O INCIDENTE DE MORO

O ex-juiz Sergio Moro disse que o assassinato de um trabalhador negro no Rio, executado com 80 tiros disparados por soldados do Exército, foi um incidente.
“Foi um incidente bastante trágico. Lamentavelmente, esses fatos podem acontecer”, disse Moro em entrevista a Pedro Bial. Não vi a entrevista, mas depois fui ver o vídeo. A frase está lá.
Incidente e lamentável são palavras que se prestam para qualquer situação. Um gol perdido pelo Grêmio é lamentável. Um acidente é um incidente. A perda de alguém é lamentável.
Um golpe, a eleição de um fascista. Tudo pode ficar na condição de incidente lamentável. Mas um golpe e o poder exercido por um fascista são bem mais do que isso.
Um crime como o que aconteceu no Rio também. Um crime não pode ser visto apenas como algo lamentável. Muito menos como incidente.
Um crime precisa ser definido como crime. Foi um assassinato. Dizer que foi lamentável é quase como não dizer nada.
O que aconteceu no Rio foi um crime, uma barbárie. E por que o ex-juiz não disse que foi um crime? Porque o ex-juiz não tem provas.
O ex-juiz deve querer provas de que o trabalhador foi executado pelos soldados que dispararam 80 tiros por engano. Porque o ex-juiz só trabalha com provas robustas.

Bombas seletivas

Fico sabendo que bombas de gás poupadas contra os fascistas anti-Lula estavam guardadas para reprimir moradores do condomínio Princesa Isabel, em Porto Alegre.
Os moradores, tudo gente pobre, não jogaram pedras nem deram relhaços em ninguém. Nem jogaram cavalos em cima de mulheres.
Apenas queimaram pneus no meio da rua no sábado à noite em protesto contra a morte a tiros, dentro do condomínio, de um jovem suspeito de envolvimento em um assalto.
Os moradores reagiram fazendo o protesto. Várias pessoas ouvidas por jornalistas acusam a Brigada de execução do rapaz, que não teria reagido à perseguição até o pátio do Princesa Isabel.
A repressão a queimadores de pneus sabe usar os recursos que tem. E há condomínios e condomínios. O rapaz seria morto se morasse em outros lugares mais ‘nobres’?
E os moradores? Os moradores que se protejam como puderem do Estado que deveria protegê-los da mesma forma como protege mandaletes de arremedos de fazendeiros e assemelhados.