Vik Muniz e o filho do homem

Um texto de Vik Muniz para Eduardo Bolsonaro, publicado no Facebook. Um dos maiores artistas brasileiros dá nos dedos do filho do vizinho de Ronnie Lessa. E diz que não precisou do pai para crescer na vida.
“Eu vivi ilegalmente nos Estados Unidos por seis anos, trabalhando por uma fração do salário mínimo e sendo constantemente chantageado por patrões exploradores. Eu fiz isso para pagar dívidas de família e ajudar meus pais. Hoje sou representado como americano nos mais importantes museus do mundo, inclusive na embaixada Americana em Brasília. Eu fui obrigado a sair do Brasil por não ver nenhuma condição de desenvolvimento pessoal aqui durante a ditadura. Foi justamente por causa de demagogos baratos como Eduardo Bolsonaro que eu sim, vergonhosamente, fui obrigado a viver longe da minha família para poder ajudá-la. O senhor Bolsonaro devia se envergonhar de um contexto político que propicia tal diáspora e não de pessoas honestas tentando sobreviver em países mais justos do que o que nasceram. Pode ter vergonha de mim, Eduardo Bolsonaro. Meu pai, que nunca precisou me ajudar, não tem. As pessoas vivem no mundo que elas constroem dentro de si mesmas. Eu sinto pena de quem vê o próprio conterrâneo através dessa ótica tacanha e mendicante e se imagina sóbrio o suficiente para imaginar tais asneiras como capital político”.

O exílio

Márcia Tiburi também decidiu ir embora por não suportar as ameaças que sofria no Rio. A professora e escritora está morando em uma universidade (ela não diz onde) do nordeste dos EUA.
Li agora na revista Forum o que ela disse: “Eu não podia ir a uma padaria, recebia ameaças de morte, não dava para viver assim”.
Márcia teve a coragem de disputar a eleição ao governo do Rio, quando todos sabiam que não teria chance.
Mas a bravura não é para quem acha que tem chances, é para quem acredita que pode, mesmo sendo derrotado, ajudar a construir resistências e dar um passo adiante.
Que resista lá fora do jeito que for possível. Buscar o exílio também é um jeito de resistir.

OS MIGRANTES E A FARSA DAS LIBERDADES

Prestem atenção nessa história escabrosa. O governo criou uma lista negra de jornalistas que acompanham caravanas de migrantes. Tudo sob controle de um grupo de arapongas da chamada Unidade de Cooperação Internacional.
O objetivo é cuidar os passos não só dos migrantes miseráveis, mas dos jornalistas que cobrem suas lutas e suas caminhadas.
Descobriu-se que 10 jornalistas têm dossiês elaborados pelos arapongas com detalhes de tudo o que fazem.
Os dossiês têm fotos, datas de nascimento, descrições do trabalho realizado pelos monitorados e informações sobre detenções e interrogações anteriores.
São migrantes e jornalistas monitorados e fichados. Está contado em reportagem da Folha, com dados obtidos pela rede de TV NBC.
Onde acontece isso? Na Venezuela de Maduro, patrulhada pelas ‘liberdades’ dos Estados Unidos de Trump?
Não. Nos Estados Unidos do fascismo de Trump, que controla a vida de migrantes da América Central e de jornalistas que tentam entrar no México e nos Estados Unidos.
Controlam a vida de quem toma a estrada para tentar fugir da miséria e de quem acompanha esses miseráveis como jornalista para contar suas jornadas de sofrimento e frustração.
Essa é a democracia que pretende continuar patrulhando o mundo e declarar guerra à Venezuela com a ajuda de Bolsonaro.

Especialista em pedido de recontagem

A situação mais previsível da eleição americana, a partir do anúncio dos resultados, é a negação da derrota por Donald Trump. Já está mais do que previsto que ele irá apontar fraudes na eleição.

Por isso já especulam nos Estados Unidos que o pedido de recontagem de votos pode partir do Brasil, do gabinete de Aécio Neves. Pela experiência no assunto e pelas afinidades dos tucanos com os republicanos – não só no sentido ideológico, mas pelo fato de que são perdedores crônicos de eleições presidenciais.

A única diferença fundamental é que lá, se falhar o pedido de recontagem, fica difícil aplicar um golpe.