É nóis


É errado dizer que ainda faltam 25 dias para a festa do Oscar. Até a extrema direita em vertigem sabe, e como sabe, que não falta nada.
A festa já começou. Hoje a festa é nossa. Amanhã também. Até o dia 9 de fevereiro.
Nóis vai pra Hollywood com o Leonardo DiCaprio. Eles vão pra OCDE com a Regina Duarte.

O Oscar faz a direita chorar

A direita acusou o golpe com a indicação de Democracia em Vertigem para concorrer ao Oscar. Não é um documentário dos grandes, sob o ponto de vista de quem entende ou pensa que entende de cinema.

Mas é um filme com uma pegada política que surpreende o reacionarismo brasileiro, tão dono de si desde o golpe contra Dilma. É um filme para incomodar a direita, mais do que para agradar a esquerda. É um documentário contra os golpistas.

Por isso a direita se impressionou tanto. A direita que virou extrema direita é muito impressionável. Eles achavam que Hollywood não seria capaz de acolher um filme com essa coragem. Pois acolheu e irá expor para o mundo a cara repulsiva do golpe.

Democracia em Vertigem é uma bofetada (sim, às vezes tem que ser como uma bofetada) na cara de falcatruas como aqueles que fizeram o filme sobre Sergio Moro e aquela série sobre os mecanismos do lavajatismo. Confessem que vocês, da direita, achavam que aquilo ganharia algum prêmio.

A direita que chora vendo o filme dos papas, que revela um papa e esconde o outro, chocou-se com a notícia do documentário no Oscar porque achava que o cinema seria incapaz de se mostrar como arte de resistência depois de agosto de 2016.

Democracia em Vertigem é um documento maravilhosamente panfletário, que informa e emociona, como deve ser um filme decidido a brigar pelas liberdades.

A direita está esbaforida, quando deveria tentar ser mais contida e se comportar numa hora dessas. Quanto mais a direita acusa o golpe e diz odiar o filme, mais o documentário cumpre sua missão, a de incomodar os canalhas e tirá-los do aparente conforto sob a asa azeda do bolsonarismo.

Peçam que José Padilha faça um filme de Oscar para vocês. Mas antes chorem, canalhas. Chorem muito.

Petra Costa nem precisa ganhar o Oscar, porque até isso, em apenas um dia de festa, parece que deixou de ser importante.

O verdadeiro Oscar é o tormento dos golpistas e dos bolsonaristas disfarçados. O efeito devastador da indicação é o que basta.

Chorem, seus ex-tucanos transformados em bolsonaristas fofos simpatizantes de chefes de milicianos. Despedacem-se. Joguem-se do Viaduto da Borges. Rasguem-se, pilantras sem escrúpulos.

Sejam ridículos. Façam um documentário sobre essa dor. Mais da metade do Brasil está se divertindo com o sofrimento de vocês.

O bolsonarismo na noite do Oscar

Os bolsonaristas estão desatinados. Ontem, a Unicamp propôs o machismo como tema da redação do vestibular.
Hoje, a notícia é que Hollywood incluiu o golpe no Oscar deste ano, com a escolha de Democracia em Vertigem, de Petra Costa, para concorrer a melhor documentário.
Teremos golpistas expostos para o mundo todo na noite do Oscar.
O bolsonarismo chegou a Hollywood, e não foi pelas mãos de José Padilha.
Como diz minha amiga jornalista Aline Rochedo, Leonardo DiCaprio poderia apresentar na cerimônia os indicados a melhor documentário.
E mais Greta Thunberg no tapete vermelho. E Jonathan Pryce, o Francisco de Dois Papas, ganhando o prêmio de melhor ator.
Bolsonaro pode ser derrubado pelo Oscar.