O ciumento

Fernando Henrique tem ciúme doentio de Lula também por causa das turmas. Lula e o PT empurraram FH e o seu PSDB para a direita. É um pessoal cheirosinho, mas barra pesada.
FH anda de braços com Aécio, Serra, Doria Júnior, Alckmin, Aloysio Nunes, Jereissati, sem contar os agregados do PMDB, que são tucanos disfarçados. É dureza.
Uma das tarefas de FH é dar uma entrevista por semana, para a Folha, o Estadão ou o Globo, defendendo a sua gente. Nessa última entrevista de hoje, para o Estadão, ele defendeu Aécio:
“Aécio não é um irresponsável. Fez coisas positivas para o PSDB”.
Mas FH diz o que acha que deve dizer. O problema é que a entrevista é muito ruim. O jornalismo desistiu de fazer perguntas para os líderes da direita.
Uma entrevista feita pela assessoria de imprensa do PSDB seria melhor do que essa publicada pelo Estadão. Essa entrevista não seria aceita nem em prova do Enem.

ELES ERAM DE ESQUERDA. ERAM MESMO?

Toda vez que Fernando Henrique fala, geralmente para enrolar, penso nas grandes decepções recentes da política brasileira.

Quantos pretensos líderes de centro-esquerda ou genericamente progressistas se bandearam para a direita ou para perto dela, sem constrangimentos, nos últimos anos?

Além de Fernando Henrique, temos Roberto Freire, Marina Silva, Cesar Maia (sim, Maia era de esquerda), Cristovam Buarque, Fernando Gabeira…

Mas eis uma dúvida: eles nunca foram progressistas ou foram empurrados em algum momento para o reacionarismo militante só para fazer oposição aos governos do PT?

Zumbis

Todos os líderes do golpe e muitos subalternos estão politicamente mortos.
Aécio, Cunha, Temer, Serra e outros terão logo novas companhias. E Lula e Dilma resistem.
A direita perdeu o controle do golpe e a Lava-Jato de Curitiba perdeu o controle da grande operação de caçada ao PT.
Mas a direita pode ser mais assustadora como zumbi.

Outras turmas

Trinta e quatro anos depois, o moço barbudo da direita está com as esquerdas e continua no mesmo palanque pelas diretas.

Já o moço da esquerda, que olha para o alto, foi para a direita, mudou de palanque e pode ser candidato das indiretas.

Da esquerda para a direita, FH, Mora Guimarães (mulher de Ulysses Guimarães), Lucy Montoro, Franco Montoro e Lula. Acho que o cara ao lado do Lula é o Macalé.

A foto é do Estadão. Faço questão sempre de creditar as imagens, mas não achei o nome fotógrafo.

O ciúme de FH

Uma das questões pouco debatidas em 2016, até porque é assunto que não interessa ao jornalismo dito independente, é o ciúme que Fernando Henrique Cardoso sente de Lula.

FH tentou, quando deixou o governo, ser uma referência latina do mundo neoliberal. Ninguém deu muita bola para o charme dele. Tanto que FH até deu algumas palestras para amigos, mas nunca foi um conferencista requisitado.

FH passou mais tempo dando palestras para os próprios tucanos, em mesas com cinco ou seis caciques, em restaurantes chiques de São Paulo, do que em ONGS, empresas e organismos internacionais.

Lula, não. Lula passou a andar pelo mundo. E aí deu no que deu. Lula é suspeito hoje de ter feito palestras demais. Se FH fazia duas palestras num ano, como Lula pode ter feito dez?

Durante todo o cerco a Lula, Fernando Henrique foi um reforço sempre a serviço da desqualificação da imagem do petista. Por quê? Porque FH foi absorvido pela turma do pato da Fiesp como voz forte dos golpistas.

FH ainda sonha com a volta ao poder, mas com uma diferença básica em relação a Lula. FH teria apenas uma chance para isso: o golpe da eleição indireta.

Por essas e outras é que FH tem ciúme de Lula.

 

Os abutres cheirosos

urubudesenho

Mais uma análise, desta vez da jornalista Tereza Cruvinel, no site Brasil 247, aponta na direção do abandono do homem do Jaburu pelos empresários e para o fim da complacência da Lava-Jato.
Adiós, trégua. O foco da força-tarefa agora é o PMDB, enquanto o pessoal de Curitiba estuda o que fazer com Lula.
O certo é que os apoiadores do golpe querem logo a opção tucana, que está na origem disso tudo.
O homem do Jaburu e seus Geddeis, Padilhas, Moreiras Francos, Mendoncinhas e outros sabem que estão de passagem, só guardando a vaga para os preferidos do pato da Avenida Paulista e grande parte dos que conduzem hoje as “instituições”.
Leia o que Tereza escreveu:
“Daqui para a frente, mesmo a contragosto, a Lava Jato está compelida a avançar sobre o PMDB, enquanto poupa os tucanos. A percepção de suas roubalheiras combinadas com a desastrosa política econômica que aprofunda a recessão e o desemprego, em condições normais, produziria agora uma onda de Fora PMDB”.
O procurador Deltan Dallagnol já estaria preparando o powerpoint da rosácea de bolinhas azuis, com Michel Temer ao centro.
Enquanto isso, Aécio, Alckmin, Serra, FH e os graúdos do ninho tucano olham a promessa de carniça de longe, à espera do melhor momento para se banquetear.
Quando alguém imaginou que tucanos cheirosos e chiques disputariam um dia a carcaça podre do PMDB.

FH, o grande captador

O Instituto Fernando Henrique Cardoso é um dos cem maiores captadores de dinheiro via Lei Rouanet. Está na coluna de hoje da Monica Bergamo na Folha.

A CPI da Lei Rouanet, que eu nem sabia que ainda funcionava, quer convocar FH para que explique as captações. São mais de R$ 14 milhões.

O que ele vai dizer, como a coluna já antecipa? Que a fundação é cultural, porque guarda todo o acervo do ex-presidente, que é muito valioso.

FH, claro, tem acervo, e Lula tem tralhas que o juiz Moro quer catalogar. Lula corrompe, FH capta. Lula dá palestras, FH profere conferências.

E o Judiciário seletivo não consegue captar um tucano que seja (do metrô, da merenda, de Furnas, das privatizações, do mensalão mineiro…) para o acervo do combate à pilantragem que anda com o pulôver nos ombros.

Eu já vejo FH na CPI discorrendo sobre as preciosidades que seu instituto preserva para o bem da História e do povo. Cada um com as suas culturas.

As leis, inclusive a Rouanet, são aplicadas no Brasil de acordo com a clientela.

O evangelho e o diário

piauícapa

Todo pilantra gosta de contar que lê a Bíblia quando vai parar na cadeia. É uma confissão que faz com que pilantras pobres e ricos tenham pelo menos uma coisa em comum.

Delcídio do Amaral, o tucano que começou roubando no governo FH e continuou roubando nos governos do PT, é um deles. Delcídio é um caso raro de mediano que subiu muito na vida como infiltrado.

Ainda é difícil acreditar que o cara foi líder do governo Dilma no Senado com essa conversa de impostor.

Vi finalmente, porque amigos insistiram, o vídeo da entrevista que ele concedeu à repórter Malu Gaspar, da revista Piauí (acima, a fantástica capa da última edição). Ele conta que lia a Bíblia na cadeia e faz ar de quem saiu dali convertido e curado.

Ainda bem que leu a Bíblia. Em 30 páginas do Evangelho de Mateus, ele fica sabendo quem foi Jesus. Em apenas 30 páginas.

Se tentasse a cura lendo o diário de Fernando Henrique, teria que consumir mais de mil páginas de cada tomo, que já somam 3 mil páginas. E faltam mais umas 5 mil páginas de diário.

Mateus conta a vida de Jesus num livrinho. FH conta seu período de governo, em relatos totalmente inúteis, no maior livro já publicado no Brasil. Mas quem Jesus acha que é perto de FH.

(Alguém pode dizer: mas a Bíblia tem letrinha pequena, e o diário de FH tem letra graúda. De fato, pode estar aí a diferença de 30 para mil páginas).

A entrevista de Delcídio está aqui:

http://piaui.folha.uol.com.br/videos/delcidio-do-amaral-o-delator/