#DelataDeltan

Seja valente, Deltan Dallagnol. Seja um homem da lei-é-para-todos e desfrute dos mesmos benefícios oferecidos aos delatores de Curitiba. Delate, conte tudo.
Seja religioso e salve o que ainda pode ser salvo. Se for preciso, desenhe a delação em powerpoint.
Conte quem teve a ideia da fundação com os R$ 2,5 bilhões da Petrobras? Foi um juiz? Você foi apenas o laranja? Desabafe, não assuma tudo sozinho.
Conte tudo, abandone o Ministério Público e passe a viver como palestrante. Finalmente fique rico.
Uma plateia imensa o espera. Mentalize o sucesso mundial. Envie mensagens lindas para você mesmo. Elogie seu ego, acaricie seu orgulho de homem da fé e da lei. Mas delate. Não se encolha, Deltan Dallagnol.

RAQUEL & DELTAN

Raquel Dodge deixa a Procuradoria-Geral da República neste mês. Diga rápido: qual foi a sua contribuição para que a PGR limpasse um pouco a imagem de conivência com a direita e de omissão diante dos desmandos de seus subalternos na Lava-Jato?
Raquel é a chefe de Deltan Dallagnol, o procurador sem escrúpulos que pretendia ficar com os R$ 2,5 bilhões da Petrobras para criar uma fundação, além de enriquecer com palestras.
A última de Dallagnol é esta mensagem de 29 de janeiro de 2018, agora vazada, em que ele escreve para ele mesmo, como se fosse um enviado de Deus, refletindo sobre a possibilidade de ser candidato ao Senado:
“Tenho apenas 37 anos. A terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado. Apesar de em 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Álvaro Dias, se for para ser, será. Posso traçar plano focado em fazer mudanças e que pode acabar tendo como efeito manter essa porta aberta”.

Manuela D’Avila entregou o celular à Polícia Federal, para que passe por perícia. Tudo porque o hacker que invadiu os celulares dos lava-jatistas telefonou para Manuela para saber como poderia falar com o jornalista Glenn Greenwald.

Entregou por iniciativa própria, e não porque tenham pedido. E aí vem a pergunta aquela: e o celular de Deltan Dallagnol nunca será entregue?

E aí vem a resposta: não precisa mais. Hoje mesmo o UOL divulgou uma rase de Dallagnol em mensagem de 2015 sobre o que fazer com um réu que se nega a aderir ao esquema da delação.

A Lava-Jato não investigava nada, comia e bebia das delações. E Dallagnol, o procurador sem escrúpulos, diz então o que fazer. Essa é a frase, com os verbos no infinitivo: “Colocar ele de joelhos e oferecer a redenção”.

Alguém pode dizer que a Lava-Jato era uma masmorra medieval. Não era. Os réus eram postos de joelhos, mesmo que no sentido figurado, porque Dallagnol é religioso.

O procurador faz pregações com grande eloquência, no púlpito, nos cultos dos domingos de uma igreja Batista do Bacacheri, bairro de Curitiba.

Réus de procuradores religiosos ficam de cabeça baixa e de joelhos. E aí então obtêm a redenção. Dallagnol deve rezar antes, como bom beato, para que isso aconteça.

Dallagnol é bíblico, tem fé. Tanta fé que está certo de que vai escapar de punições no Conselho Nacional do Ministério Público e continuar fazendo palestras por muita grana.

Dallagnol acredita que irá sobreviver porque foi escolhido por Deus. Mas nem um exorcismo será capaz de salvá-lo.

Dallagnol poderia ser um delator a caminho da redenção. Mas a soberba o condena. O diabo ordenou e Dallagnol já está de joelhos.

O VAZADOR

Agora temos a prova do que todo mundo sabia e está no UOL. Este é o começo da notícia:
“Diálogos obtidos pelo site The Intercept Brasil e publicados hoje apontam que o coordenador da Operação Lava-Jato, Deltan Dallagnol, mentiu ao público ao negar que agentes públicos passavam informações de investigações à imprensa. Em chats no Telegram, procuradores admitem “vazamentos”, e Dallagnol aparece antecipando um passo de uma das operações a jornais”.
Numa das conversas, um procurador usa a expressão “vazamento seletivo”. Confirma-se o que Gilmar Mendes dizia.
A Lava-Jato era movida a delações e vazamentos e poderá ser finalmente desmontada pelo Supremo que concordava com tudo.
Dallagnol e sua turma viciaram os amigos da imprensa em vazamentos. Um dia alguém terá de contar como funcionava esse conluio.
Mas o procurador sem escrúpulos sabe que será abandonado pelos antigos cúmplices.
Dallagnol só tem hoje a proteção corporativa da sua chefe indecisa no Ministério Público. O resto saltou fora.

OS PROCURADORES FICARÃO QUIETOS?

É complicada a situação dos procuradores de Curitiba depois da carta aberta publicada ontem pelo jurista Eugênio Aragão. O texto não é apenas contundente. É devastador. É o mais destruidor de todos os textos já publicados sobre os desmandos da Lava-Jato.
Aragão tem autoridade para dizer o que disse. Foi procurador da República e ministro da Justiça no final do governo Dilma Rousseff, até o golpe de agosto de 2016.
A carta foi divulgada pelo site GNN e compartilhada depois pelos espaços progressistas, entre os quais o DCM, que também publica meus textos.
É uma carta aberta aos procuradores da força-tarefa da Lava-Jato em que Aragão, identificando-se como ex-colega dos comandados por Deltan Dallagnol (ou por Sergio Moro?), refere-se ao grupo como uma turma de nazistas.
“Onde vocês aprenderam a ser nazistas?”, pergunta Aragão, referindo-se às mensagens publicadas pelo UOL em que a turma debocha da dor de Lula com a perda de dona Marisa Letícia e do neto Arthur.
Podem dizer que os procuradores já foram chamados de fascistas e nazistas. Mas não por um ex-colega e de forma direta, sem volteios.
A carta (que publico na área de comentários) é destruidora porque não foi escrita por um palpiteiro. Aragão conhece o grupo e comenta no começo que os alertou sobre as barbaridades que cometiam.
Agora, vamos tentar imaginar o sentimento de alguém que, atuando como servidor público, com a missão de acionar a Justiça para que se faça justiça, fica diante de uma carta tão desqualificadora.
Do que mais poderão ser chamados os procuradores, depois de serem definidos como nazistas e horda de malfeitores? O que mais precisamos ler e ouvir a respeito dos desmandos da Lava-Jato, para que o país tenha finalmente a reparação do que foi feito em Curitiba durante cinco anos?
O texto de Aragão é expelido, tem o grito da oralidade dos desabafos incontroláveis. “Digo isso com o asco que sinto de vocês hoje”, escreve ele.
Tem gente dizendo que os procuradores irão à forra e que Aragão poderá ser processado pelo grupo. Mas seria processado só pelos que se consideram nazistas? Pelos que Aragão chamou de trogloditas arrogantes? Pelos que foram comparados a hienas?
Processariam também os milhares que compartilharam a carta do ex-procurador?
É terrível a situação da turma de Dallagnol. O próprio Dallagnol já foi abandonado pelos advogados que deveriam defendê-lo de algumas (são muitas) das acusações em processos que correm no Conselho Nacional do Ministério Público.
Os procuradores podem ter apoio institucional, mas sabem que toda a estrutura da direita, a partir da imprensa e dos partidos, abandona seus perdedores pelo caminho, como fizeram com quase todos os que participaram do golpe e perderam poder político.
As condenações da Lava-Jato, por erros grosseiros do chefe deles, o ex-juiz Sergio Moro, poderão ser anuladas. Como fica o grupo de Dallagnol e Moro? Vão fazer tudo de novo?
Os procuradores (uma moça pediu desculpas a Lula) terão de dizer alguma coisa. Sobre as ofensas a Lula, sobre Aragão, sobre a confusão em que se meteram, sobre as mensagens escabrosas.
Em Nuremberg, o argumento básico dos nazistas foi o de que cumpriam ordens. Mas quem dava ordens aos procuradores de Curitiba, Dallagnol ou Sergio Moro?
Se ficarem quietos, os procuradores terão assimilado tudo o que Aragão disse deles. E nada mais precisa ser dito.

O PALESTRANTE DESMASCARADO

Foi desmontada a farsa das palestras com fins filantrópicos de Deltan Dallagnol, o procurador sem escrúpulos.
A Folha e o Intercept fizeram um levantamento completo das atividades do palestrante desde 2015. Dallagnol arrecadou, desde o início da Lava-Jato, mais de R$ 1 milhão.
Só destinou uma parte a entidades nos primeiros eventos. Depois, se deu conta de que poderia ficar rico e passou a esconder da corregedoria do Ministério Público o que arrecadava.
Escondia até os nomes das empresas. E ficava com todo o dinheiro.
Dallagnol disse esses dias a jornalistas amigos, entre os quais Diogo Mainardi, o homem-mosca, que só dorme tomando remédio.
Imaginem quando tiver de dormir num beliche de concreto por causa dos conluios da Lava-Jato para encarcerar Lula.
Precisamos imaginar que um dia isso acontecerá, porque as leis são para todos, dizem eles, Dallagnol e Sergio Moro.
Acordei otimista hoje. Tão otimista que vou dar um viva para Emmanuel Macron.
Viva Emmanuel Macron. Viva a França. Viva a Amazônia.

DALLAGNOL DELIRAVA

Cada um com seus delírios e sua mania de grandeza. Deltan Dallagnol planejou a construção de um monumento grandioso que simbolizasse a Lava-Jato, numa praça de Curitiba.
Está em mensagens que a Folha divulga hoje. O procurador imaginava o seu monumento aos deuses justiceiros como um lugar que atrairia milhares de turistas do mundo todo.
Isso foi o que ele escreveu em maio de 2016, no pico de um surto como imperador, imaginando o que seria o seu Fórum de Cesar:
“Minha primeira ideia é esta: algo como dois pilares derrubados e um de pé, que deveriam sustentar uma base do país que está inclinada, derrubada. O pilar de pé simbolizando as instituições da justiça. Os dois derrubados simbolizando sistema político e sistema de justiça…”
Se fosse hoje, o pilar que cabe a Dallagnol estaria virado num caco.
O interessante é que Sergio Moro não gostou da ideia. Moro queria mesmo o cargo prometido por Bolsonaro, ou quem sabe uma estátua só pra ele.
Eu tenho uma ideia de monumento para a Lava-Jato. É simples, tem por toda parte em lojas de louças sanitárias e está de acordo com a obsessão bolsonarista.