BAFO NA NUCA

Os jornais dos golpistas bolivianos estão ouriçados. Evo Morales irá se asilar em San Ramón de la Nueva Orán, no norte da Argentina, a apenas 50 quilômetros da fronteira com a Bolívia.
O asilo é para Morales, seu vice, Álvaro García Linera, e mais 12 pessoas. O golpe na Bolívia não sairá tão barato como saiu aqui.

Morales resiste

Evo Morales desembarca no México e fala das atrocidades dos golpistas e anuncia que não desistirá da luta.

Así fueron las primeras palabras de Evo Morales al aterrizar en México luego de recibir asilo político por cuestiones humanitarias

▶ "Estamos muy agradecidos porque el Presidente de México (López Obrador) me salvó la vida": Evo Morales, ex presidente de Bolivia, a su llegada al Hangar de la Sedena tras recibir asilo político por cuestiones humanitarias mile.io/2Kh16Fs

Publicado por MILENIO em Terça-feira, 12 de novembro de 2019

O exílio

Márcia Tiburi também decidiu ir embora por não suportar as ameaças que sofria no Rio. A professora e escritora está morando em uma universidade (ela não diz onde) do nordeste dos EUA.
Li agora na revista Forum o que ela disse: “Eu não podia ir a uma padaria, recebia ameaças de morte, não dava para viver assim”.
Márcia teve a coragem de disputar a eleição ao governo do Rio, quando todos sabiam que não teria chance.
Mas a bravura não é para quem acha que tem chances, é para quem acredita que pode, mesmo sendo derrotado, ajudar a construir resistências e dar um passo adiante.
Que resista lá fora do jeito que for possível. Buscar o exílio também é um jeito de resistir.

Serra, o valente

Depois de sugerir que havia sérios riscos de um conflito com a Bolívia, o chanceler José Serra enfrenta agora o perigoso Uruguai.

A diplomacia brasileira da turma do interino vai mostrando uma face de envergonhar a história do Itamaraty. Mas é assim que finalmente alguns entendem como o tucano chanceler sobreviveu por anos como sendo de esquerda (como o patético Cristovam Buarque), quando é na verdade um reacionário dissimulado.

Vou contar de novo, porque não custa nada, que Serra retornou ao Brasil dois anos antes da anistia de 1979. Se fosse de fato um exilado com um mínimo de importância, não teria o peito de voltar antes.

O perfil de Serra no Wikipedia omite este detalhe de que ele desfilava por aí, numa boa, enquanto verdadeiros exilados não poderiam nem mesmo considerar a hipótese de retornar ao país.

Se o tucano representasse qualquer possibilidade de ameaça ao regime, ele voltaria, seria preso e, quem sabe, torturado e morto, como aconteceu com muitos dos que desafiaram a ditadura.

Serra voltou, passou a dar aulas na Unicamp e passeava com o cachorrinho pela Avenida Paulista. Nunca ninguém o incomodou. Serra era um esquerdista manso, inofensivo, não era nada. Os militares o ignoravam.

É por isso que ninguém deve se surpreender quando ele chama o embaixador do Uruguai, para que dê explicações sobre as declarações do governo de Tabaré Vásquez de que o Brasil joga sujo e chantageia os parceiros para fragilizar a Venezuela no Mercosul.

De briga em briga com nossos vizinhos, só falta o valente Serra declarar uma nova Guerra do Paraguai. É destemido esse José Serra.