Aécio morto, Dilma viva

Aécio Neves foi quem liderou, desde o começo, a articulação do golpe contra Dilma. Primeiro, tentou anular o resultado da eleição e depois passou a montar a estratégia que teria Eduardo Cunha apenas como operador.
Pois Aécio está morto. E Dilma pode, se quiser, ser eleita senadora por Minas, a terra dela e do golpista-chefe. A primeira vítima do primeiro time do golpe foi aquela que Romero Jucá anunciou, com o Supremo e com tudo.
Aécio foi comido. Faltam os outros. Mas quem vai querer comer agora um tucano de carne dura como Serra? O bom seria comer Alckmin de sobremesa, com pena e tudo. Mas esse é o último moicano do PSDB. A Lava-Jato não vai deixar.

LULA E DILMA

Não há uma sacola, uma bolsa, uma pochete com dinheiro nas tramas montadas para enquadrar Lula e Dilma. Nunca acharam malas, nunca grampearam telefonemas sobre negociações com propinas e nunca localizaram dinheiro no Exterior.

Nunca um delator disse em detalhes que participou de jantares, com Lula ou com Dilma, para acertar propinas. Nunca Lula ou Dilma ameaçaram matar parentes usados como mulas para buscar malas de dinheiro.

Não há um registro de conversas em que Lula ou Dilma tenham dito a um empreiteiro mafioso que o mafioso deveria manter um cúmplice em silêncio com mesadas.

Nunca uma autoridade Suíça encaminhou informações ao Brasil sobre contas secretas de Lula ou Dilma. Nenhum militante ou tesoureiro do PT (e vários foram presos) foi pego com malas com R$ 51 milhões num apartamento.

Tentaram achar a Fiat Elba de Dilma. Não encontraram nada. Ficaram admirando sua bicicleta, em busca de algum vestígio comprometedor. Nada. Quantos devem ter tentado plantar contas de Lula e Dilma no Exterior, sem sucesso.

Não há contra Lula e Dilma nenhum indício de nada que envolva dinheiro. Nada. Há a conversa fiada de Joesley Batista de que movimentava uma conta na Suíça em nome dos dois, como se cuidasse da poupança de incapazes.

É a fantasia de um delator sem provas, para que se diga que há pelo menos algo envolvendo dinheiro contra os dois. Não há dinheiro nos casos de Lula e Dilma. Não há nada contra Dilma.

Contra Lula, há as histórias do tríplex e do sítio de Atibaia. Com os R$ 10 milhões que ganharam de Marcelo Odebrecht, no famoso jantar de maio de 2014 no Palácio do Jaburu, o jaburu-da-mala e Padilha, beneficiados pela propina, segundo o próprio Marcelo, poderiam comprar 10 apartamentos tríplex e 10 sítios. E receberiam troco.

Esse é o drama do serviço incompleto dos golpistas e da Lava-Jato. Eles nunca conseguiram chegar a nada envolvendo dinheiro contra Lula e Dilma. Se existisse, eles encontrariam.

Como encontraram, inclusive fora da Lava-Jato, com Serra, com Aécio e com o jaburu. Malas aqui e contas na Suíça (só localizadas porque foram denunciadas pelos próprios suíços).

Todos os donos das contas, das malas e das mulas estão imunes e impunes. Mas Dilma foi condenada politicamente a perder o mandato, sem ter cometido nenhum crime, e Lula está sob a ameça de ser preso por causa do tríplex.

O Brasil da direita impune desmoralizou uma máxima do mundo do crime, segundo a qual os criminosos são localizados, identificados e denunciados pelos rastros do dinheiro. Sigam o caminho do dinheiro, dizem os investigadores.

Aqui, as provas dos rastros do dinheiro, das malas e das mulas não servem pra nada.

Golpistas são os outros

Está na capa do Valor Econômico desde cedo, mas os outros jornais nem deram bola, porque não interessa. É a frase de Rodrigo Maia sobre a suspeita de parte do PMDB de que ele continua conspirando para tomar o lugar do jaburu-da-mala.
Esta é a manchete do Valor:
Rodrigo Maia: “Não fiz com eles o que fizeram com a Dilma”.
Só que Maia também foi um dos golpistas mais atuantes contra Dilma. E declarou em seu voto pela abertura do processo de impeachment que estava se vingando de tudo que o PT fez contra seu pai, Cesar Maia.
Mas é interessante saber que Maia considera os outros golpistas. E os outros são os seus parceiros da turma do jaburu.

Esta é a declaração de Maia ao Valor: “Não fiz com eles o que eles fizeram com a Dilma. Talvez por isso essas mentiras criadas, para tentar criar um ambiente em que eu era o que não prestava e eles eram os que prestavam. Como eles fizeram desse jeito com a Dilma, talvez imaginassem que o padrão fosse esse. O meu padrão não é o mesmo daqueles que, em torno do presidente, comandaram o impeachment da presidente Dilma”.

O imitador de índio

Bem no meio do escândalo que quebra suas flechas de bambu e fortalece a direita golpista, o procurador-geral decide denunciar Lula e Dilma como participantes de uma quadrilha.
Cumpre-se a ameaça do powerpoint de Dallagnol, no dia em que o país fica sabendo que Geddel guardava malas com R$ 40 milhões dele e de seus sócios no golpe.
Fica cada vez mais evidente que Ministério Público e Judiciário são protagonistas sem disfarces e não só coadjuvantes dos movimentos que reafirmam o golpe.
Se a flecha guardada para o jaburu-da-mala for de borracha com ventosa, Janot estará condenado a ser o mais patético e trágico imitador de índio da História.

A meta dos golpistas

Dilma enfrentou, no final de 2015, um déficit fiscal de R$ 115 bilhões. Quando foi golpeada, em maio do ano passado (por causa das pedaladas que seriam para enganar o déficit, segundo os golpistas), a previsão para 2016 era de um déficit de R$ 150 bilhões.
O jaburu-da-mala piorou a situação e fechou 2016 com um rombo de R$ 156 bilhões. O golpe teria vindo para moralizar as contas, mas aumentou o buraco ainda mais e prevê agora que a nova meta é de R$ 159 bilhões para este ano e a mesma cifra para 2018.
Isso significa o quê? Que o jaburu alarga a meta para poder gastar e gastar, mesmo que não tenha de onde tirar. Mesmo assim, ele e Meirelles comemoram os números da economia. Mas que números? Eles estão há um ano e três meses no poder.
O golpe quebrou o país, e os economistas da FGV falam todo dia na TV sobre a volta da confiança. E o povo? O povo está gastando a dinheirama do FGTS.

O que enseja o equívoco etc etc….

Leia esta notícia que está no site de Veja. Se entender algo do que leu, avise quem estiver ao lado.

Se não entendeu, conclua simplesmente isso: Dilma perdeu mais uma, ou seja, na Justiça, só Aécio ganha todas.

“A Justiça Federal do Distrito Federal arquivou a representação da defesa da ex-presidente Dilma Rousseff contra o empresário Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente do Grupo Andrade Gutierrez e delator da Operação Lava Jato, por suposto falso testemunho em seu depoimento na Ação de Investigação Judicial Eleitoral movida pelo PSDB e que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, vencedora das eleições 2014.

A decisão do juiz Marcus Vinícius Reis Bastos acolhe manifestação do Ministério Público Federal do DF, que apontou que não houve intenção do delator ao citar um pagamento para a chapa Dilma-Temer como sendo propina, mas sim uma “interpretação superficial de dados do TSE apresentados, o que ensejou, por sua vez, uma resposta imediata, que embora equivocada, fora objeto de retratação”, conforme assinalou o procurador da República Filipe Andrios Brasil Siviero”.

 

Os delegados e os médicos

Na campanha às eleições de 2014, delegados federais da equipe da Lava-Jato em Curitiba formaram um grupo no whatsapp para atacar e depreciar Dilma e Lula e exaltar Aécio. Um grupo aparentemente inofensivo, formado para tirar sarro.
Mas até o chefe deles, o delegado Igor de Paula Romário, participou da turma, depois denunciada por um ex-participante. As mensagens foram publicadas em reportagem do Estadão. O delegado é o mesmo que disse há pouco que Lula será preso dentro de 30 ou 60 dias.
Esta semana, um grupo de médicos também se reuniu no whatsapp para desejar a morte de dona Marisa Letícia, compartilhar os exames médicos dela e trocar mensagens idiotas. E, fazendo parte de outra turma, o procurador de Justiça mineiro Rômulo Paiva Filho escreveu na internet: “Morre logo, peste! Quero abrir logo o meu champagne!”
Para alguns, pode parecer natural que, em meio à disseminação de ódio e imbecilidades, até delegados, médicos, procuradores e outras tantas categorias façam o que andam fazendo. Em muitos casos, é bem mais do que idiotia, é criminoso.
Entidades da área médica anunciam que irão identificar seus filiados. Os torcem pela morte serão punidos. O histórico não recomenda nenhuma expectativa, porque essa é a hora em que se erguem todos os escudos corporativos.
Com o procurador e os delegados também não acontecerá nada, porque há sempre a desculpa da liberdade de expressão (mesmo que a pregação política e as grosserias de 2014 tenham sido feitas entre investigadores de gravata numa operação que não deveria, mas já foi contaminada pela política dentro de todas as instituições).
O que todos sabemos, com base na realidade, e não por nenhuma ‘convicção’ distraída, é que os delegados estavam mesmo empenhados em desqualificar Lula e Dilma e pregar o voto em Aécio. E perderam a eleição.
Alguém pode dizer também que tudo isso parece ter uma coerência, porque de lá de 2014 e até aqui, a PF, o Ministério Público e o Judiciário pegaram Lula (com cinco processos) e dona Marisa Letícia (com dois) e não pegaram nenhum tucano. É verdade. Mas aí é apenas uma casualidade.

Alguém teria dito que João Santana disse que…

Manchete espetacular da Folha online, que ajuda a desmoralizar o próprio jornalismo:

“Dilma me alertou sobre prisão, diz

Santana para tentar destravar delação”

E a notícia verdadeira é esta, para quem vai bem mais adiante e lê a matéria (muito ruim): “Pessoas com acesso às investigações afirmaram que Santana diz ter sido avisado de sua prisão por um aliado de Dilma, a pedido da então presidente, com quem o publicitário tinha uma relação de amizade”.

1 – Pessoas com acesso às investigações?

2 – Essas pessoas dizem que Santana teria dito que teria sido avisado.

3- Avisado não por Dilma, mas opor um aliado de Dilma.

5 – O aviso teria sido feito a pedido da então presidente.

E isso aí vira manchete? Santana teria dito que um aliado teria…

O jornalismo da grande imprensa está fazendo um grande esforço para acabar antes do prazo previsto.

E ainda há quem pretenda comparar isso aí com o jornalismo americano, por mais imperfeito que este seja.