Paris

A degradação intelectual de Fernando Henrique está nessa nota no Twitter:
“O Pr confunde os autoritarismos: chama os nazis de comunistas! O PT confunde Justiça com arbítrio, quer Lula livre, em vez do razoável, esperar os recursos preso em casa. Onde anda a sensatez? Sem ela a democracia é difícil. Não desistiremos. Água mole em pedra dura, bate, fura”.
Pr é uma a abreviatura de presidente… (Fernando Henrique parece querer desqualificar Bolsonaro, mas fica no meio do caminho com o deboche da abreviação sem sentido).
E essa da água mole é bem novinha…
A água mole não furou a corrupção no governo dele, porque nada é mais mole do que a Justiça para os tucanos.
E aindatem a deselegância de não largar o pé de Lula. FH hoje não é muito diferente de um bolsonarista antipetista. A diferença é que tem apartamento em Paris.

E O APARTAMENTO DE PARIS?

Fernando Henrique deu a terceira entrevista da semana, publicada agora há pouco na Folha online. Uma entrevista de 10 metros.
Sete metros são dedicados a falar mal de Lula, incluindo comentários com ironias sobre o tríplex e o sítio de Atibaia.
A entrevista foi dada a Fernando Grostein Andrade, que não sei quem é. Perdi meu tempo porque achei que em algum momento, como o homem só falava do tríplex, o tal Andrade iria perguntar sobre a história do apartamento de Paris.
Mas não. O repórter não encarou FH. A entrevista é uma conversa de compadres. Jornalista nenhum pergunta ao sinhozinho do PSDB sobre o apartamento de Paris. Só perguntam do tríplex.
Ah, dirão, mas não tem processo. Não tem mesmo. Tucanos com apartamento em Paris ou Belo Horizonte não enfrentam processos.
Tucanos já nascem com habeas corpus preventivo.

Imóveis

Como não tivemos transmissão direta, foi preciso imaginar as cenas de hoje à tarde na audiência em Curitiba. Em uma cena que eu imaginei, o juiz Sergio Moro tentava engrossar a voz e perguntava a Lula:
– O senhor roubou tudo o que dizem que roubou pra ter este tríplex no Guarujá?
E Lula respondia:
– Vocês não procuraram, mas eu também tenho um apartamento na Avenue Foch, em Paris, que eu coloquei no nome do Fernando Henrique Cardoso.

O sinhozinho da lista de Fachin

Aécio, Serra e Alckmin estão condenados a se transformarem nos primeiros zumbis tucanos. Até a imprensa amiga já anunciou que eles serão abandonados e trocados por Doria, o gari, porque agora é preciso ter um tucano novinho em folha.

Mas um tucano de bico lustroso e grandão, o patrono, o decano do PSDB, este é sempre poupado nos noticiários, pelos relevantes prestados ao vale tudo do liberalismo brasileiro. O tucano está na lista de Fachin, citado pelo dono da Odebrecht como beneficiário de caixa dois.

Sim, é ele mesmo, Fernando Henrique Cardoso. Em 1993 e 1997, FH recebeu dinheiro por fora para as campanhas à presidência. E não mandou pedir a ajuda a Emilio Odebrecht, não usou mandaletes.

Ele mesmo fez a encomenda. O empreiteiro relembra o que FH lhe disse certa vez, sem volteios: “Emílio, você pode me ajudar no programa da campanha?’ Isso ele pediu”.

E teve a ajuda, por dentro e por fora. Mas claro que FH não sabia do delito, porque tucano nunca sabe o que se passa com as suas finanças políticas.

O que Emílio não conta, mas já foi contado várias vezes, é que Fernando Henrique reuniu os grandes empresários, entre os quais empreiteiros citados na Lava-Jato como corruptores, antes de deixar o governo, em 2002, e pediu a eles, de presente, a sede do que viria a ser o Instituto FH.

Muitos jornalistas narraram o que aconteceu. Cito apenas dois deles, para que não digam que recorri a esquerdistas. Um é Elio Gaspari. O outro é Mario Sergio Conti. Ambos já contaram em detalhes, em longos textos na Folha de S. Paulo, como FH cantou os empreiteiros para que lhes dessem o mimo.

Emílio Odebrecht estava entre os assediados. Mas naquele tempo os empreiteiros ainda não corrompiam… E os políticos tucanos eram todos honestos.

Lula aparece todos os dias no Jornal Nacional. Quase teria ganho um terreno da Odebrecht para construção do seu instituto. E ganhou até o estádio do Corinthians. FH ganhou uma sede pronta (além de muitas doações em dinheiro, também já noticiadas). Mas ninguém toca nisso tudo hoje.

Lula não merece um instituto. Quem merece é FH, o sujeito que por acaso nasceu no Brasil, quando deveria ter nascido mesmo em Paris. Lula tem um escritório político. FH tem um centro de altos estudos e pensamentos (mesmo que ninguém saiba dizer até hoje o que foi pensado em seu instituto). Lula recebeu propina, FH recebeu uma doação.

Por isso o caso de FH passa ao largo da cobertura sobre a lista de Fachin. Porque FH é, até agora, o único tucano a ser preservado. FH fez tanto pela direita no Brasil (como o milagre que o mesmo Gaspari chama de privataria), depois de ter enganado meio mundo como social-democrata, que a imprensa e o pato da Fiesp têm dívidas impagáveis com ele.

Ninguém mexe com o sinhozinho do PSDB.

(Publico aqui, para buscar no Google, o título de um texto de Gaspari de 10 de novembro de 2002 sobre o assédio de FH aos empreiteiros. Este é o titulo: “FFHH deve suspender a coleta do Alvorada”. Imaginem se isso tivesse acontecido com Lula).

 

Previsões

Juntei da internet algumas previsões que li sobre o ano que se inicia:
– Será aberto até dezembro o décimo quinto processo contra Lula, um deles por causa de um Fusca 73 comprado em Tramandaí com dinheiro de propina.
– O Jornal Nacional descobrirá que são seis, e não cinco, os pedalinhos do sítio de Atibaia e que isso indica que Lula mente até o número de netos.
– Um zelador do tríplex do Guarujá vai dizer que viu Lula usando o banheiro do apartamento com a porta aberta.
– O juiz Sergio Moro dirá em palestra na Alemanha que não pega tucanos corruptos porque não conhece casos de tucanos corruptos.
– O procurador Deltan Dallagnol lançará a versão 2017 das bolinhas azuis da rosácea do powerpoint e apresentará 12 bolinhas de convicções contra Lula.
– Seis delatores dirão que Aécio Neves recebia propinas de Furnas.
– Para não ser vaiado por tias e primos, o homem do Jaburu se negará a ir ao velório de um tio em Pirassununga.
– Vão prender um tucano e logo depois vão soltar o tucano preso por engano.
– Serão presos mais sete ex-tesoureiros do PT, e José Dirceu será preso de novo, mesmo que já esteja preso.
– Cinco jornalistas golpistas escreverão artigos dizendo que estão arrependidos pelo apoio ao golpe de agosto, mas que poderão apoiar novos golpes pela democracia.
– Fernando Henrique assumirá a presidência em setembro, em eleição indireta, e Armínio Fraga lançará o Plano Irreal em que um Real Tucano (este será o nome da moeda) valerá três dólares.
– O Internacional contratará Celso Roth para tentar escapar do rebaixamento para a Série C.

Lula e FH

As notícias de hoje: Lula se defendendo em longo artigo na Folha de S. Paulo, e Fernando Henrique ditando regras para a moralização da política, em evento de O Globo mediado por Merval Pereira e Miriam Leitão.

O título do artigo de Lula: Por que querem me condenar.

O título do evento do Globo: E Agora, Brasil?

Eles fazem as perguntas e já tentam oferecer as respostas. Viva o jornalismo embarcado.

E nós aqui sem saber se vão ou não prender o Lula, se têm peito pra isso, se tudo é calculado, ou se o quadro “jurídico” todo é apenas coisa de justiceiros impulsivos usados pela direita.

Mas ainda bem que as instituições e o jornalismo do seu Merval e da dona Miriam continuam funcionando.

 

O cientista e o vazio

 

fundobranco

Estamos há cinco dias sem uma entrevista de Fernando Henrique Cardoso, o cientista social que chegou a ir a Nova York, na semana passada, para falar do Brasil pós-golpe e se assustou com o anúncio de um protesto.

Chegou como pretenso cientista, percebeu que assistiria às reações da plateia e decidiu vir embora como tucano. Panelaços em Nova York são mais incômodos do que em Itaim Bibi.

E desde então não falou mais. É muito tempo. Cinco dias sem palavras que nos indiquem o rumo a ser tomado. Não há quem aguente. Há um vazio a ser preenchido.

FH não pode ficar mais de uma semana sem nos dizer que não houve golpe. Um cientista reafirma suas ideais pela repetição.

A maldição

amarelo

O senador tucano Sérgio Guerra está de novo nas manchetes por suspeita de corrupção. Mas Guerra está morto desde março de 2014. Vai e volta, também aparece nas manchetes o deputado José Janene, do PP, muito ligado aos tucanos. Mas Janene morreu em setembro de 2010.

Outro que frequenta notícia sobre corrupção é o ex-presidente do Banco Central e da Petrobras Francisco Gross durante o governo tucano de FH. Mas Gross morreu em maio de 2010.

Todos eles fazem parte de uma maldição tucana. São mortos acusados de envolvimento em corrupção que, claro, não têm mais como se defender e não têm quem os defenda com muita convicção. Também alguns acusadores de tucanos estão mortos. O mais famoso deles é Paulo Francis,  que começou tudo, há exatos 20 anos.

Francis denunciou pela primeira vez os rolos na Petrobras, no governo de Fernando Henrique. Ninguém investigou nada, e o jornalista morreu de infarto logo depois de processado pelos que apontou por roubo.

Voltando aos outros mortos. Janene está na origem da Lava-Jato. O doleiro Youssef, o grande delator, conta que Janene, seu compadre e inspirador, era o repassador da propina de Furnas para Aécio Neves, durante mais de cinco anos. O doleiro contou isso umas quatro vezes em delações. Aécio nunca foi investigado.

Só agora, por pressão do procurador-geral Rodrigo Janot, Gilmar Mendes rendeu-se ao pedido para que Aécio finalmente seja ouvido e o caso siga adiante. Mas Youssef fala e fala, mas não apresenta provas. As provas estariam com Janene, que está morto. Esperemos as investigações.

Outro que não irá esclarecer mais nada é Francisco Gross. Foi durante a gestão dele na Petrobras que a estatal comprou a petroleira argentina Perez Companc. Nestor Cerveró já disse em delação que os tucanos levaram uma propina de US$ 100 milhões dos argentinos.

Agora, Sérgio Guerra aparece de novo em gravações reveladas pela Polícia federal, em que – segundo a Folha de S. Paulo de hoje – acerta uma enrolação, em 2009, para que não saia a primeira CPI da Petrobras.

Contam que Guerra teria levado algo ao redor de R$ 10 milhões de empreiteiras para melar a CPI no Senado. Guerra era presidente nacional do PSDB. Mas Guerra também está morto.

Os tucanos podem ter como consolo este dado macabro. Gente apontada como líder de corrupção graúda morreu em atividade. O estrago feito atinge suas memórias. Suas mortes podem livrar os que continuam vivos.

Mas Aécio Neves, agora sob investigação, está bem vivo, mesmo que às vezes se faça de morto. Gilmar Mendes tem a chance de provar que também se dedica a processos contra tucanos. Outros, muitos outros (envolvidos nos casos do metrô e da merenda em São Paulo, do mensalão de Minas etc etc) ainda não morreram, mesmo que os processos contra eles já nasçam moribundos.

Chegou a hora, espera-se, da prestação de contas dos tucanos vivos.

……..

Visite também o blog no face book.

https://www.facebook.com/blogmoisesmendes/