Armas

O bolsonarismo não tem freios morais, nem em momentos de comoção nacional.
Leia esse começo de notícia do jornalista Daniel Carvalho, na Folha:
“No mesmo dia em que um homem e um adolescente mataram pelo menos sete pessoas e feriram 11 em ataque a uma escola em Suzano (SP), Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) apresentou seu primeiro projeto como senador: autoriza a instalação no país de fábricas civis de armas de fogo e munições”.
O objetivo de Bolsonaro é o de acirrar a disputa de mercado dos estrangeiros com a Taurus.
É provável que os Bolsonaros não tenham recebido da Taurus toda a atenção que pediram.
Um dia talvez se descubra que atenção reprimida seria essa.
Os Bolsonaros podem ter colocado o bode na sala, para testar a reação da Taurus.
A venda de arma pode crescer ainda mais se, além da posse (em casas, sítios e empresas), for liberado o porte (andar armado na rua).
Os Bolsonaros conhecem bem essa lida com armas.

Texto do Globo, com base em reportagem da revista IstoÉ:

O senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) entregou suas contas de campanha para o Senado à irmã de dois criminosos – os irmãos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, presos, em agosto do ano passado, na operação Quarto Elemento, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público do Rio de Janeiro. Valdenice de Oliveira Meliga, que era lotada no gabinete de Flávio na Alerj , assinou cheques de gastos de campanha em nome dele. É o que revela uma reportagem publicada pela revista “Isto É”. O parlamentar já havia empregado em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a mãe e a mulher do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe do grupo de milicianos conhecido como Escritório do Crime.

A revista teve acesso a dois cheques assinados por Valdenice, em nome da campanha de Flávio: um de R$ 3,5 mil e outro de R$ 5 mil.

Os irmãos participaram de atos de campanha do senador, antes da prisão. Em foto publicada no perfil de Flávio no Instagram, em outubro de 2017, o então deputado estadual aparece ao lado dos irmãos Alan, Valdenice e Alex, e do pai, Jair Bolsonaro. “Parabéns Alan e Alex pelo aniversário. Essa família é nota mil!!!”, dizia a mensagem

Vale ressaltar que outra funcionária do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj exerceu a função de primeira-tesoureira do PSL no Rio. Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira fez a contabilidade de 42 campanhas eleitorais do partido no estado, por meio de sua empresa, a Alê Soluções e Eventos Ltda. O curioso é que o cheque de R$ 5 mil era destinado à empresa de Alessandra, que recebia de volta parte desse dinheiro, como pagamento pelos serviços de contabilidade prestados por sua empresa.

Segundo a reportagem da revista, Alessandra recebeu R$ 55 mil das campanhas do PSL, cobrando valor entre R$ 750 e R$ 5 mil de cada candidato.

A Alê Soluções foi constituída em maio de 2007. De acordo com a Receita Federal, a empresa fica na Estrada dos Bandeirantes 11.216, em Vargem Pequena, zona oeste do Rio de Janeiro. Mas o endereço registrado no Tribunal Regional Eleitoral é Avenida das Américas número 18.000 sala 220 D, no Recreio dos Bandeirantes, o mesmo endereço na sede do PSL.

Alessandra Oliveira disse à Isto É que não vê conflito ético no fato de ser ao mesmo tempo tesoureira do partido, funcionária de Flávio Bolsonaro e ter contratado sua empresa para fazer a contabilidade das campanhas.

Segundo o jornal O Globo, Flávio Bolsonaro diz que a reportagem da revista faz “uma ilação irresponsável” ao tentar vinculá-lo com candidaturas irregulares e milicianos em “mais uma tentativa de denegrir a imagem do senador”.

“Val Meliga é tesoureira geral do PSL. Tinha como determinação legal a obrigação de assinar cheques do partido em conjunto e jamais em nome do atual senador.Os supostos irmãos milicianos apontados pela revista são policiais militares. Em relação aos serviços de prestação de contas eleitorais, não houve qualquer direcionamento do PSL-RJ relacionado à escolha dos profissionais de assessoria contábil e jurídica. Todas as prestações de contas foram aprovadas, ratificando a legalidade e lisura durante o processo eleitoral”.

FLÁVIO BOLSONARO E A GUARNIÇÃO DO MAL

Compartilho este texto, da revista Forum, sobre a reportagem de Manoel Ventura, publicada hoje pelo jornal Extra:
“Enquanto deputado estadual, o senador Flávio Bolsonaro homenageou em 2003 sete companheiros de batalhão do ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) como chefe da milícia do Rio das Pedras e do chamado “Escritório do Crime”.
Segundo a reportagem, os oficiais eram lotados no 16º BPM (Olaria), integravam um grupo conhecido como “Guarnição do Mal” entre as comunidades da Zona Norte da cidade e receberam moções de louvor na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em 4 de novembro de 2003, ainda durante o primeiro mandato de Flávio na Casa.
Só mais um PM da ativa foi homenageado na ocasião: Fabrício Queiroz, que viria a ser assessor parlamentar de Flávio. Cerca de um mês depois, Adriano e os mesmos colegas do GAT se envolveram no sequestro, tortura e extorsão de três jovens da favela de Parada de Lucas, na Zona Norte. Até que em 27 de novembro daquele ano, eles foram apontados como os executores do morador Leandro dos Santos Silva, de 24 anos”.
Por tudo isso, mantém-se a pergunta: como as esquerdas não conseguiram expor, durante a campanha, a relação evidente, comprovada, descarada dos Bolsonaros com as milícias?
Que bobeira foi essa cometida pelo PT e por todas as esquerdas, que permitiu aos Bolsonaros passarem toda a campanha incólumes em relação aos vínculos com matadores de aluguel?
Essa pergunta não é retórica. Precisa ser respondida objetivamente pela “inteligência” dos partidos de esquerda do Rio. O êxito dos Bolsonaros só acontece pelo fracasso das esquerdas em revelarem quem de fato eles são.

OS MILICIANOS E A VENEZUELA

Desde a primeira entrevista “exclusiva” ao enviado da Globo, na primeira manhã na Suíça, ficou evidente qual era a única missão de Bolsonaro em Davos: ajudar a incendiar a Venezuela, como “líder” latino do levante, para desviar a atenção da descoberta dos vínculos da família com a milícia no Rio.

Bolsonaro só tem uma chance de livrar o filho e livrar a família e o governo do aprofundamento da crise provocada pela conexão com os milicianos que podem ter matado Marielle.

Só uma matança na Venezuela é capaz de fazer sumir das redes sociais e dos jornais a história da máfia de assassinos do Rio das Pedras.

É mais do que uso de um laranja para manejar uma conta com a caixinha dos assessores. É mais do que o enriquecimento inexplicável mostrado pela Folha.

É o vínculo do laranja com o chefe da milícia, o emprego da mãe e da mulher do chefe da milícia no gabinete do deputado que diz caçar bandidos, a descoberta de que o chefe recebeu honrarias de Flávio Bolsonaro, que o homenageou com discursos de exaltação de virtudes e méritos.

Parte da esquerda oportunista brasileira (oportunista, babaca, ingênua) reforçou essa estratégia de atacar Maduro sem trégua para livrar todos os Bolsonaros, e não só o filho.

A esquerda que ataca Maduro toca a corneta para que Bolsonaro comande no grito e à distância o golpe na Venezuela a mando dos Estados Unidos. Bolsonaro é o animador de auditório do golpe na Venezuela.

Está feito o serviço. Trump comemora. Os fascistas do mundo gargalham. As milícias que trabalham para Flávio Bolsonaro atiram foguetes.

A extrema direita no poder será salva pela incitação a uma tragédia na Venezuela.


 

OS AMIGOS DO QUEIROZ 

Lauro Jardim, que vem metendo furo em cima de furo no Globo sobre o rolo dos Bolsonaros, informa que o motorista laranja está bem protegido.
Fabrício Queiroz refugiou-se na favela do Rio das Pedras, na zona oeste do Rio, desde que saiu do hospital.
O jornalista diz que a favela é dominada da primeira à última rua pela milícia mais antiga do Rio. Queiroz foi em busca dos amigos leais.
Muita gente já sabia com quem os Bolsonaros estavam (ou ainda estão) metidos.
Será que os Bolsonaros agiriam com sensatez se decidissem abandonar Queiroz com seus amigos no Rio das Pedras?

O FILHO MILIONÁRIO

A manchete de hoje da Folha sobre o chefe do Queiroz:

Filho de Bolsonaro comprou R$ 4,2 mi em imóveis em 3 anos

Período das aquisições coincide com o da movimentação atípica identificada pelo Coaf

Documentos obtidos em cartórios mostram que o então deputado estadual e hoje senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) registrou de 2014 a 2017 a aquisição de dois apartamentos em bairros nobres do Rio de Janeiro, ao custo informado de R$ 4,2 milhões.
Em parte das transações, o valor declarado pelos compradores e vendedores é menor do que aquele usado pela prefeitura para cobrança de impostos.
O período da aquisição dos imóveis pelo filho de Jair Bolsonaro é o mesmo em que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) teria detectado movimentação de R$ 7 milhões nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, segundo reportagem do jornal O Globo publicada neste domingo (20).
O ex-motorista é investigado sob suspeita de ser o pivô de um esquema ilegal de arrecadação de parte dos salários de servidores do gabinete, prática conhecida como rachadinha.
Flávio começou na vida pública em 2002, tendo como único bem na época um Gol 1.0, segundo sua declaração de bens.
Em outro relatório, divulgado pelo Jornal Nacional, da TV Globo, sobre movimentações atípicas na conta do filho do presidente, o Coaf identificou um pagamento de R$ 1.016.839 de um título bancário da Caixa —o órgão não teria conseguido identificar a data exata e o beneficiário.
De acordo com os documentos obtidos em cartórios, Flávio registrou em junho de 2017 a quitação de uma dívida com a Caixa no valor aproximado de R$ 1 milhão para aquisição de um dos apartamentos que comprou, no bairro das Laranjeiras. Segundo dados de uma das escrituras, o débito foi pago em 29 de junho daquele ano.
Segundo informações cartoriais, Flávio comprou o imóvel na planta, por valor declarado de R$ 1,753 milhão.
Ele se desfez do bem em 2017, quando fez uma permuta, recebendo em troca uma sala comercial na Barra da Tijuca e um apartamento em na Urca, além de R$ 600 mil em dinheiro —sendo R$ 50 mil em cheque e R$ 550 mil sem descrição da forma de pagamento— para completar o negócio. Na escritura, o imóvel dado por ele tinha passado a valer R$ 2,4 milhões.
O novo bem, na Urca, teve valor registrado de R$ 1,5 milhão –vendido depois, em maio de 2018.
Em entrevista na noite de domingo ao programa Domingo Espetacular, da TV Record, Flávio afirmou que o pagamento do título bancário se refere à negociação imobiliária. Ele levou papéis, mas não quis mostrá-los, afirmando que a imprensa não é o foro adequado para esse tipo de esclarecimento.
Segundo ele, a parte recebida em dinheiro vivo explica os depósitos fracionados em sua conta bancária.
Na sexta (18), o Jornal Nacional revelou que o senador eleito recebeu R$ 96 mil em um período de cinco dias, entre junho e julho de 2017. Foram 48 depósitos no valor de R$ 2.000, realizados em espécie no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).
Segundo o senador eleito afirmou à Record, os depósitos foram fracionados em R$ 2.000 porque esse era o limite aceito no caixa eletrônico. No Itaú, único banco no qual o senador eleito tem conta declarada, o limite para depósito em espécie no caixa eletrônico é de fato R$ 2.000. Na Alerj, onde foram feitos os depósitos, há um autoatendimento do Itaú.
Outro apartamento adquirido pelo senador eleito entre 2014 e 2017 foi um na Barra da Tijuca, pelo valor de R$ 2,55 milhões. Para a compra, ele também pegou uma espécie de empréstimo, dessa vez com o Itaú, pelo valor de R$ 1,074 milhão.
O apartamento fica em uma das regiões mais nobres do bairro, na avenida Lúcio Costa, de frente para a praia, próximo do condomínio em que o pai tem casa.
No mesmo período, o senador eleito vendeu dois imóveis, um em Copacabana e outro também na Urca, pelo valor de, somados, R$ 2 milhões. Nos registros cartoriais também figura o nome da mulher de Flávio, Fernanda Antunes Figueira.
Atualmente, o salário de um deputado estadual do Rio é de R$ 25,3 mil brutos. Na entrevista à Record, Flávio afirmou que o salário de deputado é a menor parte de seus rendimentos. O maior volume viria da atividade empresarial —não especificou, porém, qual seria o negócio.
A Folha revelou em janeiro de 2018 que o presidente Jair Bolsonaro, à época deputado federal e pré-candidato, e seus três filhos que exercem mandato multiplicaram o patrimônio na política.
Com base em pesquisas cartoriais, a reportagem mostrou que até aquele mês eles eram donos de 13 imóveis com preço de mercado de pelo menos R$ 15 milhões, a maioria em pontos altamente valorizados do Rio, como Copacabana, Barra da Tijuca e Urca.
A Folha também mostrou em janeiro do ano passado que Flávio havia negociado ao menos 19 imóveis nos últimos 13 anos.
A maior parte são 12 salas do Barra Prime, um prédio comercial. Todas foram vendidas para a MCA Participações, empresa que tem entre os sócios uma firma do Panamá. Ela adquiriu as salas de Flávio em novembro de 2010 —45 dias depois de o deputado ter comprado 7 das 12 salas.
Quase um mês depois, agora ele é também foco do Ministério Público e demais autoridades. Com o agravamento da crise, o Palácio do Planalto iniciou estratégia para evitar que o episódio gere danos maiores.
A orientação recebida por integrantes da equipe ministerial é de que, a partir de agora, evitem comentar o tema em público, tratando-o como uma questão particular do filho do presidente.
O levantamento de dados pelo Coaf motivou reclamação do senador eleito ao STF (Supremo Tribunal Federal). Na semana passada, a corte suspendeu a investigação que envolvia Queiroz e Flávio.
A Folha enviou perguntas ao advogado e à sua assessoria no final da tarde e início da noite deste domingo, mas não obteve resposta.

Reportagem de Ranier Bragon , Camila Mattoso , Italo Nogueira e Ana Luiza Albuquerque

BOLSONARO E SERGIO MORO NO AVIÃO

Bolsonaro embarca no avião presidencial que vai levá-lo a Davos e logo manda chamar Sergio Moro, que havia sentado bem ao fundo, na janelinha da direita.

O ministro da Polícia senta-se ao lado do presidente e ouve sua ordem, com alguma rispidez: é preciso parar com os vazamentos no Coaf.

O presidente diz que as informações sobre a dinheirama de Queiroz e de Flávio Bolsonaro, vazadas para a Globo, vão destruir o filho, a família, o governo e o Brasil.

– Você manda no Coaf – afirma Bolsonaro.

Sergio Moro responde com a voz um pouco mais fina do que a normal.

– Mas não consigo controlar essa gente. As investigações foram feitas antes da minha chegada. Eles não são dos nossos no comando do Coaf.

– Mas você pode conter os vazamentos contra o meu filho.

– Vou ver se posso. Eu mesmo vazei, e vazei muito, quando comandei a Lava-Jato. O grampo da Dilma na conversa com Lula foi vazado por mim para a Globo.

– Eu me lembro.

– Eu sempre vazei o que era possível vazar e sempre argumentei com essa frase, que disse num seminário da revista Veja, em novembro de 2017: “Não cabe ao Judiciário ser guardião de segredos sombrios”.

– E daí? Agora não há segredos sombrios. Nada na minha vida é sombrio, nem o Queiroz.

– Eu sempre repeti que o interesse público está acima disso tudo, que a divulgação de fatos investigados ajuda a missão do Judiciário contra a corrupção – diz Sergio Moro.

– É complicado isso daí.

– O senhor estava nesse seminário. Essa outra frase também é minha: “Dentro de uma democracia liberal como a nossa, é obrigatório que essas coisas sejam trazidas à luz do dia”.

– Que coisas? Tudo?

– Estou falando da Lava-Jato. Não falo do senhor e dos seus filhos, que são honestos. Mas o que eu gostaria mesmo é de ficar em silêncio e só falar em juízo.

– Mas você não está sendo processado.

Moro passa a mão na testa e fala com a voz ainda mais fina, como se fosse a voz de um adolescente em falsete:

– É verdade, meu presidente.

Bolsonaro pede então que Sergio Moro se retire. Quando o ministro da Polícia se levanta, Bolsonaro determina:

– Agora me chama o Onyx.

E Onyx, que está bem no fundo do avião, conferindo notas de gastos numa lancheria de Brasília, caminha firme em direção à poltrona presidencial.

O avião começa a taxiar na pista e o comandante anuncia aos ilustres passageiros:

– Iniciamos nesse momento nossa viagem com Deus acima das nuvens e de todos.

Bolsonaro toma um gole de suco de laranja e diz a Onyx:

– Preciso da tua ajuda.

O avião balança, como se tivesse entrado numa zona de turbulência, mesmo estando no solo, o copo pula e vira o suco de laranja na gravata amarela de Bolsonaro.

MAIS UM TIRO

A Globo tem mesmo munição para uma guerra longa (ou que talvez venha a ser curta). A manchete do jornal O Globo de hoje pode acabar com tudo: Fabrício Queiroz movimentou R$ 7 milhões em três anos.

É de novo informação do Coaf para o colunista Lauro Jardim. Agora, entende-se o que levou Bolsonaro a tirar o Coaf da Fazenda e transferi-lo para o Ministério da Polícia de Sergio Moro.

O ex-juiz foi usado numa manobra desesperada para que o Coaf seja controlado pela família. Claro que os informantes, com dados conseguidos muito antes da chegada de Moro, não estão sob o controle do ex-juiz.

A Globo é abastecida por gente que Sergio Moro pôs a correr da direção do órgão quando assumiu o Coaf.

Moro cometeu um erro ao demitir Antonio Carlos Pereira de Sousa do comando do Coaf como se caçasse um inimigo. O Coaf tem uma equipe de 37 técnicos.

Os vazamentos são parte da vingança desses técnicos contra o esquema montado para que o bolsonarismo tivesse o controle absoluto das atividades de controladoria da movimentação de dinheiro sujo.

Moro achou, por excesso de soberba, que ainda estava em Curitiba. Foi politicamente amador. Pode estar mandando para o ralo sua estratégia de usar o Ministério da Polícia para chegar ao Supremo.

Só um milagre ou uma gigantesca manobra imoral seriam capazes de oferecer um desfecho “feliz” (para eles, os Bolsonaros e sua turma) nesse caso.

Uma manobra imoral do tamanho da que derrubou Dilma ou da que levou Lula para o cárcere. Ou a direita não tem mais como manobrar?

Bolsonaro não deveria ter autorizado o porte de armas para um jornalismo que hibernava desde o golpe, sem saber direito como iria sobreviver.

Está sendo bombardeado pelo grupo que ajudou a criá-lo como solução para acabar com o lulismo.

Bolsonaro salvou o jornalismo da Globo e pode salvar toda a Globo.

QUEM FICOU COM O MILHÃO?

Espero que essa dúvida que vou revelar agora não me leve à insônia.

Quer dizer que descobriram mais uma movimentação estranha de Flávio Bolsonaro. Um depósito que ele fez de pouco mais de R$ 1 milhão (exatamente R$ 1.016.839). Mas não sabem dizer quem teria sido o favorecido?

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou a movimentação, mas não sabe quando foi feita nem quem recebeu o dinheiro de Flávio Bolsonaro.

Vou dizer o que eu acho. Como a movimentação de um centavo em qualquer banco é registrada, há como não saber quem ficou com R$ 1 milhão?

Então, vou dormir pensando o seguinte: alguém sabe ou muitas pessoas já sabem quem recebeu o milhão, mas dizem que não sabem. Por quê?

Porque aí pode estar a bomba, ou uma delas. Essa situação toda encaminha-se para um desfecho previsível.

Esse caso e seus personagens só poderão ter um final feliz por algum milagre ou por uma manobra mais imoral do que aquela que resultou na cassação de Dilma Rousseff, se é que isso é possível.

Minha intuição me diz que a Globo tem mais munição. Vai usar? Vai avaliar a reação do inimigo (sim, porque Bolsonaro declarou-se inimigo da Globo)? Vai segurar?

Vou tentar dormir. Não sei se os Bolsonaros e o Queiroz conseguirão.

O DINHEIRO DO CHEFE DO QUEIROZ

No dia em que apareceu o dinheiro de Flávio Bolsonaro, arranjaram um jeito de fazer Palocci reaparecer.
Palocci disse hoje em mais uma delação que levou dinheiro de propina para Lula. Prova? Nada. Nenhuma.
A delação de Palocci só existe para produzir notícia em momentos difíceis para a direita.
Nunca acharam contas em nome de Lula ou dinheiro com Lula.
Pois hoje, no mesmo dia da acusação sem provas de Palocci, apareceu uma prova concreta, com dinheiro, contra Flávio Bolsonaro. Furo do jornalismo da Globo, a partir de informações do Coaf.
Flávio, o chefe do Queiroz, recebeu R$ 96 mil em sua conta entre junho e julho de 2017. Foram 48 depósitos de R$ 2 mil em sequência, em dinheiro vivo. Tudo dinheiro picado.
Dinheiro depositados pelos assessores na conta de Queiroz e depois depositados pelo Queiroz na conta de Flávio?
Por que depósitos picados em dinheiro vivo? Para fugir dos controles? É o que as investigações vão ter que esclarecer.
O que a Globo dá a entender é que se trata de uma amostra, de uma movimentação de um período. Deve ter mais.
Chegaram ao filho de Bolsonaro com provas, com grana, e não com conversas.
Mas Lula continua preso e Flavio Bolsonaro e Queiroz continuam soltos.