O Oscar faz a direita chorar

A direita acusou o golpe com a indicação de Democracia em Vertigem para concorrer ao Oscar. Não é um documentário dos grandes, sob o ponto de vista de quem entende ou pensa que entende de cinema.

Mas é um filme com uma pegada política que surpreende o reacionarismo brasileiro, tão dono de si desde o golpe contra Dilma. É um filme para incomodar a direita, mais do que para agradar a esquerda. É um documentário contra os golpistas.

Por isso a direita se impressionou tanto. A direita que virou extrema direita é muito impressionável. Eles achavam que Hollywood não seria capaz de acolher um filme com essa coragem. Pois acolheu e irá expor para o mundo a cara repulsiva do golpe.

Democracia em Vertigem é uma bofetada (sim, às vezes tem que ser como uma bofetada) na cara de falcatruas como aqueles que fizeram o filme sobre Sergio Moro e aquela série sobre os mecanismos do lavajatismo. Confessem que vocês, da direita, achavam que aquilo ganharia algum prêmio.

A direita que chora vendo o filme dos papas, que revela um papa e esconde o outro, chocou-se com a notícia do documentário no Oscar porque achava que o cinema seria incapaz de se mostrar como arte de resistência depois de agosto de 2016.

Democracia em Vertigem é um documento maravilhosamente panfletário, que informa e emociona, como deve ser um filme decidido a brigar pelas liberdades.

A direita está esbaforida, quando deveria tentar ser mais contida e se comportar numa hora dessas. Quanto mais a direita acusa o golpe e diz odiar o filme, mais o documentário cumpre sua missão, a de incomodar os canalhas e tirá-los do aparente conforto sob a asa azeda do bolsonarismo.

Peçam que José Padilha faça um filme de Oscar para vocês. Mas antes chorem, canalhas. Chorem muito.

Petra Costa nem precisa ganhar o Oscar, porque até isso, em apenas um dia de festa, parece que deixou de ser importante.

O verdadeiro Oscar é o tormento dos golpistas e dos bolsonaristas disfarçados. O efeito devastador da indicação é o que basta.

Chorem, seus ex-tucanos transformados em bolsonaristas fofos simpatizantes de chefes de milicianos. Despedacem-se. Joguem-se do Viaduto da Borges. Rasguem-se, pilantras sem escrúpulos.

Sejam ridículos. Façam um documentário sobre essa dor. Mais da metade do Brasil está se divertindo com o sofrimento de vocês.

O bolsonarismo na noite do Oscar

Os bolsonaristas estão desatinados. Ontem, a Unicamp propôs o machismo como tema da redação do vestibular.
Hoje, a notícia é que Hollywood incluiu o golpe no Oscar deste ano, com a escolha de Democracia em Vertigem, de Petra Costa, para concorrer a melhor documentário.
Teremos golpistas expostos para o mundo todo na noite do Oscar.
O bolsonarismo chegou a Hollywood, e não foi pelas mãos de José Padilha.
Como diz minha amiga jornalista Aline Rochedo, Leonardo DiCaprio poderia apresentar na cerimônia os indicados a melhor documentário.
E mais Greta Thunberg no tapete vermelho. E Jonathan Pryce, o Francisco de Dois Papas, ganhando o prêmio de melhor ator.
Bolsonaro pode ser derrubado pelo Oscar.

O CINEASTA DOS MECANISMOS DA DIREITA

José Padilha, o cineasta da direita que usa os mecanismos do golpe para falsear a História, alterar falas e contar o que bem entende, vai dirigir um documentário sobre, acredite, a Lava-Jato.
Padilha acha que ainda há tempo para ganhar mais fama, mais bajulação dos reaças e mais dinheiro com a farsa de Curitiba.
Em algum momento ele terá de ouvir Gilmar Mendes, para que fale sobre a sua tese de que as prisões preventivas de Curitiba eram parte de um esquema de tortura que levava às delações.
Padilha, se fizer o que já fez, poderá inverter as falas e atribuir a frase de Mendes a Bolsonaro, e a autoria das torturas a Lula.
O moço é da mesma estirpe dos espertalhões das ‘artes’ gerados pela ditadura. Mas aqueles eram apenas prestadores de serviço, muitas vezes por convicção e sabujismo.
Morriam pobres, porque se contentavam com reconhecimento e tapas nas costas dos ditadores e de seus subalternos.
Padilha é de outros tempos, pensa na arte e no negócio. É o nosso cineasta empreendedor, que sabe aproveitar oportunidades.
Talvez acabe filmando o enterro da Lava-Jato.

Tarso de Castro

Ontem fiz a lista dos 10 mortos que eu gostaria que ressuscitassem e interferissem no estrago que o golpe fez no Brasil.
Gostei de ler as listas feitas pelos meus amigos, com nomes que eu colocaria nas muitas listas que iria refazendo, como Milton Santos, Darcy Ribeiro, Leila Diniz, Raul Seixas, Betinho e tantos outros. E claro que o mais citado foi o Brizola.
Pois agora o Fernando de Castro me mandou um vídeo sobre um cara (também citado por alguns) que poderia voltar para esculhambar com o golpe.
É o trailer do documentário sobre Tarso de Castro, que foi lançado no Rio. O mais carioca de todos os cariocas não nasceu no Rio, mas em Passo Fundo.
O Fernando é sobrinho do Tarso. E o Tarso é pai do João Vicente, do Porta dos Fundos. Já estou à espera do filme.