O banco que pagou o golpe

Durante anos, os analistas políticos tentaram nos engambelar. Diziam que o poder de líderes da direita vinha da capacidade de articulação, do charme e até do perfume que usavam.
O poder, sabe-se agora, veio sempre da capacidade de distribuir dinheiro. Esse era o poder de Eduardo Cunha, como mostra a delação do doleiro Lúcio Funaro.
Cunha era, segundo o doleiro, “um banco de corrupção de políticos”. Ele pagava por apoios e mutretas.
Cunha, disse o doleiro, era articulado com o jaburu-da-mala. E o jaburu era chefe de Geddel, de Moreira Franco e de Padilha, segundo o Ministério Público. Todos juntaram muito dinheiro no Quadrilhão.
Funaro deve saber por cima o que só Eduardo Cunha e seus parceiros sabem a fundo: como foi comprado o apoio para derrubar Dilma? Quantas malas de Geddel foram usadas no golpe?
Mas a quem interessa essa informação, se não contribui em nada para o cerco a Lula?

Cunha, Nassif e o traficante

Eduardo Cunha, o mafioso que a direita abandonou depois do serviço feito e de entregar o recibo, processou o jornalista Luis Nassif por dano moral. E ganhou.
É decisão da 14ª câmara cível do Tribunal de Justiça do Rio. O relator do processo, desembargador Cleber Ghelfenstein, diz que Nassif deve ser condenado por matéria em que “macula a dignidade do autor e associa seu nome a criminosos e à esquema de sonegação de impostos”.
O desembargador aceitou o argumento de que Nassif associou o nome de Cunha a um traficante chamado Abadia. É de chorar de rir.
Só falta agora o tal Abadia processar o mesmo Nassif por ter associado seu nome ao de Cunha, que parece mesmo ser uma ofensa mais grave. O Brasil é o país que decidiu virar um foro.

Zumbis

Todos os líderes do golpe e muitos subalternos estão politicamente mortos.
Aécio, Cunha, Temer, Serra e outros terão logo novas companhias. E Lula e Dilma resistem.
A direita perdeu o controle do golpe e a Lava-Jato de Curitiba perdeu o controle da grande operação de caçada ao PT.
Mas a direita pode ser mais assustadora como zumbi.

Pegaram o Cunha. E daí?

A torcida organizada do juiz Sergio Moro na imprensa tenta vender a condenação de Eduardo Cunha como prova de que a Lava-Jato também pega a direita golpista.
É uma bobagem. Cunha já estava condenado muito antes do golpe de agosto. Depois do serviço sujo, não valeria mais nada.
O que a Lava-Jato pegou é apenas uma galinha morta. Ainda falta provar que pega tucano vivo.

Perguntadores

O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira não copiou seu colega Sergio Moro. Oliveira encaminhou ao homem do Jaburu todas as 19 perguntas formuladas por Eduardo Cunha, em processo em que é réu por corrupção na Caixa Federal.

O homem do Jaburu é testemunha de Cunha nos dois processos, este da Caixa e em outro, da Lava-Jato, que corre em Curitiba. Moro decidiu, em dezembro, que das 41 perguntas, 21 não eram pertinentes. Duas delas, se sabe, eram sobre as relações do Jaburu com José Yunes, o sujeito que diz ter sido mula de Eliseu Padilha.

Por que um juiz encaminha todas as perguntas (que a testemunha responde ou não) e outro censura algumas? Porque o juiz tem este poder. E Moro, um grande perguntador, sabe o que deve ser perguntado e o que precisa ser respondido.

As perguntas

Estas são as duas perguntas que o juiz Sergio Moro decidiu tirar da lista de indagações que Eduardo Cunha encaminhou formalmente em dezembro ao homem do Jaburu, arrolado como sua testemunha:

1. Qual a relação de vossa excelência com José Yunes?

2. O sr. Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de vossa excelência ou do PMDB?

Moro, grande perguntador, decidiu que Cunha estava perguntando o que não devia, “por falta de pertinência com o objeto da ação penal”.

Como dizia o grande jornalista e documentarista Eduardo Coutinho, muitas vezes grandes perguntas são as que deixam de ser feitas, porque evitam a obviedade das respostas.

As duas perguntas contêm a pólvora que pode explodir o Jaburu. Mas o juiz Sergio Moro deve saber o que precisa ser perguntado e o que pode ou não ser explodido.

Cunha ainda manda

Eduardo Cunha continua metendo medo. Seu aliado, o eminente jurista Osmar Serraglio é o novo ministro da Justiça, substituindo o eminente constitucionalista Alexandre de Moraes, no ministério de eminentes notáveis do Jaburu.

O Jaburu já não tem mais espaço para tantos notáveis. Mas sempre cabe mais um ligado a Cunha (que deve continuar mandando eminentes recados a antigos aliados e cúmplices de golpe que o abandonaram).

 

Noivos

Não tenho o direito de contagiar ninguém com meu pessimismo. Mas confesso que não acredito que o homem do Jaburu caia antes de abril. Acho que só cai em maio, no mês das noivas.
O homem do Jaburu é o noivo trágico que a direita vai deixar no altar, em troca de um tucano com melhores dotes.
O homem do Jaburu será tão enganado quanto Eduardo Cunha, a quem a direita prometeu mundos e fundos mas com quem nem chegou a noivar.

Cunha no pau de arara

Eduardo Cunha que se prepare. O homem que comandou o golpe, porque achou que seria protegido pelos amigos da imprensa e pelo pato da Fiesp, foi abandonado pelos chefes dos jornalistas, pelos donos do pato e pelos parceiros no Congresso.
E agora cumpre o ritual a que todos se submetem nas masmorras de Curitiba. Sai da carceragem da Polícia Federal, contrariado, é claro, e vai para um presídio da cidade por ordem do juiz Sergio Moro.
Cunha inicia agora a etapa que ninguém aguenta. Ficará preso até rastejar e começar a delatar as quadrilhas das quais fez parte.
O mais idiota de todos os políticos brasileiros do século 21 vai para o pau de arara psicológico da prisão preventiva sem fim. É o método civilizatório infalível da Justiça de Curitiba.
E tudo isso acontece sob a indiferença dos ‘liberais’ que o apoiaram até o golpe e depois o largaram na sarjeta. Os liberais brasileiros continuarão covardemente calados e somente irão gritar quando chegar (não por ordem de Moro, certamente) a hora dos amigos deles, dos corruptos da direita que não poderão ficar impunes para sempre.

Paciência

Manchete dos jornais online agora à noite: os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves são réus em processo por propina envolvendo o FGTS e a Caixa.
Vale manchete? Cunha réu de novo? Eduardo Alves réu? É mais do mesmo. As notícias de repetem com os mesmos personagens. A Justiça mata três vezes a mesma galinha morta (e depois do golpe abriram a porteira para pegar o Cunha por todos os lados).
Mas há muitas investigações e processos envolvendo tucanos e não sai nada sobre eles. Eu ainda espero uma manchete em que o réu seja um tucano corrupto. Eu tenho paciência.