FALTAM OITO

O Supremo tem 11 ministros. Três já se manifestaram para responder o recado que Bolsonaro mandou pelo filho, com a ameaça de que um soldado e um cabo podem fechar o STF. Rosa Weber, Celso de Mello e Marco Aurélio.
Os outros oito estão pensando, incluindo o presidente da Corte, Dias Toffoli. Nesse ritmo, teremos a manifestação de todos até o fim da semana.
A reação mais forte é a de Celso de Mello, que enviou essa nota à Folha de S. Paulo:
“Essa declaração, além de inconsequente e golpista, mostra bem o tipo (irresponsável) de parlamentar cuja atuação no Congresso Nacional, mantida essa inaceitável visão autoritária, só comprometerá a integridade da ordem democrática e o respeito indeclinável que se deve ter pela supremacia da Constituição da República!!!! Votações expressivas do eleitorado não legitimam investidas contra a ordem político-jurídica fundada no texto da Constituição! Sem que se respeitem a Constituição e as leis da República, a liberdade e os direitos básicos do cidadão restarão atingidos em sua essência pela opressão do arbítrio daqueles que insistem em transgredir os signos que consagram, em nosso sistema político, os princípios inerentes ao Estado democrático de Direito”.

O MANUAL

Quando o jornalismo se dedica a debater como se faz um jornal, e não o que um jornal de fato faz, é porque o jornalismo foi pro brejo.
O interminável debate da Folha em torno do seu Manual de Redação é a confissão de que o exibicionismo pueril superou o relevante no jornalismo.
É como se a Ford convocasse especialistas em automobilismo para um grande debate público sobre o seu manual de conduta e saísse a publicar manchetes a respeito. Todos os dias.
A Ford não cometeria esta asneira. Os compradores de carro estão interessados na performance do carro e não na beleza do manual da empresa ou do manual do proprietário.
O jornalismo é a cara do país. Os jornais são parte da estratégia da direita para infantilizar a democracia, a política e os leitores. O manual é o espelhinho dos jornais. Tem índio que se encanta.

Pobre Bolsonaro

A Folha oferece sua contribuição para a destruição da candidatura de Bolsonaro. O patrimônio imobiliário da família é de pelo menos R$ 15 milhões.
O ídolo da direita letrada e os três filhos políticos são mágicos na multiplicação de bens. São donos de 13 imóveis, alguns na Barra da Tijuca, em Copacabana e na Urca.
Bolsonaro sabe que é o candidato do Parcão, mas não é o preferido da grande imprensa. Será demolido em pouco tempo.

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1948526-patrimonio-de-jair-bolsonaro-e-filhos-se-multiplica-na-politica.shtml

A Folha tenta acertar o prego

Trechos do editorial da Folha sobre a pregação da ‘intervenção militar’ pelo general Antonio Hamilton Mourão. Publico como curiosidade.

Parece texto escrito pelo jaburu-da-mala ou pelo saudoso Rolando Lero, com frases feitas, ditados, todavias, contudos e entretantos. Copiem porque pode cair no Enem.

“Como se diz, para quem só sabe usar um martelo, todos os problemas se parecem com um prego.”

“A democracia brasileira, contudo, ainda engatinha.”

“As instituições, cuja estabilidade não deixa de ser apreciável, amargam todavia desgaste crescente.”

“Executivo, Legislativo e Judiciário afogam-se em escândalos de corrupção e refregas incompatíveis com Poderes de Estado.”

“A polêmica ao menos serviu para mostrar que a sociedade se mantém vigilante.”

Agilidade

A Folha publica hoje um editorial condenando a pregação da ‘intervenção militar’ pelo general Antonio Hamilton Mourão. O título do editorial: desatino militar.
Só que o general fez a pregação em palestra no dia 15. A Folha publicou a notícia no dia 17. E o editorial sai agora, no dia 23, quando o debate está quase esgotado.
Até o seu Mércio já se manifestou contra o discurso do novo golpe. E a Folha demorou seis dias, desde a publicação da reportagem, até se decidir pelo editorial. Seis dias!!! Em seis dias, Deus criou o mundo. A Folha ficou todo esse tempo pensando o que dizer sobre a fala do general.
No golpe de 64 contra Jango e no golpe de agosto do ano passado contra Dilma, a Folha e outros jornais foram mais ágeis…

O riquinho e seus amiguinhos

O prefeito de São Paulo, que é rico e por isso não precisa roubar (como disse em entrevista em Porto Alegre), facilita a vida dos grupos, também muito ricos, que se associam à sua empresa de eventos, a Lide. É denúncia que está em detalhes na Folha de S. Paulo.
Starbucks, Burger King, Caixa Econômica Federal, Uber, Estre Ambiental, Votorantim, Brookfield, Bradesco, IBM e outros grupos têm algum tipo de negócio com a prefeitura. E todos são associados à Lide como “parceiros”.
A matéria explica a relação do grupo de Doria com o governo federal, incluindo a Caixa, e por aí se entende por que ele tem poupado o jaburu-da-mala quando fala de corrupção. Não é por questões políticas, mas de interésses negociais. Doria deve favores ao jaburu.
Todos os grupos citados pela Folha aderiram à ‘parceria’ (que não sei direito o que significa) com a Lide e firmaram contratos com a prefeitura depois que o prefeito riquinho se elegeu. Tudo casualidade.
Em São Paulo, tudo que envolve tucanos é casualidade, da máfia do metrô (processo de 10 anos na Justiça, sem um tucano preso) à quadrilha da merenda escolar.
Ah, dirão, a empresa de eventos do moço está agora em nome dos filhos dele, enquanto o riquinho se dedica à sua campanha pelo bem do Brasil. Ah, bom.
(E por que a Folha desvenda tantos mistérios dos negócios do riquinho? Porque o candidato dos tucanos históricos, incluindo a Folha, é Alckmin.)

Comadres

Marcelo Coelho, um dos principais articulistas da Folha, integrante do conselho editorial do jornal, entra com força na briga com a Globo.
O jornalista diz em artigo publicado hoje que a Globo foi irresponsável ao divulgar, antes da gravação, que o jaburu-rei havia dito a Joesley que continuasse dando mesadas a Cunha.
Para Marcelo Coelho, isso não está provado na conversa.
O texto do colunista desqualifica tudo na Globo, inclusive a linha editorial e os debates da GloboNews em que todos os debatedores são tucanos e, segundo ele, chutam pênaltis sem goleiro. Não há como não concordar.
E levanta a grande dúvida: por que os Marinho querem derrubar o jaburu?
Ele só não diz por que a Folha está cheia de amores pelo jaburu.

Limpeza

A Folha continua a limpeza (como fazem também os outros jornais). Mandou embora o colunista Guilherme Boulos, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST).

Parte do texto da última coluna dele, hoje no jornal:

“Quando um jornal que pretende ser equilibrado toma a decisão de reduzir seu já restrito grupo de colunistas afinados com o pensamento de esquerda e manter um batalhão de colunistas conservadores e de direita, aprofunda sua opção por um certo tipo de público. Sinal dos tempos”.

No fim, vai sobrar só a turma do Reinaldo Azevedo.

 

Mais um

Poucos ofereceram tanta munição pretensamente ‘técnica’ para o golpe quanto João Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União. Nardes foi o relator das contas de Dilma no TCU e concedia uma entrevista por dia para falar das pedaladas.
Era um dos líderes da cruzada ‘moral’ que provocou o golpe e acabou levando corruptos ao poder. Até que o nome dele começou a aparecer nas delações como recebedor de propina. Hoje, tem mais uma notícia sobre Nardes.
O ex-diretor da Petrobras Renato Duque delatou o ministro como recebedor de R$ 1 milhão, para que ele não apresentasse argumentos legais no TCU contra o contrato de uma plataforma metida em rolo.
A propina teria sido negociada em jantar na casa de Nardes, diz a notícia da Folha. E vai acontecer o quê?
Eu sei e quem me lê aqui também sabe muito bem o que vai acontecer. Por isso nem me arrisco a responder. Nardes anda sumido.