O PAI E OS FILHOS

O filho mais velho foi empurrado para a gestão das relações do pai com as milícias e acabou sendo denunciado como líder de uma quadrilha de laranjas.
Outro filho foi iludido a achar que poderia ser embaixador e, como não teria chance de aprovação no Senado, é hoje, por ordem do pai, o líder do PSL, mas não lidera ninguém na Câmara, nem os inimigos do delegado Waldir.
O terceiro filho assumiu a função de laranja dos ódios, das agressões e das mentiras do pai nas redes sociais e fica exposto todos os dias aos que debocham das suas bobagens no Twitter.
Todos os filhos de Bolsonaro se submetem aos desejos e às loucuras do pai.
Bolsonaro parece favorecer, mas na verdade explora e maltrata os filhos, que também serão comidos pela direita que comeu Aécio, Cunha e o jaburu.
Todos, o pai e os filhos, serão comidos pela direita.

A cocaína, Janot e o homem-mosca

Questões para uma quarta-feira em que o Supremo pode armar a grande gambiarra para salvar Sergio Moro e Deltan Dallagnol:

Por que Eduardo Bolsonaro teme o depoimento de Manoel Silva Rodrigues, o sargento da cocaína, na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, presidida pelo próprio Bolsonaro? O que o sargento pode dizer que o filho de Bolsonaro não quer ouvir?

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O que Diogo Mainardi, o homem-mosca, o laranja da Globo para atacar Lula, tem a dizer sobre a declaração de Luiz Henrique Molição à Polícia Federa de que o site O Antagonista comprou informações dos hackers que tentaram envolver Dias Toffoli em corrupção?
Mainardi, todo mundo sabe, é o subgerente do Antagonista, o porta-voz de Sergio Moro e dos lavajatistas. O site largou uma nota, mas quem deve falar é Mainardi, que acusava o Intercept de ter pago os mesmos hackers, envolvidos também no caso do Telegram dos palestrantes de Curitiba.

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O Globo publica editorial hoje atacando Lula. O grupo Globo não conseguiu derrubar o jaburu, não consegue derrubar Bolsonaro e agora se volta de novo contra Lula.
Como a Globo não consegue nem mesmo achar o Queiroz, fica fácil participar da farsa para tentar tirar Lula à força da masmorra de Curitiba. A Globo não enfrenta nem o Carluxo.

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Não há mais dúvidas de que o livro de Rodrigo Janot é uma tentativa de livrar o ex-procurador-geral do julgamento dos crimes da Lava-Jato.
Janot empurra todas as barbaridades de Curitiba para cima de Deltan Dallagnol. O procurador era o sujeito sem escrúpulos, que agia sem controle.
Mas Janot não era o chefe de Dallagnol? Não. Janot deixa claro também que o superior de Dallagnol era Sergio Moro.

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O Supremo decidiu que réus delatados têm o direito de falar por último nos processos em que também há réus delatores.
Mas… Mas, mas. Mas talvez, no entanto, quem sabe não seja bem assim. Vão decidir hoje.
Se o réu não reclamou antes para falar por último, não há nada há reclamar agora. É o que pode ser decidido hoje. E aí? Aí Lula fica de fora.

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Com Toffoli, com Fux, com Gilmar Mendes, com quem for, Flávio Bolsonaro não perde uma.

Os Bolsonaros vencem mais uma

Flávio Bolsonaro e os milicianos conseguiram. O próprio Ministério Público pediu e seu caso sai da primeira instância e vai para um tal Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio.
O processo será enviado pelo juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 27ª Vara Criminal, para o colegiado de 25 magistrados.
O que vocês acham? A Globo, tão empenhada em pegar Flávio e Queiroz, está levando 7 a 1 dos Bolsonaros.

O SUPREMO É REFÉM DO CHEFE DO QUEIROZ?

O Estadão dedicou esses dias longa reportagem às articulações de bastidores de Flávio Bolsonaro. O filho mais afeito a negócios, como gestor da fortuna da família e das relações com os milicianos, teria incorporado o papel de negociador do governo no Congresso e até no Supremo.

Flávio é apresentado como interlocutor importante inclusive de Dias Toffoli. Porque é ele o encarregado de barrar a CPI da Lava Toga.

O sujeito cercado pelo Ministério Público do Rio e beneficiado por uma decisão do mesmo Dias Toffoli trata com Toffoli de uma estratégia para impedir uma CPI que investigaria Toffoli e seus colegas de Corte.

É muito Toffoli na vida de um Bolsonaro acusado de comandar uma quadrilha.

Hoje, o Globo tem outra reportagem sobre Flávio, em que o senador é apresentado como o encarregado pelo PSL de mapear e comandar todas as possibilidades de vitória do partido nas eleições municipais.

Flávio Bolsonaro está num purgatório, beneficiado pela decisão de Toffoli que tira do MP o poder de investigá-lo a partir de informações sobre suas movimentações financeiras. Mas circula nas altas rodas togadas.

As sindicâncias contra Flávio e Queiroz podem desvendar todo o esquema mafioso das milícias cariocas. Mas estão paradas, e o homem continua agindo, enquanto o pai aparelha o que pode para protegê-lo.

Enquanto os promotores do Rio são amordaçados, o amigo dos milicianos manobra em várias frentes, incluindo o Supremo.

Numa situação normal, Flavio Bolsonaro estaria a caminho da cassação.

Mas a nossa normalidade de hoje o transforma em interlocutor do presidente do STF. O Supremo beneficia Flávio e Flávio retribui erguendo a trincheira contra a CPI que ameaça o Supremo.

Os ministros da mais alta Corte do país estariam reféns do chefe do Queiroz?

O DEBOCHE DO CHEFE DO QUEIROZ

A realidade transforma tudo da Era Bolsonaro em deboche. Flávio Bolsonaro, blindado por Dias Toffoli como o homem das movimentações financeiras acobertadas por um miliciano, é o autor da proposta de criação de um imposto único sobre… sim, isso mesmo, sobre movimentação financeira.
O investigado sob a acusação de chefiar uma quadrilha que acobertava movimentações financeiras feitas por laranjas é autor de uma tentativa de ressuscitar um imposto que a direita sempre rejeitou. Porque esse imposto contribuía para a localização e denúncia de operações suspeitas.
Flávio Bolsonaro consegue, depois de ser beneficiado pela decisão de Dias Toffoli, produzir o grande escárnio. O senador abraça a ideia de uma entidade ‘liberal’ chamada Brasil 200 e vai à luta.
“O imposto único, não declaratório, é insonegável, de cobrança automática e fácil fiscalização. Coloca o Brasil na era da modernidade”, diz com grande entusiasmo Gabriel Kanner, presidente da entidade.
Eis aí a modernidade. O senador que conseguiu se livrar do Coaf, responsável pela localização da sua dinheirama suspeita, abraça agora uma ideia que pode ajudar a identificar operações como a que ele fazia no Rio sob a cobertura de Queiroz e dos assessores do senador.
Será que o projeto da nova CPMF foi combinado com os milicianos sob investigação no Ministério Público do Rio?

O QUE OS MILICIANOS TÊM QUE OS POLÍTICOS CORRUPTOS NÃO TÊM?

Sergio Moro e Deltan Dallagnol, que sempre emitiram opiniões categóricas sobre decisões que restringem a caçada a corruptos, ficarão quietos diante do canetaço de Dias Toffoli que blinda os milicianos cariocas?
Nenhum dos dois vai dizer que a decisão conspira contra os que combatem o crime organizado?
Este ano, em março, Moro e Dallagnol atacaram o Supremo quando o STF decidiu que processos da Lava-Jato que envolvem caixa dois e demais atos associados a crimes comuns, como corrupção, deveriam tramitar na Justiça Eleitoral.
Moro achava que o Supremo estava jogando no colo da Justiça Eleitoral crimes complexos que esta não poderia avaliar e julgar. Moro subestimou a Justiça Eleitoral e mais uma vez criticou a mais alta Corte do país.
O mesmo fez Dallagnol, sobre o mesmo assunto, quando disse que, ao enviar os processos para a Justiça Eleitoral, os ministros “mandavam mensagem de leniência”. Aqui no sentido de tolerância com o crime. Ele quis dizer e disse que os ministros faziam concessões a corruptos.
O procurador que era chefiado por Moro na Lava-Jato chegou a ter sua declaração investigada pelo Conselho Nacional do Ministério Público, por solicitação de Dias Toffoli.
Não deu em nada. Dallagnol disse que agir com leniência era uma coisa e ser leniente era outra. Ser leniente talvez fosse o que ele fazia em relação a Sergio Moro, que agia como seu chefe na Lava-Jato e ele se resignava diante das ordens do juiz.
Agora, quando a decisão de Toffoli benenficia o filho de Bolsonaro e acaba por beneficiar também Queiroz e os milicianos do Rio, Moro e Dallagnol ficaram quietos.
Toffoli não estaria conspirando contra os que fazem a guerra de combate ao crime organizado? Por que Moro e Dallagnol, sempre tão desafiadores das decisões do Supremo, agora estão calados?
O que os milicianos têm que os outros corruptos não têm?

O MINISTRO DO STJ E O FILHO DE BOLSONARO

Bateu o desespero. Essa notícia é grave e seria um escândalo em situação de normalidade. Vou compartilhar na íntegra a reportagem que a Folha publicou agora há pouco. Algo eles estão preparando.

FOLHA DE S.PAULO
Bolsonaro se reúne com corregedor de Justiça e não explica presença de filho investigado
(Presidente recebeu no Planalto ministro Humberto Martins e senador Flávio Bolsonaro)

Talita Fernandes
BRASÍLIA
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) recebeu nesta quinta-feira (30) o ministro do Superior Tribunal de Justiça Humberto Martins, que é corregedor nacional de Justiça, acompanhado de seu primogênito, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).
Questionada sobre o assunto tratado na agenda, a assessoria de imprensa do governo informou que se tratou “da entrega de convite ao presidente para participação no 1º Fórum Nacional das Corregedorias – Fonacor, no dia 26 de junho”.
A Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) não deu detalhes sobre os motivos que levaram à participação do senador, já que o evento é organizado pelo Judiciário. O encontro ocorreu às 16h, no Palácio do Planalto.
Apesar do convite, Bolsonaro não comparecerá ao fórum das corregedorias, realizado em Brasília, pois estará em deslocamento para o Japão, onde participará da cúpula do G20 em Osaka, nos dias 28 e 29 de junho.
Procurada, a assessoria do senador não se manifestou até a publicação desta reportagem.
O encontro entre o parlamentar, o presidente e o corregedor ocorre em meio a tentativas de Flávio de frear as investigações das quais é alvo na Justiça.
Sendo corregedor nacional de Justiça, cabe ao ministro Humberto Martins, que integra o STJ (Superior Tribunal de Justiça), “receber reclamações e denúncias de qualquer interessado, relativas aos magistrados e aos serviços judiciários auxiliares, serventias, órgãos prestadores de serviços notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou oficializados”.
Como mostrou a Folha, Flávio propôs a terceira medida judicial contra a investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre supostas práticas de crimes em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
A defesa do filho do presidente apresentou na semana passada um pedido de habeas corpus ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro contra a decisão do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, que determinou as quebras de seus sigilos bancário e fiscal.
A Folha apurou que a peça da defesa, mantida sob sigilo, tem argumentos semelhantes aos apresentados pela defesa de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador e pivô da investigação.
Segundo o Ministério Público do Rio, há indícios robustos dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete de Flávio de 2007 a 2018, período em que Queiroz trabalhou com o então deputado estadual como uma espécie de chefe de gabinete.
A investigação do Ministério Público foi aberta após um relatório do governo federal ter apontado movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta bancária de Queiroz, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017.
Além do volume movimentado, chamou a atenção a forma como as operações se davam: depósitos e saques em dinheiro vivo, em data próxima do pagamento de servidores da Assembleia.
Queiroz já admitiu que recebia parte dos valores dos salários dos colegas de gabinete. Ele diz que usava esse dinheiro para remunerar assessores informais de Flávio, sem o conhecimento do então deputado. O senador nega todas as alegações do Ministério Público.

A CONFISSÃO DE BOLSONARO

Quando disse, lá em dezembro, que os R$ 24 mil depositados por Fabrício Queiroz na conta de Michele Bolsonaro eram parte da devolução de um empréstimo, Bolsonaro largou uma senha. Poucos prestaram atenção no seguinte detalhe.

Bolsonaro disse que, além dos R$ 24 mil, tinha mais dinheiro de mais empréstimos para Queiroz. “Foram vários”, disse Bolsonaro.

Lembrem o que ele disse:
“Não é apenas esta vez. O Coaf fala que foram R$ 24 mil. Na verdade foram R$ 40 mil. Foi uma dívida que foi se acumulando dele até que eu cobrei dele e a maneira de cobrar foi o quê? Me dá um cheque”.

O que ele estava querendo dizer? Que se preparava para outras movimentações que poderiam aparecer. E agora finalmente vão aparecer, com a quebra pela Justiça do sigilo bancário de Flavio Bolsonaro e de Queiroz. R$ 40 mil são o troco.

Vai saltar dinheiro pra todo lado. O Ministério Público terá acesso às movimentações dos dois desde 2008. Bolsonaro deve se preparar para mais explicações, apesar de um detalhe importante: as investigações correm em segredo de Justiça.

Vai ser difícil ter vazamento do que irá rolar a partir de agora e que pode empurrar todos os Bolsonaros para o penhasco. Só haveria vazamento se Sergio Moro estivesse comandando o caso e o acusado fosse do PT, como ele fez (e admitiu que fez) com a conversa de Lula e Dilma.

Muitos outros vazamentos foram feitos pela Lava-Jato, ou os jornais não teriam acesso às informações das delações. A Lava-Jato só foi adiante porque vazou informações seletivas aos borbotões para os amiguinhos da imprensa.

Quem vai vazar, se é que vai, as informações sobre as contas dos Bolsonaros, que conseguiram dinheiro para investir R$ 15 milhões só em imóveis no Rio?

Aguardemos, sem perder a esperança. O Ministério Público não é todo da direita.

Queiroz de novo na Folha

A Folha voltou a falar do caso Queiroz, mas sem acrescentar novidades. Fez o que no jargão do jornalismo se define como um recozido. Mas pelo menos voltou a tratar do assunto. Essa é a reportagem:

Caso Queiroz e do filho do presidente completa 482 dias sem conclusão

Investigação sobre movimentações financeiras de ex-assessor de Flávio Bolsonaro corre em sigilo

A apuração criminal sobre a movimentação atípica de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), completa nesta terça-feira (30) um total de 482 dias sem uma conclusão. Policial militar aposentado, Queiroz era uma espécie de chefe de gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, e o relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que o menciona junto com outras dezenas de assessores de políticos chegou no dia 3 de janeiro ao Ministério Público do Estado.

Inicialmente, houve a produção de uma série de relatórios, e a investigação formal foi instaurada em 30 de julho do ano passado. Ela tramitou até janeiro no gabinete de procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, em razão do foro especial a que Flávio tinha direito como deputado estadual. O caso depois foi remetido à primeira instância da investigação porque, ao ser eleito senador, ele perdeu o foro em casos que envolvem seu mandato anterior na Assembleia Legislativa, isso baseado em uma decisão tomada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A Folha de S.Paulo mostrou em fevereiro que a apuração sobre o caso Queiroz perdeu velocidade durante a campanha eleitoral. O procurador-geral de Justiça afirmou à época que um dos motivos para isso foi a preparação de operações que prenderam prefeitos e vereadores em cidades do Rio de Janeiro. A investigação atualmente é tocada pela Promotoria de Justiça, com apoio no âmbito criminal do Gaecc (Grupo de Atuação Especializada em Combate à Corrupção). Há também investigação na área cível para analisar eventual improbidade administrativa. A investigação está sob sigilo, motivo pelo qual não é possível saber o estágio em que se encontra nem que medidas foram tomadas até agora.

Em fevereiro, Queiroz admitiu que recebia parte dos valores dos salários dos colegas de gabinete. Ele diz que usava esse dinheiro para remunerar assessores informais de Flávio, sem o conhecimento do deputado e filho do presidente da República. Há outros 22 procedimentos criminais e cíveis abertos envolvendo outros políticos e seus assessores, como o presidente da Assembleia, André Ceciliano (PT).

COMO COMEÇOU A INVESTIGAÇÃO?
A apuração que atingiu Flávio Bolsonaro tem origem em etapa da Lava Jato do Rio que tinha deputados da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) como alvo. Em 2017, três deles, incluindo o então presidente da Casa, Jorge Picciani, do MDB, foram presos.

Um relatório do Coaf feito no âmbito dessa investigação mencionava movimentações financeiras atípicas dos assessores dos deputados estaduais, incluindo Fabrício Queiroz, que até outubro foi funcionário comissionado de Flávio na Casa. Em 2018, o Ministério Público do estado recebeu dados dessa operação e, em novo desdobramento, abriu investigações criminais para apurar essas suspeitas.

O QUE É O COAF?
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras é um órgão de inteligência que atua contra a lavagem de dinheiro e, mais recentemente, o financiamento ao terrorismo. No novo governo, migrou do antigo Ministério da Fazenda para o Ministério da Justiça.

O QUE É MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA ATÍPICA?
As instituições financeiras são obrigadas a informar ao órgão todas as operações consideradas suspeitas, como repasses ou saques fracionados. Há dezenas de critérios para que uma movimentação seja enquadrada nesse perfil, como transações de quantias significativas por meio de conta até então pouco movimentada ou mudança repentina e injustificada na forma de movimentação de recursos. Movimentação atípica, porém, só se torna crime se a origem do dinheiro for ilícita.

QUAIS SÃO AS SUSPEITAS SOBRE FABRÍCIO QUEIROZ?
Segundo o Coaf, Fabrício Queiroz, que era policial militar e uma espécie de chefe de gabinete informal do filho de Bolsonaro, movimentou R$ 1,2 milhão de janeiro de 2016 a janeiro de 2017 -entraram em sua conta R$ 605 mil e saíram cerca de R$ 600 mil.

Além do valor, considerado incompatível com o patrimônio de Queiroz, chamaram a atenção dos investigadores o volume de saques (que chegaram a cinco em um mesmo dia) e o fato de ele ter recebido repasses de oito funcionários do gabinete de Flávio. Queiroz se apresentava como motorista do gabinete.

QUAIS ERAM AS ORIGENS E O DESTINO DOS VALORES?
Chegaram à conta de Queiroz R$ 216 mil por meio de depósitos em dinheiro e R$ 160 mil em transferências vindas, em boa parte, de funcionários da Assembleia. Nathalia Queiroz, filha do policial militar e ex-assessora de Flávio na Assembleia e de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, depositou R$ 84 mil. O destino dos valores sacados também chamou a atenção do Coaf. Quase metade do valor, R$ 324 mil, foi sacada de uma agência que fica na Assembleia do Rio.

O QUE QUEIROZ FALA SOBRE A MOVIMENTAÇÃO?
Em entrevista ao SBT, em dezembro, Queiroz atribuiu a movimentação a negócios particulares, como a compra e venda de automóveis. Em fevereiro, o ex-assessor adicionou outra explicação em petição ao Ministério Público. Afirmou que recolheu parte dos salários de funcionários do chefe para distribuir a outras pessoas para que trabalhassem pelo então deputado estadual, ainda que não formalmente empregadas.

O objetivo, segundo ele, era aumentar o número de assessores a fim de aproximar Flávio de sua base eleitoral. Na petição entregue à Promotoria, ele diz que o senador não tinha conhecimento da prática. Até o momento, contudo, Queiroz não informou quem eram os assessores informais do senador.

QUAL O ELO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA COM O PRESIDENTE JAIR BOLSONARO?
Entre as transações de Queiroz, está um cheque de R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro, a atual primeira-dama. Em entrevistas após a divulgação do caso, Jair Bolsonaro disse que a primeira-dama recebeu o cheque porque o ex-assessor estava pagando parte de uma dívida de R$ 40 mil que tinha com ele. Essa dívida não foi declarada no Imposto de Renda. O presidente afirmou ainda que os recursos foram para a conta de Michelle porque ele não tem “tempo de sair”.

QUAL FOI A MOVIMENTAÇÃO TOTAL NAS CONTAS DE QUEIROZ?
O relatório do Coaf que deu início ao caso abordava apenas um período de 2016 a 2017. Reportagem do jornal O Globo, porém, afirma que, além dos R$ 1,2 milhão inicialmente revelados, passaram por sua conta corrente mais R$ 5,8 milhões nos dois exercícios anteriores, totalizando R$ 7 milhões.

POR QUE A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DE FLÁVIO BOLSONARO TAMBÉM VEIO A PÚBLICO?
Em meio à apuração do caso Queiroz, o Ministério Público do Rio solicitou ao Coaf novo relatório, desta vez sobre as contas de Flávio. A Promotoria pediu as informações em 14 de dezembro e foi atendida no dia 17 -um dia antes de ele ter sido diplomado senador. O mandato de deputado estadual de Flávio terminou em 31 de janeiro, e ele assumiu uma cadeira no Congresso no dia seguinte.

O QUE FOI REVELADO EM RELAÇÃO A FLÁVIO NESSE RELATÓRIO?
O Coaf apontou que o filho do presidente recebeu em sua conta bancária 48 depósitos em dinheiro em junho e julho de 2017, sempre no valor de R$ 2.000, totalizando R$ 96 mil. De acordo com reportagem do Jornal Nacional sobre o caso, os depósitos foram feitos no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Assembleia, e os remetentes não foram identificados.

O que disse o filho do presidente a respeito?
Em entrevista à TV Record, ele disse que recebeu dinheiro em espécie pela venda de um imóvel e que depositou R$ 2.000 por ser o limite no caixa eletrônico. O comprador do imóvel, o ex-atleta Fábio Guerra, confirmou que pagou em dinheiro vivo porque havia recebido em espécie valores da venda de um outro imóvel. A escritura da transação, porém, aponta uma divergência de datas e registra que o sinal foi pago meses antes.

O QUE É O PAGAMENTO FEITO POR FLÁVIO DE UM TÍTULO BANCÁRIO DE R$ 1 MILHÃO?
Segundo a TV Globo, o Coaf, em seu relatório sobre as movimentações de Flávio Bolsonaro, identificou um pagamento de R$ 1.016.839 de um título bancário da Caixa Econômica, mas sem especificar a data e o favorecido. Em entrevista para a Record, o senador eleito afirmou que esse título se referia ao financiamento de um imóvel, o que é confirmado por documentos registrados em cartório à época.

QUAL É O ESTÁGIO ATUAL DESSA INVESTIGAÇÃO?
O Ministério Público do Rio de Janeiro divulgou em fevereiro deste ano todos os procedimentos adotados até aquela data, sem revelar o conteúdo das diligências. Desde então, o procedimento é tocado em sigilo absoluto, motivo pelo qual não há informações sobre novas medidas tomadas.

POR QUE FLÁVIO TENTOU PARALISAR A INVESTIGAÇÃO?
A investigação na parte criminal chegou a ser paralisada por ordem do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, após pedido da defesa de Flávio Bolsonaro. Ele afirmava que o Supremo tinha de analisar a quem caberia assumir o caso, já que Flávio foi eleito e diplomado senador, tendo direito a foro especial. Diz ainda que o Ministério Público do Rio quebrou seu sigilo bancário de forma ilegal, ao solicitar ao Coaf seus dados bancários sem autorização judicial e pede a anulação de provas obtidas.

Ao fim do recesso do Judiciário, em 1º de fevereiro, o ministro Marco Aurélio Mello indeferiu o pedido -o que, na prática, manteve o caso no Rio de Janeiro. Flávio fez nova tentativa de paralisar a apuração no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mas não houve sucesso.

AS INFORMAÇÕES RELATADAS PELO COAF EQUIVALEM A QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO?
Conforme as decisões da Justiça até agora, não. Em julgamento sobre questão semelhante em 2017, o Superior Tribunal de Justiça, a segunda mais importante corte do país, decidiu que a mera solicitação de manifestação do Coaf não constitui “necessariamente, risco de obtenção de informações protegidas por sigilo fiscal e, portanto, independente de prévia autorização judicial”.

QUE IRREGULARIDADES SÃO APONTADAS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO?
A apuração criminal corre sob sigilo e os promotores não dão detalhes sobre o assunto. O pagamento de outros funcionários a Queiroz sugere a prática de pedágio no gabinete, também apelidada de “rachadinha”, que ocorre quando alguém determina a retenção de uma parte dos salários de servidores nomeados.

Em tese, essa situação pode configurar o crime de peculato (desvio de dinheiro público). Antes de o STF interromper a investigação criminal, o chefe do Ministério Público do Rio, Eduardo Gussem, disse que poderia ser oferecida uma denúncia no caso Queiroz mesmo sem a realização de oitivas com os alvos. O ex-assessor não apareceu em dois depoimentos marcados, alegando problemas de saúde.

QUAL A RELAÇÃO DO CASO COM MILÍCIAS DO RIO?
Operação deflagrada no Rio em fevereiro tinha como um dos alvos de mandado de prisão o ex-capitão da PM Adriano Nóbrega, suspeito de chefiar milícias na cidade. A mãe e a mulher dele foram funcionárias do gabinete de Flávio até o ano passado. O senador eleito atribuiu as indicações aos cargos a Queiroz.

QUESTÕES AINDA SEM RESPOSTA
– Por que motivo Jair Bolsonaro emprestou dinheiro a alguém que costumava movimentar centenas de milhares de reais?
– De que forma foi feito esse empréstimo pelo presidente e onde está o comprovante da transação?
– Onde estão os comprovantes da venda e compra de carros alegadas por Queiroz?
– Por que Queiroz ainda não entregou às autoridades a lista das pessoas que recebiam como assessores informais de Flávio?
– Se Flávio possui apenas uma empresa, que foi aberta em seu nome em 2015, como ele obteve R$ 4,2 milhões para comprar dois imóveis de 2012 a 2014?
– Por que Flávio fracionou o dinheiro da venda do imóvel, se poderia ter deposita