Pior do que em 64

Do grande Flávio Koutzii, militante de esquerda, perseguido, preso e torturado, em entrevista a Marco Weissheimer no Sul21, para quem ainda duvida do tamanho do terror que estamos vivendo:
“Hoje é muito pior do que em 64. Naquela época, o inimigo era bem identificado, muitos vestiam uniforme. Hoje pode ser o vizinho de baixo. Em 64, o problema era com os “comunas”, os guerrilheiros. Hoje, homossexuais estão sendo perseguidos e atacados nas ruas. O racismo também está à solta. Não tem comparação, o que é algo horroroso de dizer”.
(Eu concordo com tudo, mas tudo mesmo que Flávio sempre diz, o que me oferece algum conforto nesses tempos em que tantas opiniões nos deixam tão desconfortáveis.)

Flavio Koutzii: “A democracia acabou. Eu me sinto hoje um exilado no Brasil”

Jornalismo faturado

Reproduzo aqui uma pergunta que li hoje em entrevista com Geddel Vieira Lima, ministro da Secretaria de Governo do interino.

Está e a pergunta:

“A fatura do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff está liquidada?”

É uma pergunta de alguém de jornal do PMDB a um ministro do partido, certo? Ou de algum estudante descolado?

Não, a pergunta está na entrevista que os repórteres Gustavo Uribe e Gabriel Mascarenhas, da Folha, fizeram com Geddel.

É uma pergunta de acordo com a linguagem de alto nível do entrevistado de alto padrão. Fatura liquidada…

Mas que parece não estar de acordo com o padrão da própria Folha, por maiores que sejam as restrições ao jornal que esconde pesquisas.

Se eu tivesse feito uma pergunta desse nível, quando era foca da Gazeta do Alegrete, não teria ido adiante.

Mas então tá… o impeachment é uma fatura que já foi liquidada. As perguntas do grande jornalismo faturado ficaram muito estranhas com o golpe.