Acredite: vão ouvir Aécio

Aécio Neves finalmente será ouvido sobre o caso de Furnas. É quase inacreditável. A decisão é do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que há uma semana pediu mais tempo para investigar o tucano.

Em maio, fará um ano que Aécio está sob investigação do Ministério Público por suspeita de receber propinas de Furnas (já foi delatado meia dúzia de vezes).

Mas até agora nada se sabe do que foi apurado pelas investigações, porque a direita sempre goza dos benefícios do segredo de Justiça.

Segredo de Justiça no Brasil funciona bem quando o investigado é do PSDB.

Que parto

Se fosse uma gestação, o inquérito sobre o caso de Furnas e de Aécio Neves daria cria mais ou menos nesta época.
Há nove meses, no dia 2 de maio do ano passado, a Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo que o inquérito fosse reaberto, depois de ter sido engavetado por ele mesmo, Gilmar Mendes.
Até Eike Batista foi preso, e o caso de Furnas, de mais de uma década, não avança. Ninguém sabe nada sobre as investigações, apesar de Aécio Neves já ter sido delatado uma dúzia de vezes na Lava-Jato.
Ah, dizem, Aécio tem foro privilegiado. Tem. Por isso seu caso está no Supremo. Outros que tinham foro privilegiado (Delcídio do Amaral é o melhor exemplo) pegaram até cadeia.
Este ano, daqui a pouco, Aécio será delatado de novo em mais um depoimento de um dedo-duro sobre Furnas. E por que só o caso dele não avança? Mais uma vez, não vou tentar responder.

Investigação? Só em Cuba

A Justiça paulista conseguiu descobrir que um provedor estatal de Internet de Cuba foi usado por um brasileiro, numa rede social, para difamar Aécio Neves durante a campanha eleitoral de 2014.
Parece brincadeira, mas não é. Esta notícia está nos jornais de hoje e pode ser lida agora na capa da Folha online: “Estatal cubana foi usada em ataques a Aécio em redes sociais”. A notícia diz que Aécio quer processar o difamador.
Mas não se sabe nada até hoje que tenha sido formalmente descoberto no inquérito em que Aécio é investigado por causa das propinas de Furnas.
Talvez seja mais difícil, porque as suspeitas e os indícios sobre as propinas de Furnas estão aqui, no Brasil mesmo, e não em Cuba.

Perguntas

Duas perguntas de 2016, entre tantas outras, que ficaram sem resposta. A primeira: quem vai resgatar na Suíça os R$ 23 milhões que a Odebrecht diz ter depositado para José Serra?

A segunda: o que afinal foi apurado da participação de Aécio Neves na famosa lista de propinas de Furnas? Aécio está sob investigação do Ministério Público Federal desde maio, por determinação do Supremo.

São sete meses e não se sabe nada, nada da investigação. O que Aécio tem que outros não têm?