FASCISTAS

Pra ir dormir pensando nos que não se submetem ao poder da direita no Judiciário. A juíza Marcela Dias de Abreu Pinto Coelho, da Segunda Vara do Juizado Especial Cível de São Paulo, negou um pedido de reparação por dano moral do agora deputado Kim Kataguiri contra o jornalista Altamiro Borges.
Borges chamou Kataguiri de fascista. A juíza defendeu a liberdade de expressão, a partir de um argumento exemplar: se há coerência entre a definição de fascista e as ideias defendidas por Kataguiri, onde estaria a ofensa? O deputado queria embolsar R$ 30 mil.
O professor e historiador Tau Golin enfrenta processo semelhante de um sujeito de Passo Fundo que se considera ofendido pela mesma definição.
Se todos os fascistas juramentados ou encabulados decidirem processar quem os acusa de fascismo, a Justiça para e não faz outra coisa. Os fascistas deveriam ser mais vaidosos e assumir que são fascistas.

A FERRAMENTA DO FASCISMO

Hoje, o Facebook tirou do ar mais 68 páginas irregulares que distribuíam conteúdos bolsonaristas. Com a ação do Facebook e do WhatsApp, que identificam e combatem fraudes antes das autoridades, fica claro que a disseminação de informações falsas dispõe de um dado da realidade para prosperar: a ignorância.

A campanha da extrema direita é baseada na possibilidade de fraude, com mentira, difamação, calúnia. Se isso vai adiante é porque receptores dessas ‘notícias’ acreditam no que leem, ouvem e veem.

A fraude da quadrilha de empresários do WhatsApp só existe porque as pessoas são crédulas e estão vulneráveis. Ninguém está chamando ninguém de ignorante, mas é preciso admitir que há pessoas, e muitas, sob estado de ignorância.

Se essa realidade não existisse, a fraude não existiria, as queixas do PT não existiriam, nada teria sentido. Se o PT diz que a fraude é nociva, é porque alguém sofre seus danos.

As ignorâncias, que assimilam as crueldades da classe média encarregada de mentir e manipular, explicam porque Bolsonaro passou do teto dos 18% (em que se manteve por meses) e reduziu a sua rejeição.

Por isso Bolsonaro é também o fenômeno de um Brasil que as esquerdas muitas vezes se negam a admitir que existe. As mentiras da quadrilha do WhatsApp só existem porque alguém acredita no que elas fazem. É muita gente. São milhões.

Nunca foi tão fácil espalhar mentiras. Porque no WhatsApp as frases são curtas, com palavras de ordem, baixarias, sensacionalismo, difamação. Tudo é simplificado.

As esquerdas não souberam lidar com isso porque não há como competir em igualdade de condições. As frases das esquerdas são longas e complexas.

As esquerdas ficam nas suas bolhas no WhatsApp, a direita não (sim, há exceções, mas não vamos falar aqui de exceções).

A extrema direita se expande via WhatsApp em direção ao centro e à direita, ao indeciso, ao sem lado, tanto que de 18% de preferência Bolsonaro cresceu para mais de 50% nas pesquisas.

A extrema direita captou não só os ódios, os ressentimentos, as perdas, mas também as ignorâncias.

Já são muitas as análises que creditam às mensagens da extrema direita no Brasil o grande fenômeno virtual desde a primeira eleição de Obama.

São mensagens, áudios e vídeos disparados pela gangue de empresários, mas também por engenheiros, estudantes, médicos, professores, nossos amigos, nossos parentes, nossos vizinhos, pais, irmãos.

O WhatsApp é no Brasil o meio certo para quem não quer pensar muito, em qualquer área. É a mais fantástica ferramenta a serviço do fascismo.

TAU GOLIN E OS FASCISTAS

Tem quem ache que o fascismo é uma manifestação sempre graúda. Não, ele é também miúdo, de varejo, raso, sorrateiro. O professor, jornalista e historiador Tau Golin denunciou a ação dos fascistas de Passo Fundo e foi processado sob a alegação de dano moral.
Tudo porque os identificou como fascistas. Todo fascista, graúdo ou miúdo, mas principalmente o miúdo, acha que é tudo na vida, menos fascista. O fascista não se admite nem mesmo como um sujeito de direita. O fascista acha que é apenas um liberal exagerado.
Pois Tau Golin enfrentou o processo, venceu em primeira instância (a defesa dele, de próprio punho, é uma aula) e enfrenta agora o recurso em segundo grau. O que pode acontecer? Eu torço para que a democracia vença e que os sujeitos que incorporam a defesa de autoritarismos e atos violentos assumam o que são.
Não dou nomes, porque não darei vitrine para quem não se reconhece olhando-se no espelho, ou finge não se reconhecer.
Espero que Tau Golin vença essa investida de representantes da república do relho. Conversei com ele esses dias por telefone. Está tranquilo. Tem, é claro, o meu apoio, o que pode não significar nada, mas é o que tenho a oferecer.
Um historiador deste tamanho sabe bem que a democracia e a História se encarregam, em algum momento, de cuidar desses trastes.

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Os ancestrais bandidos do fascista antilulista

Muitos racistas que atacam Lula para atacar negros e pobres descendem de presidiários que chegaram aqui como os primeiros colonos. E a maioria dos fascistas herdou o sangue de gente que a Europa refugou como os miseráveis do capitalismo.

É o tema do meu novo artigo no jornal Extra Classe online:

http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2018/03/os-ancestrais-bandidos-do-fascista-antilulista/

 

As hienas se refestelam

A democracia deve saber se defender dos jagunços da direita, que hoje levaram uma tunda política dos municipários no centro de Porto Alegre. Violentos, agressivos, provocadores fascistas pedem uma reação mais forte de vez em quando.
Eles vêm se refestelando desde a campanha da eleição municipal e cresceram com o golpe. A tática é espalhar o medo. Uma postura pretensamente pacifista, à la Gandhi (um dia vou escrever sobre isso), diante desses agressores é politicamente equivocada.
Por isso merece respeito a valentia dos municipários no enfrentamento do grupo da direita na frente da prefeitura.
Em algumas circunstâncias, as agressões (inclusive físicas) promovidas por esses reaças armados com cassetetes não pode ser respondida com conversinhas e notinhas como aquela do PT a respeito da Miriam Leitão.
Os jovens devem se inspirar nos que não temeram o terror da ditadura. Não há como recuar diante das ameaças do fascismo que vem circulando muito à vontade em Porto Alegre.

Fascistas

Os fascistas que atacam pela internet a juíza do trabalho Valdete Souto Severo, que mandou suspender as demissões nas fundações ameaçadas de destruição pelo Estado, devem ser da mesma turma dos que há dois anos atacaram a juíza Carine Labres, que iria realizar os casamentos coletivos de gays e lésbicas num CTG de Livramento.
E muitos deles são da linha de frente dos que vestiram camisetas da Seleção, bateram panelas e pegaram carona na campanha moralista das pedaladas como pretexto para derrubar Dilma Rousseff.
A direita brasileira (e não é só a extrema direita) tem problemas sérios com as mulheres. E não são só os machos, não. As próprias mulheres da direita brasileira, adoradoras do Bolsonaro, têm problemas sérios com as mulheres.

O cidadão de bem

O personagem infame do ano foi a caricatura do cidadão de bem. O sujeito que, por definição, deveria incorporar as virtudes do brasileiro. A figura não é de 2016, mas nunca falaram tanto em nome do cidadão de bem.

Suas tias, seus primos, vizinhos e até colegas tiveram, em algum momento, o sentimento de que esses porta-vozes do cidadão de bem estavam falando em seu nome.

O porta-voz do cidadão de bem foi o sujeito falante do ano. Discursou em reuniões familiares, nas empresas, na internet e até nos parlamentos, em nome de uma classe média sempre ameaçada. Ele fez o contraponto barulhento ao silêncio de uma outra classe média encolhida e politicamente constrangida.

O porta-voz do cidadão do bem consagrou-se como o idiota lapidado. Ele é o inseguro e covarde que evoluiu como líder no grupo que frequenta (ao vivo ou nas redes sociais) com ataques e ofensas às mulheres (a deputada Maria do Rosário é a preferida dele) e a negros e pobres (invariavelmente vistos como bandidos em potencial), ao ProUni, às cotas, ao Bolsa Família.

O porta-voz do cidadão de bem também falou em nome das leis, da moral, da ordem e das armas e muitas vezes em nome das religiões. Ele também é pobre, às vezes um pobre em ascensão, mas é essencialmente o imbecil de classe média que se considera parte de uma elite esclarecida.

O homem que falou em nome do cidadão de bem para atacar qualquer ação humanista que considera de esquerda é a cara do Brasil que ficou mais estúpido, preconceituoso, fascista e golpista em 2016.

Em 2017, esse macho autocentrado, violento e sem limites não pode continuar prosperando. Este é o ano para que o Supremo faça andar o processo contra o ídolo dos cidadãos de bem, o homem que se vangloria de ser estuprador.

2017 deve ser o ano da cassação do mandato de Bolsonaro, o guru dos que falam em nome dos cidadãos de bem. E deve ser também o ano em que agressores que imitam Bolsonaro, mesmo os virtuais, não mais continuarão impunes.

Exemplares deste autoproclamado cidadão de bem fazem parte das melhores famílias. O brabo é que sabemos que alguns deles podem, daqui a pouco, nos desejar um Feliz Ano Novo com figurinhas de taças fazendo tim-tim.

(Na tirinha no alto, o valente Armandinho de Alexandre Beck)

 

Faroeste

A extrema direita que age no Paraná, como se fosse a policia, tentando retirar na marra os estudantes das escolas ocupadas, é a mesma que atua impunemente na campanha eleitoral em Porto Alegre.
A extrema direita tem certeza da impunidade. Porto Alegre virou um vilarejo de faroeste invadido por pistoleiros paulistas.
Os fascistas gaúchos terceirizaram o serviço sujo. E domingo o voto nulo completa o serviço.

Não subestimem os fascistas

Uma inquietação que merece uma resposta logo: quando a Polícia terá algo a dizer sobre os grupos de extrema direita que vieram de São Paulo para agir de forma criminosa em Porto Alegre?

Quem são esses grupos? Qual a relação dessas pessoas com a invasão de um prédio do PMDB? O que mais eles fazem além de disseminar ameaças?

Também a direita deve estar atenta ao que se passa em seu quintal em Porto Alegre, ou teremos aqui a proliferação do método Trump de fazer política.

A união da direita extremada com a direita dissimulada está produzindo o que Porto Alegre já teve de pior na política. Não subestimem os métodos dos fascistas.

E ainda tem gente que teme o PT…