A Justiça tomada

Não se impressionem com o que acontece no TRF4, onde até a literatice foi rebaixada. As próximas gerações do Judiciário e do Ministério Público serão ainda mais submissas às orientações de uma direita tomada pela extrema direita.

É só conversar com juristas que pressentem o que vem aí. A realidade que nos espera mais adiante, e daqui a pouco, é mais assustadora.

Hoje, ainda temos focos de resistência, como demonstram os promotores que lutam bravamente contra a manipulação do caso Queiroz-Flavio Bolsonaro no Rio e os policiais que resistem às tentativas de Sergio Moro de desmonte das investigações do assassinato de Marielle.

Mas é provável que daqui a pouco esses focos, visíveis em outros casos, sejam tão insignificantes, em termos numéricos, que não haverá mais nada a fazer.

Vozes como a do desembargador Rogério Favreto, solitário contra o reacionarismo de baixa qualidade do TRF4, não mais serão ouvidas. Já sabemos que serão extintos também os últimos focos de resistência no Supremo.

Erram, e erram muito, os que se agarram a questões aparentemente “técnicas” para entender o que levou o TRF4 a afrontar o Supremo no caso do sítio de Atibaia. A afronta não é técnica. É cada vez mais política, é ideológica, estúpido.

O MP e o Judiciário, junto com as polícias, caminham para o fundamentalismo. Teremos réplicas de Moros e Dallagnóis por toda parte. É o que as ignorâncias disseminam como modelo.

O sistema de Justiça está deixando de ser apenas conservador, seletivo e punitivista de inimigos da esquerda, pobres e negros para ser assumidamente de extrema direita.

OLÍVIO E O LODO DO REACIONARISMO

Escrevi ontem sobre a disseminação das ideias da extrema direita no Estado (o texto está logo abaixo).
Publiquei o mesmo texto no Facebook. Um dos comentários a respeito do fenômeno do bolsonarismo foi feito pelo ex-governador Olívio Dutra.
Mestre Olívio é uma referência para todos nós e por isso faço questão de compartilhar aqui suas observações feitas lá no Face.
Eis o que Olívio escreveu:
“Esse lodo estava se depositando no fundo do lago e nós nadávamos despreocupados sem colocar os pés no chão. Nossa despreocupação com o que produziram os 21 anos de ditadura no inconsciente popular e nossa empolgação com políticas sociais de governo de grande potencial de inclusão de famílias pobres nos neutralizaram para insistir em políticas de Estado que avançassem em reformas estruturais, como a rural, urbana, política e tributária. Nas primeiras pisoteadas do bolsonarismo nesse fundo, todo o entulho autoritário não removido veio à tona. A retomada de um sentido virtuoso vai ser longa e demorada e passa pelo enfrentamento ao fascismo em todas suas arestas e o resgate da Democracia vilipendiada e seu aperfeiçoamento. A luta não é pequena, mas por isso vale a pena”.

Terra da extrema direita

Porto Alegre é a capital com o maior número de painéis (sem assinatura dos autores) de apoio à campanha antecipada e descarada de Sergio Moro.
O Rio Grande do Sul é o Estado que terá o maior número de escolas militarizadas do Abraham Weintraub.
Tinga já disse, com autoridade, que esse é também o Estado mais racista do Brasil.
O RS terá em pouco tempo o maior número de lojas de bugigangas chinesas do véio da Havan.
Por machismo, por acharem que as mulheres devem ficar em casa cuidando dos filhos, temos o menor índice de creches do Brasil.
Somos um dos Estados mais armados. Somos exportadores de bravateiros reacionários para todas as regiões do país, não só em áreas rurais, mas também urbanas.
Porto Alegre já foi o lugar de se pensar coletivamente que um outro mundo é possível. Hoje, temos uma posição privilegiada como modelo de bolsonarismo de bombacha a toda Terra.
Os fascistas conseguiram. Essa é hoje a nossa fama.

O MODELO TABATA

Por que estão falando tanto da deputada Tabata Amaral? Porque ela é uma das novas celebridades de política. Não adianta querer falar dos “outros” deputados presumivelmente de esquerda que votaram pela reforma da previdência. Eu não sei quem são os outros. Ninguém sabe.

Mas todos nós sabemos quem é Tabata, ou quem poderia ter sido. Não há nada contra as mulheres. Não é nada disso, não caiam na armadilha de ver machismo nas críticas à Tabata, não se protejam nesse recurso. Fica chato.

A deputada está na vida pública, tomou uma decisão considerada controversa como parlamentar do PDT e agora se submete ao debate. Assim funciona a política.

Não é linchamento. Não subestimem a capacidade de reação da pedetista, nem tratem Tabata como uma adolescente indefesa.

A questão é que Tabata Amaral não é apenas uma deputada do novo centro, ou do novo liberalismo brasileiro. Ela se afirma como um modelo.

O modelo Tabata vai estourar mesmo nas eleições municipais. O empresariado que financiou políticos com esse perfil, já na última eleição, jogará pesado no ano que vem.

As câmaras de vereadores estarão lotadas de Tabatas. Muitas assembleias estaduais já têm gente com essa pegada, todos financiados pelo empresariado. Pois teremos mais.

O que vem aí com força é essa direita dita esclarecida, camuflada num centro que na verdade não existe. Uma direita fofa, avançada em relação a costumes, questões ambientais e outros temas, que aborda bem os impasses da educação, mas que é reacionária diante das grandes questões políticas e econômicas e dos movimentos sociais.

Por isso, na votação da reforma da previdência, o que interessa é apoiar o esforço fiscal. Não interessa se a reforma vai punir os mais pobres. Mas Tabata ama os pobres.

Hoje, a Folha traz uma matéria sobre o fortalecimento dos lastros orgânicos da direita em São Paulo. É gente nova que se acomodou nas assessorias dos partidos e inclusive nas estruturas de gestão da prefeitura e do governo do Estado e que se organiza nas redes sociais de uma forma que só a direita sabe fazer.

Um exemplo seria o Direita SP (DSP), um movimento que pretende se transformar em partido e que se alastra pelo interior paulista.

É gente com muito apoio empresarial. Como diz meu amigo Suimar Bressan, não há democracia que aguente essa dinheirama dos Jorges Paulos Lemanns e suas cervejarias. Não há como enfrentá-los.

E a esquerda? A esquerda cai todos os dias do caminhão de mudança.

A DIREITA SEM CULPAS

Parem de dizer que os eleitores de Bolsonaro irão se arrepender mais adiante. Ninguém da direita se arrepende de nada.
Os que apoiaram o golpe de 64 não se arrependeram (no máximo emitiram notas pedindo desculpas cerimoniosas). Nem os que votaram em Collor. Muito menos os que bateram panelas.
Vocês não conhecem ninguém entre parentes, amigos, colegas, vizinhos que tenha ouvido dizer que alguém mais antigo se arrependeu de alguma coisa desde a ditadura.
Não acreditem que uma explosão de violência, seja qual for o resultado da eleição, provoque algum constrangimento na direita. Eles vão dizer que ninguém mais controla ninguém, como diziam na ditadura.
Não espere nenhum gesto grandioso de quem vota em Bolsonaro. Espere, sim, de quem chegou a vacilar e pensou melhor. E muitos estão pensando e reavaliando apoio ao candidato do extremismo.
Mas não confie em quem foi adiante e irá fazer no segundo turno o que fez no primeiro, e com convicção.
Eles cobram arrependimentos das esquerdas. Mas nunca se arrependem de nada. É do caráter dos apoiadores de golpes e de adoradores de torturadores.
Nem nas confissões protocolares das missas de domingo um apoiador de discursos e ações da extrema direita admite seus erros. Eles se engasgam com as hóstias, mas sempre sem culpas.

Fascistas importados

Já ouvi comentários nesta linha: a presença de elementos da extrema direita paulista, importados para uma certa campanha em Porto Alegre, faz parte da democracia.
Faz se estiverem de acordo com o que o próprio exercício da democracia exige. Se não estiverem, como há indícios de que não estão, são apenas fascistas conspirando contra a democracia que alegam defender.
Fascistas não entendem nada de democracia. A extrema direita gaúcha deveria esclarecer por que teve de importar gente e terceirizar suas atividades mais escabrosas.
Faltam fascistas gaúchos com coragem para fazer o serviço sujo?

O avanço da extrema direita

A reportagem do Fábio Schaffner, que li agora na Zero online, tem todos os elementos para que se conclua: a direita extremada pode estar passando dos limites em Porto Alegre.
A matéria é sobre o que vinha ocorrendo com Plínio Zalewski, o coordenador do plano de governo de Sebastião Melo à prefeitura, encontrado morto esta semana.
A sequência de fatos relatados pelo Fábio é preocupante. A suspeita é de que Zalewski havia sido cercado por uma certa militância radical e com crueldade.
Vão dizer, como parece que já andam dizendo, que estão explorando politicamente uma tragédia. Mas é preciso entender o que vinha acontecendo. E, pelo que li, o que vinha ocorrendo é grave.
A Polícia precisa esclarecer também quem são e o que andaram e andam fazendo em Porto Alegre os militantes da extrema direita que teriam sido importados de São Paulo para participar da campanha do candidato que anda.
A extrema direita desembarcou em Porto Alegre nessas eleições, para se aliar à direita dissimulada e fofa. Se deixarem, as duas podem chegar ao poder municipal. Exagero? Então tá.