Golpistas são os outros

Está na capa do Valor Econômico desde cedo, mas os outros jornais nem deram bola, porque não interessa. É a frase de Rodrigo Maia sobre a suspeita de parte do PMDB de que ele continua conspirando para tomar o lugar do jaburu-da-mala.
Esta é a manchete do Valor:
Rodrigo Maia: “Não fiz com eles o que fizeram com a Dilma”.
Só que Maia também foi um dos golpistas mais atuantes contra Dilma. E declarou em seu voto pela abertura do processo de impeachment que estava se vingando de tudo que o PT fez contra seu pai, Cesar Maia.
Mas é interessante saber que Maia considera os outros golpistas. E os outros são os seus parceiros da turma do jaburu.

Esta é a declaração de Maia ao Valor: “Não fiz com eles o que eles fizeram com a Dilma. Talvez por isso essas mentiras criadas, para tentar criar um ambiente em que eu era o que não prestava e eles eram os que prestavam. Como eles fizeram desse jeito com a Dilma, talvez imaginassem que o padrão fosse esse. O meu padrão não é o mesmo daqueles que, em torno do presidente, comandaram o impeachment da presidente Dilma”.

O imitador de índio

Bem no meio do escândalo que quebra suas flechas de bambu e fortalece a direita golpista, o procurador-geral decide denunciar Lula e Dilma como participantes de uma quadrilha.
Cumpre-se a ameaça do powerpoint de Dallagnol, no dia em que o país fica sabendo que Geddel guardava malas com R$ 40 milhões dele e de seus sócios no golpe.
Fica cada vez mais evidente que Ministério Público e Judiciário são protagonistas sem disfarces e não só coadjuvantes dos movimentos que reafirmam o golpe.
Se a flecha guardada para o jaburu-da-mala for de borracha com ventosa, Janot estará condenado a ser o mais patético e trágico imitador de índio da História.

A meta dos golpistas

Dilma enfrentou, no final de 2015, um déficit fiscal de R$ 115 bilhões. Quando foi golpeada, em maio do ano passado (por causa das pedaladas que seriam para enganar o déficit, segundo os golpistas), a previsão para 2016 era de um déficit de R$ 150 bilhões.
O jaburu-da-mala piorou a situação e fechou 2016 com um rombo de R$ 156 bilhões. O golpe teria vindo para moralizar as contas, mas aumentou o buraco ainda mais e prevê agora que a nova meta é de R$ 159 bilhões para este ano e a mesma cifra para 2018.
Isso significa o quê? Que o jaburu alarga a meta para poder gastar e gastar, mesmo que não tenha de onde tirar. Mesmo assim, ele e Meirelles comemoram os números da economia. Mas que números? Eles estão há um ano e três meses no poder.
O golpe quebrou o país, e os economistas da FGV falam todo dia na TV sobre a volta da confiança. E o povo? O povo está gastando a dinheirama do FGTS.

O que enseja o equívoco etc etc….

Leia esta notícia que está no site de Veja. Se entender algo do que leu, avise quem estiver ao lado.

Se não entendeu, conclua simplesmente isso: Dilma perdeu mais uma, ou seja, na Justiça, só Aécio ganha todas.

“A Justiça Federal do Distrito Federal arquivou a representação da defesa da ex-presidente Dilma Rousseff contra o empresário Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente do Grupo Andrade Gutierrez e delator da Operação Lava Jato, por suposto falso testemunho em seu depoimento na Ação de Investigação Judicial Eleitoral movida pelo PSDB e que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, vencedora das eleições 2014.

A decisão do juiz Marcus Vinícius Reis Bastos acolhe manifestação do Ministério Público Federal do DF, que apontou que não houve intenção do delator ao citar um pagamento para a chapa Dilma-Temer como sendo propina, mas sim uma “interpretação superficial de dados do TSE apresentados, o que ensejou, por sua vez, uma resposta imediata, que embora equivocada, fora objeto de retratação”, conforme assinalou o procurador da República Filipe Andrios Brasil Siviero”.

 

Os delegados e os médicos

Na campanha às eleições de 2014, delegados federais da equipe da Lava-Jato em Curitiba formaram um grupo no whatsapp para atacar e depreciar Dilma e Lula e exaltar Aécio. Um grupo aparentemente inofensivo, formado para tirar sarro.
Mas até o chefe deles, o delegado Igor de Paula Romário, participou da turma, depois denunciada por um ex-participante. As mensagens foram publicadas em reportagem do Estadão. O delegado é o mesmo que disse há pouco que Lula será preso dentro de 30 ou 60 dias.
Esta semana, um grupo de médicos também se reuniu no whatsapp para desejar a morte de dona Marisa Letícia, compartilhar os exames médicos dela e trocar mensagens idiotas. E, fazendo parte de outra turma, o procurador de Justiça mineiro Rômulo Paiva Filho escreveu na internet: “Morre logo, peste! Quero abrir logo o meu champagne!”
Para alguns, pode parecer natural que, em meio à disseminação de ódio e imbecilidades, até delegados, médicos, procuradores e outras tantas categorias façam o que andam fazendo. Em muitos casos, é bem mais do que idiotia, é criminoso.
Entidades da área médica anunciam que irão identificar seus filiados. Os torcem pela morte serão punidos. O histórico não recomenda nenhuma expectativa, porque essa é a hora em que se erguem todos os escudos corporativos.
Com o procurador e os delegados também não acontecerá nada, porque há sempre a desculpa da liberdade de expressão (mesmo que a pregação política e as grosserias de 2014 tenham sido feitas entre investigadores de gravata numa operação que não deveria, mas já foi contaminada pela política dentro de todas as instituições).
O que todos sabemos, com base na realidade, e não por nenhuma ‘convicção’ distraída, é que os delegados estavam mesmo empenhados em desqualificar Lula e Dilma e pregar o voto em Aécio. E perderam a eleição.
Alguém pode dizer também que tudo isso parece ter uma coerência, porque de lá de 2014 e até aqui, a PF, o Ministério Público e o Judiciário pegaram Lula (com cinco processos) e dona Marisa Letícia (com dois) e não pegaram nenhum tucano. É verdade. Mas aí é apenas uma casualidade.

Alguém teria dito que João Santana disse que…

Manchete espetacular da Folha online, que ajuda a desmoralizar o próprio jornalismo:

“Dilma me alertou sobre prisão, diz

Santana para tentar destravar delação”

E a notícia verdadeira é esta, para quem vai bem mais adiante e lê a matéria (muito ruim): “Pessoas com acesso às investigações afirmaram que Santana diz ter sido avisado de sua prisão por um aliado de Dilma, a pedido da então presidente, com quem o publicitário tinha uma relação de amizade”.

1 – Pessoas com acesso às investigações?

2 – Essas pessoas dizem que Santana teria dito que teria sido avisado.

3- Avisado não por Dilma, mas opor um aliado de Dilma.

5 – O aviso teria sido feito a pedido da então presidente.

E isso aí vira manchete? Santana teria dito que um aliado teria…

O jornalismo da grande imprensa está fazendo um grande esforço para acabar antes do prazo previsto.

E ainda há quem pretenda comparar isso aí com o jornalismo americano, por mais imperfeito que este seja.

O jornalismo golpista odeia estes dois

supremosss

Os advogados Fernando Bandeira, secretário geral da mesa diretora do Senado, e Fabiane Duarte, secretária geral da presidência do Supremo, são odiados pelos políticos golpistas.

Aécio, Fernando Henrique, Aloysio Nunes, Caiado, Zé Agripino, Bolsonaro, Temer, Padilha, Geddel, todos odeiam Fernando e Fabiane. Mas eles são odiados mesmo pelo jornalismo golpista.

Bandeira foi quem assegurou ao presidente do Senado que era possível fatiar o julgamento de Dilma Rousseff. Assim os direitos políticos de Dilma foram preservados, em uma segunda votação. Fabiane sustentou a mesma posição junto ao presidente do Supremo.

Vi a entrevista dos dois, na tarde desta quarta, à repórter Mônica Waldvogel, no Entre Aspas, da Globo News. Entendi melhor por que os dois são odiados.

É grande o ódio de certos jornalistas porque a preservação dos direitos de Dilma não foi prevista pelo colunismo golpista que ajudou a articular o impeachment.

É por isso que os dois são apontados como responsáveis pelo “desrespeito” à Constituição. O golpe seria constitucional, do jeito enviesado como foi encaminhado. Mas a preservação dos direitos políticos de Dilma, não.

Estes dois jovens, com seus pareceres, constrangeram sem querer todo o jornalismo fajuto que se armou em torno do golpe. Eles permitiram que fosse adiante a proposta de fatiamento, que os colunistas do golpe nunca conseguiram antever.

O jornalismo adesista e soberbo deveria ficar incomodado com a própria mediocridade, e não com dois advogados que acabaram por expor a incompetência dos que não esperavam um golpe incompleto.

O FH pós-golpe

Trecho de artigo de Fernando Henrique Cardoso hoje em O Globo:

“O desafio das lideranças renovadoras será o de criar, mais do que uma “narrativa”, propostas que desenhem caminhos para a nação. Teremos capacidade, coragem e iniciativa para rever posturas, caminhos e alianças?

Terá o PT disposição para uma verdadeira reconstrução e para o diálogo não hegemônico? E os demais partidos, inclusive e principalmente o PSDB, serão capazes de aglutinar a maioria, apesar de inevitáveis divergências?”

Só que, do começo ao fim do artigo Triste Fim (o texto está no site www.brasil247.com), FH faz exatamente o contrário. Dissimula conciliação, mas bate, bate, bate em Dilma, no PT e nas esquerdas.

Esse FH bonzinho está sob investigação da Polícia Federal, sob suspeita de ligação com o empresário Jonas Barcelos, que teria bancado sua amante Mirian Dutra por anos em Portugal.

A história amorosa de Mirian Dutra não interessa nem para o debate de falsos moralismos, é problema dela e de FH.

O que importa é o caso político, a suspeita de que o empresário, com interesses misturados aos de FH e do governo, sustentava a moça com mesadas, para que a Globo (onde ela trabalhava) e o próprio FH não fossem incomodados.

E por que falar disso agora? Porque nada se sabe do inquérito, provocado por declarações da própria Mirian. Não há um vazamento sobre esse caso, porque só as sindicâncias e processos contra tucanos correm mesmo em segredo, na PF, no MP e na Justiça.

Enquanto isso, o FH bonzinho nos diz o que fazer para que a vida siga adiante.