O SILÊNCIO DE DALLAGNOL

Lula abordou ontem um tema constrangedor para o Ministério Público Federal e que até agora não tem uma explicação convincente, se é que isso será possível.
É a tal fundação que Lula chamou de Criança Esperança de Deltan Dallagnol. Alguém está satisfeito com as explicações dadas pelo procurador para a ideia de criação de uma fundação com R$ 2,5 bilhões de uma multa paga pela Petrobras?
Alguém teve acesso a essas explicações? Se teve, por favor me encaminhe. Porque imagino que ninguém sabe nada até agora sobre o que seria feito dessa dinheirama.
Dallagnol se reuniu esses dias com a procuradora-geral Raque Dodge, e a imprensa contou que eles trataram do assunto. Mas não há uma linha, uma só, sobre a tal fundação e o destino que seria dado ao dinheiro.
Ficar calado diante da ideia abortada não significa que todos estejam satisfeitos com o desfecho do caso, até porque não se sabe se esse é mesmo o desfecho. Quem vai explicar, em nome da transparência, o que Dallagnol pretendia com a fundação?
Combater a corrupção? Profissionais das mais variadas áreas se dedicam ao combate à corrupção, na maioria das vezes sem nenhum apoio, apenas com a disposição e a coragem. Por que Dallagnol precisaria de tanto dinheiro da corrupção para combater a corrupção?
Qual era participação de Sergio Moro, como chefe da Lava-Jato, nessa história, já que ela era o juiz todo poderoso, ou ele não sabia de nada? O juiz nunca foi avisado sobre a fundação?
Deltan Dallagnol está quieto e encolhido, mas em algum momento terá de falar. É uma pauta que os jornais engavetaram. Que desengavetem, ou Dallagnol tem poderes que desconhecemos?

Parou por quê?

Deltan Dallagnol desistiu da fundação de R$ 2,5 bilhões da Lava-Jato porque sabe que seria investigado.
Mas eu ainda acho que, mesmo com a desistência e com a decisão do Supremo de suspender o esquema, ele e seus parceiros devem se submeter a uma investigação. Inclusive, e se for comprovado que há delito, com uso do recurso da delação.
Dallagnol tem imunidade assegurada? Por quem? Todos temos o direito de saber o tamanho do rolo que estava sendo armado.
Ações de combate à corrupção não precisam de organizações bilionárias com dinheiro de uma estatal. Precisam de procuradores republicanos.
Procurador não pode ficar pensando em dinheiro.

Murchou

Deltan Dallagnol ditando lições de combate à corrupção no Jornal Nacional. Mas a voz parece menos assertiva.
Gilmar Mendes abalou a confiança do moço que pretendia se apropriar, com uma fundação tipo Organizações Tabajara, de R$ 2,5 bilhões da Petrobras.
Está ruim a cara de Dellagnol. Está bem murcha, sem brilho. Mas ele é muito religioso. Com fé, ainda pode tentar outro tipo de empreendimento mais modesto.

GILMAR MENDES E OS INFELIZES

Eu já torcia pela Globo, andava torcendo pelo Estadão e pelos generais e agora passo a torcer pelo Gilmar Mendes, depois dessas definições para os procuradores da Lava-Jato:
“Cretinos, infelizes, reles e desqualificados”.
Por quê? Porque não entendem nada de processos, tramaram acordos de delação, vazaram informações da Lava-Jato e ameaçaram juízes do Supremo.
Gilmar Mendes também atacou a tentativa de criação da Fundação Organizações Tabajara da Lava-Jato, o escândalo dos R$ 2,5 bilhões da Petrobras idealizado por Deltan Dallagnol.
“Sabe-se lá o que poderiam estar fazendo com esse dinheiro”, disse o ministro. É isso mesmo, sabe-se lá o que planejavam. Dizem que seria um fundo para a campanha de Sergio Moro à presidência em 2022, mas aí a acusação é muito grave.
Se procuradores identificados com a esquerda (como esses são com a direita) propusessem essa imoralidade, já estariam afastados compulsoriamente dos cargos.
Hoje, estou satisfeito com o que Gilmar Mendes disse a respeito dos espertalhões da Lava-Jato loucos por dinheiro grosso.
Só falta agora eu começar a torcer pela Record e pela Bandeirantes.

A desistência de Dallagnol

Deltan Dallagnol que procure outro jeito de conseguir dinheiro para a sua Fundação Organizações Tabajara.
Chega de espertezas. A Petrobras ainda é uma empresa sob controle da União, é do povo. Qualquer acordo deve favorecer o povo, e não o grupo da Lava-Jato de Sergio Moro e Dallagnol.
Essa fundação, agora suspensa, poderia até ser tecnicamente sustentável, mas é uma ideia imunda, imoral.
Dallagnol recuou porque sentiu que não levaria os R$ 2,5 bilhões numa boa. Que não tente de novo.
Um membro do Ministério Público não pode pensar tanto em dinheiro, nem achar que pode se apropriar dessa fortuna como se tivesse ganho 50 vezes na Mega Sena.

DALLAGNOL, O ATRASADO

Imaginem daqui a 20 anos Sergio Moro e Deltan Dallagnol fazendo discursos e emitindo notas pelo Twitter sobre os corruptos do PSL e do bolsonarismo. Mas daqui a duas décadas.

Dallagnol agora larga notas sobre Paulo Preto, o operador da quadrilha que roubava para os tucanos.

Preto, denunciado como laranja de José Serra há décadas, o homem dos R$ 130 milhões em contas na Suíça, agora é considerado perigoso por Dallagnol.

Mas só agora? Só depois que as autoridades suíças disseram como Preto operava é que o procurador da Lava-Jato se deu conta de que o sujeito é o perigoso laranja de Serra e do alto tucanato?

Por que Dallagnol levou tanto tempo para emitir notas sobre Paulo Preto, se há décadas o mafioso é investigado por corrupção?

O que levou Dallagnol a se manifestar sobre os roubos de Paulo Preto, se o laranja, Serra e seus comparsas estão a caminho do benefício da prescrição, que só beneficia tucanos?

Seria porque Preto agora é assunto da Lava-Jato? Mas Dallagnol tem opinião sobre tudo, sempre teve.

Então, não se surpreendam se daqui a muitos anos os indignados calados de hoje vierem a se manifestar sobre as falcatruas dos amigos dos milicianos do Rio das Pedras.

Que Dallagnol converse com os seus colegas procuradores estaduais do Rio sobre as investigações em torno da conexão dos milicianos com a política da extrema direita de uma certa família.

Que expresse apoio aos seus colegas dedicados ao enfrentamento de milicianos mais ameaçadores e perigosos do que Paulo Preto.

Que Dallagnol faça suas anotações (ele opina sobre quase tudo) na hora certa e não fique à espera de subsídios da Suíça para atacar tardiamente a direita corrupta.

ESCOLHAS

A cada fala de Sergio Moro como futuro ministro, há quem pense que o escolhido deveria ter sido outro, que o cara mesmo é Deltan Dallagnol.
Dallagnol fala com mais segurança e não revira os olhos. E ainda faz aqueles desenhos com bolinhas azuis em powerpoint.
Dallagnol é mais completo e ainda tem uma voz potente.
O livro do Dallagnol é muito melhor do que o filme do Sergio Moro. E Dallagnol não diria nunca que não irá perseguir inimigos políticos e que não irá mentir. Dallagnol não raciocina pela negação.
As mulheres bolsonaristas dizem que Dallagnol é mais jovem e mais bonito. E Dallagnol é mais religioso, faz jejum, teme Deus e respeita o diabo.
Ainda dá tempo de trocar. Sergio Moro iria para o Ministério da Família, no lugar de Magno Malta. A Lava-Jato cuidou muito bem da família dos delatores, todos em liberdade, com direitos assegurados, boas poupanças e sem tornozeleiras.
E Magno Malta poderia ser, num governo parlamentarista (tudo pode acontecer), o nosso primeiro-ministro.
E Bolsonaro? Bolsonaro continuaria com o programa de TV que faz em casa para que depois seja retransmitido pela Globo.
A Globo virou retransmissora da TV caseira do Bolsonaro, inclusive dos flagrantes do homem sacando dinheiro em caixa eletrônico.
Na Era Havan, a Globo conseguiu o que queria. Virou uma Record.

Só agora?

Todos nós e a torcida do Flamengo pedimos punição aos tucanos impunes há décadas.
Deltan Dallagnol só decidiu pedir agora.
O procurador da Lava-Jato escreveu: “Na minha impressão, nada justifica que o senador Aécio Neves (PSDB) esteja demorando tanto para ser julgado pelo Superior Tribunal Federal”.
Gostei do detalhe do “na minha impressão”, o que tenta dar um tom de gravidade a uma bobagem.
Aécio é corrupto impune, protegido por todos e pelo Supremo, desde sempre. 
Por que Dallagnol descobriu isso agora? Porque Aécio nem tucano é mais, é uma galinha morta.
Qualquer um bate em Aécio. Até Dallagnol.

AS MAÇÃS E O RABANETE

Recebi esta foto de um amigo, com a observação de que é a imagem principal do perfil de alguém no FaceBook. Ele me perguntou: de quem tu achas que pode ser?
Eu respondi que, por ser algo simplório e batido, deveria ser coisa de criança ou de adolescente, ou de alguém sem imaginação.
Ele me disse de quem era e eu fui lá conferir. É da página de Deltan Dallagnol, o procurador da famosa rosácea do powerpoint, que só consegue passar mensagens com figuras infantis. Aguardem alguma coisa com rabanete.
(Na resposta que dei ao amigo, acabei ofendendo as crianças e os adolescentes. Peço desculpas.)

O beato de Curitiba

Encerro meu domingo nas redes sociais com um comentário que recebi do seu Mércio pelo WhatsApp.
Seu Mércio me informa que Dallagnol, o procurador religioso, fez jejum hoje para que o Supremo faça a coisa certa dia 4, “o Dia D contra a corrupção”, segundo ele. Nem precisa traduzir: Dallagnol fez jejum e rezou para que Lula seja preso.
Seu Mércio ficou sabendo que o sujeito ficou sem comer pelas informações dele publicadas no Twitter.
Dallagnol, sempre tão racional, correu o risco de entrar em transe pelo jejum. Poderia ter visões de powerpoints gigantes com bolinhas azuis e tucanos dentro das bolinhas.
Mas logo o beato de Curitiba suspendeu o jejum e comeu frugalmente salmão com saladas verdes e vermelhas.
Segundo seu Mércio, é a primeira vez na literatura da Justiça que uma autoridade informa na sua página em rede social que faz jejum para que alguém seja preso. Dallagnol é um religioso exemplar.