É a várzea do golpe

Tasso Jereissati acusa o governo de ter aumentado a meta de déficit para poder gastar à vontade comprando aliados.
Padilha respondeu que não é bem assim, que o governo é austero. É a manchete dos jornais agora.
Teve um tempo em que os grandes debates envolviam gente do peso de um Ulysses e um Delfim Netto. Hoje, são entre o Padilha e o Jereissati.

CANELAS GROSSAS

Quem será o próximo depois de Geddel? Janot estaria com suas flechas direcionadas para as cabeças de Padilha e Moreira Franco, segundo matéria de hoje do Estadão. São dois tornozelos de respeito.
Se Padilha e Moreira Franco tombarem, sobrará para o jaburu a companhia das emas do planalto central. E o Brasil seguirá fazendo tricô.

Esta turma bem que merece uma força-tarefa

Haverá uma força-tarefa para investigar a direita incluída na lista de Rodrigo Janot, como a que foi formada pelo Ministério Público para investigar Lula e o PT na Lava-Jato? Ou Aécio, José Serra, Jucá, Padilha, Aloysio Nunes, Moreira Franco e outros que chegaram ao poder com o golpe ficarão por anos e anos sob investigação?

Haverá uma vara especial, só para cuidar dos processos do forte grupo do PSDB e do PMDB (se é que eles serão processados), como existe a 13ª Vara Federal do juiz Sergio Moro em Curitiba dedicada há muito tempo apenas à Lava-Jato?

Quem será encarregado de montar a rosácea de bolinhas azuis, copiada do powerpoint do Ministério Público de Curitiba, que nos mostrará como funcionava o esquema da direita? Quem irá aparecer no centro da rosácea? Ou eles atuavam de forma autônoma, como fazia Pedro Barusco, o maior ladrão avulso da História?

Que autoridade será escalada para nos passar a convicção de que a corrupção agregava e mobilizava os golpistas, até a chegada desta turma ao poder? Qual era a participação do homem do Jaburu nos esquemas?

O que pouca gente sabe é que Serra, Aécio, Pedro Parente, Pedro Malan e Fernando Henrique Cardoso são investigados e/ou processados em outros casos. Há anos. Mas ninguém sabe o que foi apurado até agora contra eles.

Alguém imagina que os tucanos da lista de Janot poderão enfim sofrer algum processo que vá adiante, se os casos do metrô e da merenda de São Paulo não têm nenhum tucano condenado?

Alguém acredita que, enquanto Lula é ouvido quase todos os meses em um dos processos (serão cinco) que enfrenta, os tucanos serão submetidos à mesma agilidade da Justiça?

Quem acredita que a lista de Janot terá alguma consequência para os que articularam a caçada à Dilma, por causa das pedaladas, enquanto camuflavam delitos que agora seus cúmplices no próprio Judiciário querem transformar em deslizes que podem ser anistiados?

A impunidade da direita requer uma força-tarefa com a mesma estrutura e a mesma agilidade da montada para cercar Lula e os que estavam por perto dele e de Dilma, ou a lista de Janot terá sido apenas a lista de Janot.

 

 

Desproporcional…

Assim começa uma notícia de hoje no Globo: “Na contramão de um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), os ministros da Corte de contas excluíram o ministro-chefe licenciado da Casa Civil, Eliseu Padilha, de processo que cobrava pagamento de R$ 7,2 milhões por obras superfaturadas em 2001, ano em que comandava o Ministério dos Transportes no governo Fernando Henrique. Relator do caso no TCU, o ministro Bruno Dantas ignorou o parecer dos auditores e considerou que a sugestão para responsabilizar Padilha era desproporcional”.
O resto nem precisa ser lido. Tudo para a direita parece ser desproporcional.
E a Dilma caiu porque o TCU disse que ela cometeu pedaladas… Quer dizer, esse foi o pretexto.

Os próximos

Padilha está naquela situação do jogador caído, que o juiz espera que se levante pra aplicar o cartão vermelho. Padilha está apenas demorando pra se levantar, mas já foi abandonado até pelos companheiros de time.
Depois do Padilha, podemos fazer apostas pra ver quem será o próximo. Moreira Franco é meio óbvio, está no ponto. É o melão da feira, todo mundo dá uma apalpada pra ver se ficou maduro. Este também vai.
No fim, antes da queda do Jaburu inteiro, vai sobrar, por incrível que pareça, apenas o Mendoncinha.

O pacote e a mula

Terminou o Carnaval, finalmente terminou 2016, não há mais desculpa da imprensa para abordagens superficiais da história do pacote do Padilha.

A partir de hoje, as equipes de elite dos grandes jornais devem ser mobilizadas para que sejam esclarecidas as histórias do pacote da Odebrecht e da mula José Yunes.

Jornais que conseguem colocar dezenas de repórteres atrás da Ivete Sangalo podem acionar seus times para assuntos mais sérios.

É a hora de sair atrás do trio elétrico do PMDB, a não ser que o jornalismo esteja com medo de algum fio desencapado.

A mula

Essa história da mula do PMDB reafirma o caráter da direita. José Yunes, o amigo do homem do Jaburu, que diz ter sido usado como mula por Eliseu Padilha, está atirando em velhos parceiros. É o que eles fazem na hora do desespero.

Yunes é um dos melhores amigos do homem do Jaburu. Mas não poupa o amigo no poder para poder atirar em Padilha e vingar-se de algo que até agora ninguém entendeu direito.

A direita troca delações com facilidade. Agora, tem outro amigo do doleiro Lucio Funaro, o empresário Alexandre Nargotto, delatando o cúmplice.

Funaro é apontado pela mula Yunes como o sujeito que levou o envelope com dinheiro ao seu escritório, a pedido de Padilha. Mafiosos de direita entregam na boa. O roteiro quase sempre tem traição.

O que surpreende no caso do pacote do Padilha é a pressa da imprensa amiga em detonar o ministro. O que uma certa imprensa pediu e não levou do Jaburu?

Traições no Jaburu

Por que José Yunes, grande amigo do homem do Jaburu, decidiu abrir a boca e se queixar de que foi usado como mula por Eliseu Padilha? Porque, me disse um entendido em finanças partidárias, alguém ou alguns podem ter sido logrados nessa história.

Yunes disse ao Ministério Público que em 2014 recebeu um pacote, onde estaria o dinheiro destinado pela Odebrecht a Padilha.

O próprio Padilha teria pedido que Yunes recebesse a encomenda (R$ 1 milhão de um total de R$ 4 milhões que a empreiteira destinaria diretamente a Padilha, conforme fora acertado num jantar de Marcelo Odebrecht com o homem do Jaburu e Padilha, no Palácio do Jaburu, em maio daquele ano).

Yunes conta que não abriu o pacote destinado a Padilha, mas acha que ali estava o dinheiro. Isso ele disse ao Ministério Público. Ao Jornal Nacional, ontem, ele reduziu o pacote para envelope. E disse que não teria como alguém colocar R$ 1 milhão no envelope.

O que pode ter acontecido? Yunes pode ter enviado a Padilha apenas uma parte do que recebeu. E disse que aquela era a grana e pronto. Esse meu informante acha que Yunes logrou Padilha. Como Padilha deve ter reclamado muito, Yunes abriu a boca e o delatou.

Tem mais. O delator Cláudio Melo Filho, executivo da Odebrecht, participante do jantar no Jaburu em maio de 2014, diz que Padilha deveria destinar R$ 1 milhão (dos R$ 4 milhões) a Eduardo Cunha. Mas Cunha reclamou aos berros à Odebrecht que nunca viu o dinheiro. Esta informação consta da delação de Melo.

Meu informante interroga-se sobre um dos mistérios: o pacote (ou envelope) seria para Eduardo Cunha? Mas por que o emissário, que leva a encomenda a Yunes, a pedido de Padilha, é Lúcio Funaro, homem de confiança de Cunha?

E por que o pacote teve de chegar antes a Yunes para depois chegar a Padilha? Por que Padilha não queria deixar rastros como recebedor da encomenda?

O que se sabe ao certo é que o homem do Jaburu, como vice-presidente da República, mordeu Marcelo Odebrecht em R$ 10 milhões para o PMDB, naquele jantar, e orientou que Padilha recebesse diretamente R$ 4 milhões.

Mas, mesmo que o envelope de Yunes tivesse R$ 1 milhão, ainda faltam R$ 3 milhões.

A minha fonte entendida em finanças de partidos me assegura: Yunes abriu a boca, correndo o risco de envolver o grande amigo do Jaburu nesta suruba, porque o rolo havia se tornado insuportável. A história do pacote e da mula é, com certeza, uma história de traições.

O pacote do Padilha

Uma das histórias mais fantásticas da Lava-Jato é a de José Yunes, grande amigo do homem do Jaburu. Em 2014, ele participa de uma reunião no palácio, com o então vice-presidente da República, mais Eliseu Padilha e Marcelo Odebrecht.

É quando, segundo delação de um executivo da empreiteira, o homem do Jaburu morde Marcelo. O empreiteiro promete dar R$ 10 milhões para a campanha do PMDB, e fica acertado ali que R$ 4 milhões irão direto para Padilha.

Yunes contou agora ao Ministério Público, com ar sério, que dias depois ouviu por telefone um pedido de Padilha para que recebesse um pacote. Ele recebeu a encomenda em seu escritório, levada por uma mula, e depois passou o pacote adiante para Padilha.

Yunes, que estava na reunião com Marcelo e ouviu a conversa e a mordida do homem do Jaburu, diz até hoje que nunca desconfiou do que havia no pacote.

O pacote era para Padilha, para quem Marcelo prometera R$ 4 milhões. E Yunes, que assistiu toda conversa, acha que o pacote poderia ter cartões de visita (para mil reencarnações de Padilha).

E ninguém sabe por que R$ 6 milhões foram direto para o PMDB e R$ 4 milhões para Padilha. E onde foi parar o pacote?

Cada um com seu conto do pacote…

 

Padilha no Extra

Flávio Ilha e Maria Lucia Sampaio me alertaram e eu corrijo aqui. Quando disse que a imprensa gaúcha não trata do processo do Eliseu Padilha envolvendo uma suspeita consultoria para a Ulbra, cometi o erro de ignorar uma reportagem de junho do ano passado da grande repórter Naira Hofmeister no Extra Classe.
Mas mantenho o que minha nota no blog teve como intenção: a dita imprensa ‘independente’ gaúcha não dá muita bola para assuntos bem complicados como este. Nem vai dar.
Meu erro foi não conhecer a reportagem da Naira. Peço desculpas e compartilho o link:
http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2016/07/caso-ulbra-becker-e-padilha-dao-versoes-diferentes-para-consultoria/