ALÉTICA E DEÔNTICA

A coluna da Monica Bergamo está sensacional, com a reprodução de trechos da sentença que condenou Fernando Haddad pela acusação de caixa dois.
O que ela conta:
“A sentença do juiz Francisco Shintate, que condenou Fernando Haddad a quatro anos e seis meses de prisão por crimes eleitorais, tem mais de 500 páginas. O magistrado só começa a examinar o caso concreto na 361.
Nas páginas anteriores, ele fala sobre linguística — “veículo sígnico (o suporte físico), designatum ou significatum (a significação) e denotatum (o significado)” —, de lógica “alética e deôntica” e inclui citações de 50 páginas contínuas de trechos de livros.
O juiz chega a usar dezenas de fórmulas de lógica formal, como “(-q v -r –S)”. E esclarece: S é a relação processual entre “sujeito da relação primária e o Estado, titular do monopólio da coação”.
Enquanto isso, Onyx Lorenzoni, o caixa três, está solto e cuida do melhor sistema de esquartejamento para privatização da Petrobras.
A direita ocupou todas as áreas e está colocando fogo na Amazônica, na educação e no Judiciário.
Essa sentença parnasiana é mais um devaneio de alguém que teve frustrado o sonho de ser escritor ou professor. Mas no século 19.

História

Fernando Haddad na entrevista a Monica Bergamo na Folha:
“No dia da eleição, botei o CD do Renato Braz e ouvi “O Fim da História”, do Gilberto Gil. A letra fala do muro de Berlim, que foi construído e depois destruído, do Lampião, que era herói, virou demônio e voltou a ser herói. Fiquei emocionado de chorar. Poxa, estou vivendo o momento dessa música. Porque na política ninguém perde a guerra. Não existe a guerra, com começo, meio e fim. É só batalha. Uma atrás da outra”.

Tocaia

A GloboNews formou uma roda com sete jornalistas para cercar Fernando Haddad ontem. Ali é sempre assim, eu sei.
Mas existe em algum lugar um jornalismo com esse modelo, em que o entrevistado é cercado por sete inquisidores? Sete!!!
A tática é a mesma do futebol. Um faz a primeira falta no tornozelo, o outro vem e ataca com o cotovelo e depois surge mais outro, sempre tentando atacar pontos vulneráveis, em rodízio, para minar a resistência do adversário.
A GloboNews dos entrevistadores de olhos arregalados é uma patologia a ser estudada nas escolas de comunicação.
Que estudem também como a caça, no caso Haddad, conseguiu reagir com força aos ataques, como se tivesse sido tocaiado por hienas.
Haddad mostrou a cada um (com uma dose certa de ironia) que todos estavam despreparados para o cerco. E que todos eles contribuem, sim, para fomentar os ódios que dizem condenar.