FOLHA BRIGA COM UM SUBALTERNO DO PLANALTO

A Folha agora participa de bate-boca com o chefe de imprensa de Bolsonaro, Fábio Wajngarten, que até então ninguém sabia quem era. O nível da briga é de Série C, com muitos adjetivos adornando frases sobre – como diz Wajngarten – “os sólidos pilares da democracia”.
O homem acusa a Folha de ser autoritária e de se unir aos derrotados na eleição, porque só enxerga coisa ruim. A Folha responde que é um jornal sério, que “ilumina problemas” (pobres problemas) e também vê coisas muito boas no bolsonarismo.
E assim a guerra segue. A Folha decidiu brigar com o ajudante do soldado raso, numa guerra que poderia ter dezenas de generais. O governo tem 2.500 oficiais, segundo a própria Folha.
Teremos batalhas meio brancaleônicas, por causa da publicação do editorial da semana passada em que o jornal acusa Bolsonaro de estar fantasiado de imperador.
Daqui a pouco a Folha estará brigando com o jardineiro do Palácio da Alvorada sobre a ameaça da volta do AI-5, o que talvez, por oferecer outra visão do conflito, contribua para elevar o nível do duelo.
Só no Brasil um jornal que se diz o mais importante do país bate boca com um ajudante do ajudante de Bolsonaro e ainda transforma a briga com o subalterno em manchete da sua edição online.
A Folha teve uma queda de qualidade e de postura desde a morte de Otávio Frias Filho. Otavinho só brigava com gente graúda e sempre com aquela fleuma de quem parecia dirigir o New York Times.

FOLHA ACEITA A GUERRA DE BOLSONARO

A Folha fez hoje o que não é comum. Largou um editorial fora de hora, no início da noite, na sua versão online, para bater forte em Bolsonaro.

O editorial é ruim. O padrão dos textos caiu muito nos jornalões, o que faz com que brigas com chance de serem históricas, envolvendo a imprensa e poderosos ex-aliados, pareçam hoje conflitos de estudantes.

O texto é precário como reflexão e colegial na forma. É quase uma composição de 5ª série, o que pelo menos tem coerência com o nível do debate.

A Folha foi cúmplice do golpe que derrubou Dilma Rousseff, por imaginar – antes das manobras no Congresso – que alguém da turma dos tucanos ou um parceiro deles, mesmo do PFL, poderia se beneficiar de uma eventual eleição indireta ou da eleição direta de 2018.

Fez uma aposta golpista e ajudou, ao lado da Globo, a criar Bolsonaro. A Folha foi patrocinadora das ideias que, por desvios de rota, levaram ao poder o sujeito agora denunciado por autoritarismo.

O editorial serve para formalizar uma posição. A Folha está dizendo que aceita a declaração de guerra de Bolsonaro. Os Frias vão tentar se livrar da criatura, mais uma vez com a ajuda da Globo.

Não é a defesa da democracia que está em jogo, mas a tentativa de proteger interesses contrariados, de um lado e de outro.

Pode ser a batalha final antes da extinção da grande imprensa com o formato que tem até hoje. É também a primeira vez que os jornalões se desentendem com um grupo acumpliciado com milicianos. Saiam de perto.

A Folha tenta acertar o prego

Trechos do editorial da Folha sobre a pregação da ‘intervenção militar’ pelo general Antonio Hamilton Mourão. Publico como curiosidade.

Parece texto escrito pelo jaburu-da-mala ou pelo saudoso Rolando Lero, com frases feitas, ditados, todavias, contudos e entretantos. Copiem porque pode cair no Enem.

“Como se diz, para quem só sabe usar um martelo, todos os problemas se parecem com um prego.”

“A democracia brasileira, contudo, ainda engatinha.”

“As instituições, cuja estabilidade não deixa de ser apreciável, amargam todavia desgaste crescente.”

“Executivo, Legislativo e Judiciário afogam-se em escândalos de corrupção e refregas incompatíveis com Poderes de Estado.”

“A polêmica ao menos serviu para mostrar que a sociedade se mantém vigilante.”

Agilidade

A Folha publica hoje um editorial condenando a pregação da ‘intervenção militar’ pelo general Antonio Hamilton Mourão. O título do editorial: desatino militar.
Só que o general fez a pregação em palestra no dia 15. A Folha publicou a notícia no dia 17. E o editorial sai agora, no dia 23, quando o debate está quase esgotado.
Até o seu Mércio já se manifestou contra o discurso do novo golpe. E a Folha demorou seis dias, desde a publicação da reportagem, até se decidir pelo editorial. Seis dias!!! Em seis dias, Deus criou o mundo. A Folha ficou todo esse tempo pensando o que dizer sobre a fala do general.
No golpe de 64 contra Jango e no golpe de agosto do ano passado contra Dilma, a Folha e outros jornais foram mais ágeis…