Lula. É o que eles desejam. É uma torcida.

Mas a conclusão média é que Palocci não tem este perfil. Que um ex-Libelu não faria o que os pilantras delatores fizeram até agora, entregando a alma e as calças para a Lava-Jato, com histórias mirabolantes, para poder escapar da cadeia.

Mas a grande questão é: se Palocci não entregar Lula, mas sim o sistema financeiro, como se diz que pretende entregar, qual seria o interesse da Lava-Jato, se eles querem Lula e Dilma?

A Lava-Jato não quer saber de bancos, ou algum ingênuo imagina que, numa reviravolta, a turma de Curitiba vai sair a caçar banqueiros e tucanos? Por favor.

Só se Lula for o dono do banco.

O enigma Palocci

Jornalistas amigos de tucanos e jaburus continuam tentando induzir que Palocci pode oferecer mais do mesmo, na trilha do pai e do filho Odebrecht, e mirar em Lula numa delação.
Eu estou entre os que acham que Palocci mandou um recado a gente ainda fora das delações, incluindo bancos.
Mas quem na Lava-Jato em Curitiba quer saber disso? A Lava-Jato quer resolver logo, do jeito que der, o mico da rosácea quadrada com as bolinhas azuis do famoso PowerPoint.
Palocci vai ficar falando só com os carcereiros de Curitiba.