Duas gotas?

As opções para os ‘isentões’ antipetistas diante do avanço do fascismo que eles dizem abominar, mas nem tanto.
Eduardo Leite ou Sartori? Uma camisa da Riachuelo ou um cuecão da Havan? Voto em branco ou voto nulo na luta de Haddad contra Bolsonaro?
Um vacilão é o cara aquele que fica em dúvida se põe duas ou três gotas de adoçante no cafezinho, para que a sua vida seja sempre marcada por interrogações complexas.

O PODER ECONÔMICO NA ELEIÇÃO

O fim das doações de empresas a partidos e candidatos levou muita gente a pensar que o poder econômico não iria interferir nas eleições. Não é bem assim.
As contribuições de apoiadores se resumem a partir de agora às pessoas físicas. Mas isso quer dizer apenas que, se quiserem, os poderosos continuarão reforçando com muito dinheiro as campanhas dos seus protegidos. É o que estão fazendo.
A doação coletiva, via internet, tem a vantagem da transparência. Mas não irá mudar nada, se os mesmos, os mais ricos, continuarem abastecendo seus candidatos, e as forças progressistas não oferecerem suporte às campanhas dos seus representantes.
Sou pré-candidato a deputado estadual pelo PT/RS. Dependo da contribuição de apoiadores para seguir em frente, ou não teremos como competir com os cofres dos donos de grandes grupos econômicos.
Agradeço a quem já fez doações e peço a participação de outros apoiadores nesse esforço pelo financiamento da minha pré-campanha.
Convide amigos a se engajarem a esta ideia. A democracia agradece. Colabore clicando aqui…

https://doacaolegal.com.br/moises-mendes

 

UM FALSO DILEMA

Um amigo me perguntou hoje como eu lido com o desafio de tentar conquistar a atenção e os corações das pessoas como pré-candidato a deputado estadual pelo PT e continuar escrevendo o que sempre escrevi.
Eu disse a ele que não existe um Moisés Mendes jornalista que escreve e um Moisés pré-candidato, cheio de dedos, cuidados e sutilezas para não ferir possíveis simpatias e engajamentos.
Não existem jornalistas neutros e eu não criei um personagem para me engajar a um partido e a um projeto político. Eu sou o que sempre fui. Não farei concessões que estejam em desacordo com o que penso. Esse dilema não existe.
Foi assim que eu sempre me entendi com todos vocês que me leem. Não haverá uma persona do Moisés pré-candidato, ou eu estaria reproduzindo o que condenamos na política.
O que vocês leem aqui continuará tendo coerência com o que sempre escrevi, inclusive com humor, às vezes com ironia, mas sempre com o objetivo de expressar o que desejo dizer da forma mais clara possível.
Posso e vou errar muito, posso até cair em contradição em relação a algumas questões, vou me envolver em controvérsias, mas quero me manter coerente com a essência do que penso, digo e faço. Não tem como mudar a forma e o conteúdo da minha escrita.
Serei sempre um cara imperfeito (porque só a direita se acha perfeita). Mas não serei outro só para agradar. Serei o que sabem que sempre fui e espero continuar sendo.

A DEMOCRACIA E OS SONHOS

Um aviso aos ‘entendidos’ em eleições que acham que entrei na pré-campanha a deputado estadual para passear. Estou ralando muito e não me queixo.
Acordo cedo, converso com muita gente por telefone, envio e respondo mensagens, tento ajeitar a agenda para que abrigue o que acho que deve abrigar, saio de casa, vou ao encontro de gente de todas as áreas e volto à noite.
Não entrei nessa briga boa para participar de uma empreitada sem dedicação integral. Mas me divirto e me entusiasmo com o timaço que consegui reunir, com amigos talentosos e dedicados. Todos também estão ralando, e muito.
Tento, como recomendam os políticos mais velhos, seguir minha intuição e as lições que ouço na caminhada, sem que nada mude o que sou.
Lutar pelo real é também construir sonhos. Porque, como diz meu amigo Abrão Slavutzky, “somos sonhadores; se não formos sonhadores, não somos nada”.
Estou feliz e honrado com os que me acompanham e me acompanharão nesse projeto. Este é o ano para que os democratas trabalhem muito e possam sonhar juntos.

O CENTRO ACOVARDADO

Chama-se Centro Democrático o partido de direita que venceu a eleição na Colômbia com o candidato Iván Duque.
É estranho, mas não é tanto. No Brasil, um partido de direita se define como Progressista. Outro se anuncia há muito tempo como Democrata, para ser confundido com o partido americano que acolhe exatamente os setores progressistas. Mas aqui os democratas são a direita da direita.
A imitação do Podemos, que na Espanha é a marca da tentativa de renovação da esquerda, aqui é também direitista. O partido que se diz da social-democracia é igualmente liderado e sustentado pela direita.
E onde estariam hoje os políticos de fato de centro, remanescentes ou herdeiros daqueles que que ajudaram a conduzir a luta pela volta da democracia no Brasil?
Onde estão os políticos, os empresários e os juristas e os profissionais de formação dita liberal, que se se esconderam desde antes e depois do golpe, com raras exceções?
A direita engoliu o centro no Brasil. O centro se deixou ser devorado pelo reacionarismo. O avanço do fascismo e do Judiciário partidarizado (que estimula muito das aberrações que prosperam por aí) acabou com o centro.
Na Colômbia, no Brasil, na Argentina, em toda parte a direita dissimulada finge ser o centro que não existe mais ou se escondeu em algum canto, envergonhado com o próprio acovardamento.

(A charge é do Edu Oliveira)

A DEMOCRACIA E O PODER ECONÔMICO

Previsões assustadoras para a eleição deste ano passam sempre por uma questão ainda mais presente: o poder econômico jogará pesado para desequilibrar a disputa em favor da direita.
É dureza competir com campanhas milionárias no pós-golpe. Sou pré-candidato a deputado estadual pelo PT do Rio Grande do Sul sabendo desse desafio.
Não há como se apresentar como alternativa sem o mínimo de recursos. É preciso pedir ajuda. Todos pedem. Aqui, no Chile, nos Estados Unidos, no Uruguai, em toda parte, ou não levam adiante um projeto político.
Só os amigos e cúmplices dos grandes financiadores de sempre não precisam pedir nada.
Por isso peço contribuição, sem constrangimentos, a quem entende que mereço pelo menos desafiar o poder econômico, que se ampliou depois do golpe.
Clique no link abaixo e participe do financiamento coletivo da minha pré-candidatura. Obrigado pelo apoio.
https://doacaolegal.com.br/moises-mendes

A CAMINHADA DE LULA

Estou entre os que pretendem ficar ao lado de Lula até o fim, mesmo que ninguém saiba direito hoje que fim será este.

O que se sabe é que a política depende no momento muito mais do impulso dos sonhos do que de esquemas da racionalidade. Então, vamos sonhar até onde for possível.

Estive entre os que defenderam as Diretas depois do golpe de agosto de 2016, mesmo que não fosse palpável. A defesa das Diretas, contra tudo e contra todos (inclusive contra algumas lideranças do PT), funcionaria como uma força inspiradora e aglutinadora.

E as Diretas serviram mesmo para manter parte da esquerda acordada em meio ao trauma da derrubada de Dilma, até se revelar impossível. Me senti recompensado de caminhar com essa boa ilusão ao lado de gente com a bravura da deputada Maria do Rosário.

Agora, há quem defenda, por achar que já não é mais factível, que a candidatura de Lula seja largada na estrada. Que Lula comece a preparar líderes da esquerda para que tomem o bastão e anuncie sua decisão tão logo o Supremo negue o habeas, se é que vai mesmo negar.

Por esta racionalidade preventiva, o líder que carrega nas costas as expectativas de reversão do golpe deveria começar a admitir que daqui a pouco estará fora da disputa, em nome do planejamento da próxima etapa.

É uma proposta que submete a resistência à escolha de um substituto para Lula. Eu defendo (e isso pode não significar nada, porque não represento ninguém) que Lula vá até o fim.

Que carregue o sonho e o fardo do improvável até onde conseguir levar, sem sugerir, em momento algum, que pode se entregar.

A eleição sem Lula, como possibilidade de levar adiante o combate ao golpe, é outra história. Primeiro, que ele siga em frente com os que se dispuserem a caminhar ao seu lado. Eu caminho do jeito que puder.

Novo onde?

Maria Thereza, a viúva de Pedro Collor, que junto com o marido denunciou o cunhado presidente da República como corrupto, escreve artigo na Folha com a pergunta que todos se fazem: o que é de fato o novo na política hoje?
Maria Thereza parece querer se apresentar como novidade. Mas não importa o que ela esteja pretendendo (parece que será candidata a deputada por São Paulo, pelo PSDB).
É bom que esta pergunta continue sendo feita, mesmo que por uma tucana com origem na oligarquia nordestina. A direita se pergunta sobre o que é o novo e tira proveito disso (tem até um partido com esse nome).
E a esquerda faz o quê? Que renovação terá a esquerda nessa eleição?
(A moça assina o artigo com um nome tão comprido que parece ser nome de nobre. Maria Thereza Pereira de Lyra Collor de Mello Halbreich. As oligarquias têm suas peculiaridades. Isso é o novo…)

Nós, os perdedores

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Desde que fui acordado, às 7h30min, pela notícia do horror e até agora, às 23h50min, li mais de 20 textos que passam pelo centro ou pelas beiras da crise da democracia. O grande dilema, ampliado pela eleição do Trump, é como lidar com as surpresas e as imperfeições da democracia do século 21.

Uma democracia quase perfeita, como a americana, é capaz de eleger o Trump e será capaz de inspirar a eleição de fascistas da Europa, como uma Franke Petry na Alemanha e uma Marine Le Pen na França, e daqui a pouco.

A pergunta singela, ingênua, sem resposta, é como a democracia pode se prestar a fortalecer quem a despreza como a mais genuína expressão de cidadania?

Imagine então o que pode acontecer numa democracia ainda sob questionamento, como é a nossa, onde se golpeia uma presidente eleita com a maior facilidade. É certo que uma democracia como a nossa pode, sim, eleger até um Bolsonaro.

Foi esta democracia que elegeu em Porto Alegre, com vitórias em vilas de toda a periferia, um candidato que dizem nunca ter entrado nas vilas (e esta vitória unânime aqui não é figurativa, é real, como mostraram os mapas das votações).

Foi assim também que o trabalhador desiludido com a política formal votou no Trump ‘não-político’ que deprecia a política e deprecia até seu eleitor como cidadão.

Pois esta é a democracia que a direita decidiu levar a sério para resolver as coisas no voto que a própria direita tantas vezes tenta desqualificar.

Para o Brasil, há duas previsões antagônicas, nesse clima de desencanto que leva aos Júniors e aos Crivellas: ou os desencantados em geral (e não se trata apenas das esquerdas) aprofundam o desprezo pelo voto em 2018 (com mais abstenções, brancos e nulos), ou fazem como o país fez em 1974, depois da eleição de 1970, votam com vontade em nomes progressistas e voltam a acreditar nos benefícios de uma eleição.

Só há um pequeno problema: em 1974, a democracia era redescoberta no Brasil e se reconstruía com nomes que assumiam a luta pela sua reabilitação. E quem são hoje os nossos ‘progressistas’ confiáveis?

Hoje, a democracia é um bem entregue à festança dos que mais a desprezam. A direita se refestela na democracia, agora – no caso brasileiro – com a cumplicidade de parte do Ministério Público e do Judiciário. O que sobra pra nós, os perdedores, é tentar entender, ou talvez nem entender seja possível, ainda.

O milagre

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Um dos milagres desta eleição: a Globo ressuscitou Alexandre Garcia como comentarista de jornal da TV.
Garcia foi ressuscitado para anunciar no Jornal Hoje, das 13h, que o PT está definitivamente fora da eleição de 2018.
Alexandre Garcia é uma aparição. Estava morto e sepultado como jornalista de opinião da Globo há pelo menos uma década.
Reapareceu, devidamente embalsado, para avisar que Lula, e não ele, Garcia, está morto.
Se a Globo ressuscita até Alexandre Garcia para comentar a primeira eleição pós-golpe, tudo pode acontecer. E depois ainda falam mal dos milagres da igreja do Crivella.
(Garcia, para quem não sabe, foi porta-voz do governo Figueiredo. Na foto, ele ajeita o microfone para o patrão. A Globo ressuscitou um serviçal da ditadura para afrontar o Brasil pós-golpe)