A voz de Ciro

Um cara poderia entrar na campanha na última semana, para ser a voz forte que parece faltar no momento, a voz em tom um pouco mais alto, para que seja ouvida na mesma frequência das vozes do pai e do filho Bolsonaros.

Uma voz com poucas vírgulas e volteios, mas com muito sujeito, verbo e predicado. Ciro Gomes poderia pegar o megafone.

Todos nós estamos à espera de Ciro Gomes. Entre na reta final da campanha, Ciro Gomes. Entre firme e fale alto.

Todos os que em algum momento o criticaram (inclusive eu, mas acredito que de forma respeitosa) vamos acolhê-lo na luta que não é de Haddad ou do PT, é a luta de todos pela democracia.

Eu te vi em 2002 nas andanças com Brizola pelo Estado. Vi que muito da tua fala e do teu jeito têm inspiração na fala de Brizola.

Vamos lá, Ciro Gomes. Entre nessa briga. É da tua voz nordestina que estamos precisando.

 

UM AGRADECIMENTO

Amigos me telefonam para saber como estou depois da tentativa frustrada de conseguir um mandato de deputado estadual pelo PT. Estou bem e certo de que participei de uma experiência única.

Algumas das perguntas que mais ouço são estas: tu assumiste dívidas, gastaste muito, estás endividado?

Eu não gastei nada do que não tinha. Nada. Termino a campanha sem um centavo de dívida. Minha racionalidade financeira e meus parceiros de caminhada (cinco jornalistas do time) seguraram o ímpeto do candidato.

Mas só levei a campanha adiante porque tive a solidariedade de cerca de cem doadores, que contribuíram com quase R$ 27 mil (as contas estão sendo fechadas e irei informar a soma final).

Essas pessoas tiveram o desprendimento de apostar num projeto político marcado pelo romantismo dos bons tempos da política na rua. Com improvisos e com poucos recursos.

Elas me enchem de orgulho como amigas e parceiras nessa quase loucura de testar, em apenas 45 dias, o alcance e os limites da candidatura de um jornalista de esquerda, em meio ao crescimento avassalador da extrema direita.

Não tenho como agradecer a um por um, mas sei quem são. Gostaria muito de telefonar para cada um dos doadores, porque o gesto que fizeram é bonito demais.

Sem eles e sem o time que me acompanhou, não existiria campanha. Então, fiquem tranquilos. Só gastei o que recebi de doação de quem acreditou em mim. E sei que fizemos o melhor uso dos recursos, enfrentando campanhas milionárias.

Muito obrigado, amigas e amigos. Por causa de vocês, eu aprendi mais um pouco com as pessoas com as quais conversei nas ruas. Que a democracia nos recompense.

Duas gotas?

As opções para os ‘isentões’ antipetistas diante do avanço do fascismo que eles dizem abominar, mas nem tanto.
Eduardo Leite ou Sartori? Uma camisa da Riachuelo ou um cuecão da Havan? Voto em branco ou voto nulo na luta de Haddad contra Bolsonaro?
Um vacilão é o cara aquele que fica em dúvida se põe duas ou três gotas de adoçante no cafezinho, para que a sua vida seja sempre marcada por interrogações complexas.

O PODER ECONÔMICO NA ELEIÇÃO

O fim das doações de empresas a partidos e candidatos levou muita gente a pensar que o poder econômico não iria interferir nas eleições. Não é bem assim.
As contribuições de apoiadores se resumem a partir de agora às pessoas físicas. Mas isso quer dizer apenas que, se quiserem, os poderosos continuarão reforçando com muito dinheiro as campanhas dos seus protegidos. É o que estão fazendo.
A doação coletiva, via internet, tem a vantagem da transparência. Mas não irá mudar nada, se os mesmos, os mais ricos, continuarem abastecendo seus candidatos, e as forças progressistas não oferecerem suporte às campanhas dos seus representantes.
Sou pré-candidato a deputado estadual pelo PT/RS. Dependo da contribuição de apoiadores para seguir em frente, ou não teremos como competir com os cofres dos donos de grandes grupos econômicos.
Agradeço a quem já fez doações e peço a participação de outros apoiadores nesse esforço pelo financiamento da minha pré-campanha.
Convide amigos a se engajarem a esta ideia. A democracia agradece. Colabore clicando aqui…

https://doacaolegal.com.br/moises-mendes

 

UM FALSO DILEMA

Um amigo me perguntou hoje como eu lido com o desafio de tentar conquistar a atenção e os corações das pessoas como pré-candidato a deputado estadual pelo PT e continuar escrevendo o que sempre escrevi.
Eu disse a ele que não existe um Moisés Mendes jornalista que escreve e um Moisés pré-candidato, cheio de dedos, cuidados e sutilezas para não ferir possíveis simpatias e engajamentos.
Não existem jornalistas neutros e eu não criei um personagem para me engajar a um partido e a um projeto político. Eu sou o que sempre fui. Não farei concessões que estejam em desacordo com o que penso. Esse dilema não existe.
Foi assim que eu sempre me entendi com todos vocês que me leem. Não haverá uma persona do Moisés pré-candidato, ou eu estaria reproduzindo o que condenamos na política.
O que vocês leem aqui continuará tendo coerência com o que sempre escrevi, inclusive com humor, às vezes com ironia, mas sempre com o objetivo de expressar o que desejo dizer da forma mais clara possível.
Posso e vou errar muito, posso até cair em contradição em relação a algumas questões, vou me envolver em controvérsias, mas quero me manter coerente com a essência do que penso, digo e faço. Não tem como mudar a forma e o conteúdo da minha escrita.
Serei sempre um cara imperfeito (porque só a direita se acha perfeita). Mas não serei outro só para agradar. Serei o que sabem que sempre fui e espero continuar sendo.

A DEMOCRACIA E OS SONHOS

Um aviso aos ‘entendidos’ em eleições que acham que entrei na pré-campanha a deputado estadual para passear. Estou ralando muito e não me queixo.
Acordo cedo, converso com muita gente por telefone, envio e respondo mensagens, tento ajeitar a agenda para que abrigue o que acho que deve abrigar, saio de casa, vou ao encontro de gente de todas as áreas e volto à noite.
Não entrei nessa briga boa para participar de uma empreitada sem dedicação integral. Mas me divirto e me entusiasmo com o timaço que consegui reunir, com amigos talentosos e dedicados. Todos também estão ralando, e muito.
Tento, como recomendam os políticos mais velhos, seguir minha intuição e as lições que ouço na caminhada, sem que nada mude o que sou.
Lutar pelo real é também construir sonhos. Porque, como diz meu amigo Abrão Slavutzky, “somos sonhadores; se não formos sonhadores, não somos nada”.
Estou feliz e honrado com os que me acompanham e me acompanharão nesse projeto. Este é o ano para que os democratas trabalhem muito e possam sonhar juntos.

O CENTRO ACOVARDADO

Chama-se Centro Democrático o partido de direita que venceu a eleição na Colômbia com o candidato Iván Duque.
É estranho, mas não é tanto. No Brasil, um partido de direita se define como Progressista. Outro se anuncia há muito tempo como Democrata, para ser confundido com o partido americano que acolhe exatamente os setores progressistas. Mas aqui os democratas são a direita da direita.
A imitação do Podemos, que na Espanha é a marca da tentativa de renovação da esquerda, aqui é também direitista. O partido que se diz da social-democracia é igualmente liderado e sustentado pela direita.
E onde estariam hoje os políticos de fato de centro, remanescentes ou herdeiros daqueles que que ajudaram a conduzir a luta pela volta da democracia no Brasil?
Onde estão os políticos, os empresários e os juristas e os profissionais de formação dita liberal, que se se esconderam desde antes e depois do golpe, com raras exceções?
A direita engoliu o centro no Brasil. O centro se deixou ser devorado pelo reacionarismo. O avanço do fascismo e do Judiciário partidarizado (que estimula muito das aberrações que prosperam por aí) acabou com o centro.
Na Colômbia, no Brasil, na Argentina, em toda parte a direita dissimulada finge ser o centro que não existe mais ou se escondeu em algum canto, envergonhado com o próprio acovardamento.

(A charge é do Edu Oliveira)

A DEMOCRACIA E O PODER ECONÔMICO

Previsões assustadoras para a eleição deste ano passam sempre por uma questão ainda mais presente: o poder econômico jogará pesado para desequilibrar a disputa em favor da direita.
É dureza competir com campanhas milionárias no pós-golpe. Sou pré-candidato a deputado estadual pelo PT do Rio Grande do Sul sabendo desse desafio.
Não há como se apresentar como alternativa sem o mínimo de recursos. É preciso pedir ajuda. Todos pedem. Aqui, no Chile, nos Estados Unidos, no Uruguai, em toda parte, ou não levam adiante um projeto político.
Só os amigos e cúmplices dos grandes financiadores de sempre não precisam pedir nada.
Por isso peço contribuição, sem constrangimentos, a quem entende que mereço pelo menos desafiar o poder econômico, que se ampliou depois do golpe.
Clique no link abaixo e participe do financiamento coletivo da minha pré-candidatura. Obrigado pelo apoio.
https://doacaolegal.com.br/moises-mendes

A CAMINHADA DE LULA

Estou entre os que pretendem ficar ao lado de Lula até o fim, mesmo que ninguém saiba direito hoje que fim será este.

O que se sabe é que a política depende no momento muito mais do impulso dos sonhos do que de esquemas da racionalidade. Então, vamos sonhar até onde for possível.

Estive entre os que defenderam as Diretas depois do golpe de agosto de 2016, mesmo que não fosse palpável. A defesa das Diretas, contra tudo e contra todos (inclusive contra algumas lideranças do PT), funcionaria como uma força inspiradora e aglutinadora.

E as Diretas serviram mesmo para manter parte da esquerda acordada em meio ao trauma da derrubada de Dilma, até se revelar impossível. Me senti recompensado de caminhar com essa boa ilusão ao lado de gente com a bravura da deputada Maria do Rosário.

Agora, há quem defenda, por achar que já não é mais factível, que a candidatura de Lula seja largada na estrada. Que Lula comece a preparar líderes da esquerda para que tomem o bastão e anuncie sua decisão tão logo o Supremo negue o habeas, se é que vai mesmo negar.

Por esta racionalidade preventiva, o líder que carrega nas costas as expectativas de reversão do golpe deveria começar a admitir que daqui a pouco estará fora da disputa, em nome do planejamento da próxima etapa.

É uma proposta que submete a resistência à escolha de um substituto para Lula. Eu defendo (e isso pode não significar nada, porque não represento ninguém) que Lula vá até o fim.

Que carregue o sonho e o fardo do improvável até onde conseguir levar, sem sugerir, em momento algum, que pode se entregar.

A eleição sem Lula, como possibilidade de levar adiante o combate ao golpe, é outra história. Primeiro, que ele siga em frente com os que se dispuserem a caminhar ao seu lado. Eu caminho do jeito que puder.