COLABORACIONISTAS

Diplomatas estão sendo submetidos à humilhação que o bolsonarismo impõe há muito tempo a servidores de todas as áreas do governo, principalmente da educação e do meio ambiente.

É constrangedor para o Itamaraty que funcionários de carreira aceitem treinar Eduardo Bolsonaro para a sabatina no Senado. O jornalista Guilherme Amado conta que o filho do homem passa por aulas intensivas de decorebas, para saber mais sobre o Brasil e as relações ditas internacionais.

É mais do que um mico, é um vexame. Diplomatas devem compartilhar conhecimentos e informações. Mas treinar um sujeito sem qualificação para que enfrente uma prova no Senado?

Os diplomatas estão preparando o filho de Bolsonaro como quem prepara um calouro para o programa do Sílvio Santos?

Servidores do próprio Itamaraty devem ser os primeiros a reagir. Se ficarem calados, como têm ficado muitos funcionários de outras áreas, estarão sendo coniventes com a subserviência a uma farsa.

O bolsonarismo conseguiu cooptar servidores da educação e do meio ambiente para levar a diante a perseguição e a destruição da estrutura de ensino, aprovar agrotóxicos no atacado e consagrar a omissão como prática diante dos crimes contra florestas, rios e índios.

Sem essa de que trabalham sob pressão. Sob pressão mesmo estão os fiscais do Ibama abandonados por Bolsonaro na Amazônia. Servidores da estrutura de Brasília têm a obrigação de reagir, como muitos bravos têm feito.

Faltava a diplomacia ser prestativa e conivente com a família que tomou o poder. Diplomatas que treinam o fritador de hambúrguer serão cobrados pelo que fizeram.

O SURTO AGORA É INTERNACIONAL

O mais impressionante é que o filho de Bolsonaro se considera mesmo apto a ocupar a mais importante embaixada do Brasil. Com a maior naturalidade.
E na cabeça do Bolsonaro pai, a diplomacia chegaria à perfeição se os filhos dos presidentes, e não os diplomatas, ocupassem as embaixadas.
A discussão sobre nepotismo nem é a mais relevante agora, apesar de aparecer em todas as notícias. Essa questão, se um filho pode ou não ser embaixador nomeado pelo pai presidente, só deveria ser abordada se a primeira grande dúvida estivesse desfeita.
E a primeira dúvida é se o rapaz tem condições de ser embaixador e chefiar diplomatas de carreira que estudaram para fazer mediação, para negociar, para ouvir e ceder, e não para gerar conflitos.
Eduardo Bolsonaro é um propagador de ódios, desconfianças e afrontas, não tem nada do caráter da diplomacia, sem falar nos requisitos técnicos.
Se não entende nem respeita a linguagem de uma conversa cotidiana da política, como o filho do homem poderá querer entender a linguagem complexa da diplomacia?
Alguém tem que impedir que mais essa loucura se concretize. O surto de toda a família era doméstico. Agora é caso internacional.