Tranquem bem suas casas

Devolveram computadores, CDs, DVDs e documentos apreendidos pela polícia quando da invasão da casa do filho de Lula. Marcos também não foi ouvido hoje pela polícia. Ele terá mais tempo para ‘provar’ que é inocente.
O que fizeram com os arquivos do filho de Lula? Copiaram? Só espiaram? Plantaram alguma coisa? De quem é a próxima casa a ser invadida pela polícia que busca maconha e leva computadores?
E os juristas liberais brasileiros quietos, silenciosos, acovardados, com a meia dúzia de exceções de sempre. Se não fosse a Associação Juízes para a Democracia (AJD), estaríamos entregues ao absolutismo do Judiciário brasileiro sem qualquer chance de crítica interna e nem mesmo de fazer perguntas.
A polícia e a Justiça que dizem caçar maconheiros podem bater na casa de qualquer inimigo político, como sempre bateram na casa de adultos e adolescentes pobres, negros e mulheres desamparadas por terem os maridos presos.
Fechem portas e janelas. Os falsos justiceiros a mando do golpe estão na volta.

Fascismo

Estamos em tempos de busca de consolos. A casa do filho de Lula em Paulínia foi vasculhada pela polícia, que buscava drogas e nada encontrou.
O consolo mesmo não está apenas no fato de que nada foi encontrado com Marcos Lula da Silva.
O consolo é este: ainda bem que nada foi plantado na casa do rapaz. Preparem-se porque o golpe pode estar cumprindo mais uma etapa esperada há muito tempo.
Casas vasculhadas sob quaisquer pretextos poderão, de um dia para outro, ter o que seus moradores nunca imaginaram que teriam.

Denúncia anônima?

A polícia de Paulínia, interior de São Paulo, bateu hoje na casa de Marcos Lula da Silva atrás de drogas. A casa foi invadida (ou teria sido apenas ocupada?) com aval da Justiça, a partir de denúncia anônima.
Parece simples. Um denunciante anônimo teria informado à polícia que a casa do filho de Lula tinha drogas. Marcos nunca esteve sob a suspeita de ser traficante.
Mas a polícia conseguiu autorização da Justiça, invadiu a casa do rapaz para buscas e apreensões e não achou nada.
Pode? Pode. Tanto pode que a próxima casa a ser vasculhada pode ser não a sua, mas a casa de um filho seu. Estão chegando de novo nos filhos. Chegarão aos parentes, aos amigos, e não só aos próximos de Lula. Sabemos como isso começa e sabemos como termina.

É o mercado, estúpido

Textos que falam do tráfico e do consumo da cocaína no Brasil e da relação disso tudo com rebeliões e massacres em presídios. Foram essas, quase que como obsessão, as minhas leituras da semana.
Minha síntese pode estar na frase já clássica de James Carville, assessor de Bill Clinton anos anos 90: é a economia, estúpido.
A estrutura que sustenta o mercado da droga não tem correspondência na estrutura estatal. Não há no Brasil (e parece que não há no mundo, com as exceções) investimento em repressão e contenção correspondente ao comércio e ao aumento do consumo de cocaína, em especial, e do número dos que se mobilizam para abastecê-lo.
Esse é um mercado cada vez mais dinâmico, por causa da oferta, do preço (que dizem que não sobe tanto) e do fato de que não só os bacanas, como se pensava até bem pouco, consomem coca. Cheira-se como nunca antes e em todas as classes, e não só entre os ricos. E traficar é prosperar, é ser empreendedor, ser capitalista, entre adolescentes e entre veteranos.
Essa não é uma observação moralista, porque quem gosta disso é a turma do Bolsonaro. É uma constatação óbvia. Os fornecedores de droga, em todos os estágios, do atacado ao varejo, não contam no Brasil com estrutura estatal que os entenda – desde o primeiro estágio da absorção de crianças pelas quadrilhas e depois como grupos organizados ou desorganizados –, que os reprima e que os controle na cadeia.
O liberalismo, em sua versão mais primitiva, prospera com força no tráfico, nos morros, nas ruas. E agora prospera nas prisões. E o Estado? O Estado deixa, como querem os nossos ‘liberais’, que o mercado regule tudo, com ou sem matanças. Inclusive nos presídios privatizados.
O capitalismo brasileiro tem agora a sua versão barbárie.