Como conseguiu?

Conhecidos que admiro (entre os quais um amigo) dedicaram-se durante anos ao projeto de ser diplomata. Estudaram, se puxaram, se sacrificaram, mas não conseguiram, porque é uma empreitada para poucos.
Como Ernesto Araujo, um cara que não acredita no aquecimento global, que prega a xenofobia, que vê comunistas em toda parte, que raciocina como um antidiplomata contra a globalização e o multiculturalismo e que acredita em mula sem cabeça, conseguiu o milagre de se tornar um diplomata?
Como chegou ao posto de chanceler, aí é outra história. Talvez até porque acredita em mula sem cabeça.

O SURTO AGORA É INTERNACIONAL

O mais impressionante é que o filho de Bolsonaro se considera mesmo apto a ocupar a mais importante embaixada do Brasil. Com a maior naturalidade.
E na cabeça do Bolsonaro pai, a diplomacia chegaria à perfeição se os filhos dos presidentes, e não os diplomatas, ocupassem as embaixadas.
A discussão sobre nepotismo nem é a mais relevante agora, apesar de aparecer em todas as notícias. Essa questão, se um filho pode ou não ser embaixador nomeado pelo pai presidente, só deveria ser abordada se a primeira grande dúvida estivesse desfeita.
E a primeira dúvida é se o rapaz tem condições de ser embaixador e chefiar diplomatas de carreira que estudaram para fazer mediação, para negociar, para ouvir e ceder, e não para gerar conflitos.
Eduardo Bolsonaro é um propagador de ódios, desconfianças e afrontas, não tem nada do caráter da diplomacia, sem falar nos requisitos técnicos.
Se não entende nem respeita a linguagem de uma conversa cotidiana da política, como o filho do homem poderá querer entender a linguagem complexa da diplomacia?
Alguém tem que impedir que mais essa loucura se concretize. O surto de toda a família era doméstico. Agora é caso internacional.