O teatro de Gilmar Mendes

Gilmar Mendes quebrou 124 flechas de Rodrigo Janot durante a defesa do seu voto contra a apresentação da nova denúncia do Ministério Público em que o jaburu-da-mala é apontado como chefe de quadrilha.
Mendes quebrou o arco, quebrou as flechas, pulou em cima e só não sentou nas flechas porque é perigoso. Atacou Janot, os procuradores de Janot, atacou Joesley Batista, fez mais do que o advogado de defesa do jaburu tentou fazer.
Mas perdeu por sete votos a um. Seu voto foi, até agora, o único contra o prosseguimento da denúncia, que deve agora ser encaminhada à decisão da Câmara, para ser recusada pelos mesmos que refugaram a primeira acusação contra o jaburu.
Gilmar Mendes não tem mais nenhuma preocupação em atuar como advogado do jaburu no Supremo. E ninguém poderá impedi-lo de continuar atuando. O Supremo é um teatro desqualificado por frases em latim, argumentos rococós, poesia ruim e pela performance patética de Gilmar Mendes.

 

Amigos, mafiosos e casualidades

A Folha de S. Paulo ouviu juristas diversos sobre a situação de Gilmar Mendes como amigo de pessoas influentes e de mafiosos que acabam envolvidos em algum processo que passa por ele.
A conclusão geral é a da casualidade, e não a do compadrio. Mendes não é assim tão amigo de ninguém.
O caso tratado é o da suspeição levantada por Janot em torno do processo do mafioso dos ônibus do Rio, tão íntimo que Mendes foi padrinho de casamento da filha do homem.
Mas, por casualidade, Mendes está sempre envolvido ou com essas figuras ou com algum processo que tenha como personagens Aécio ou o jaburu-da-mala, entre outros.
Segundo a maioria dos juristas, é tudo normal. Porque ninguém pode impedir que um juiz do porte de Gilmar Mendes tenha amizades e que essas amizades, por acaso, respondam a processos por atividades mafiosas. E que esses processos, por acaso, caiam nas mãos de Mendes. E muito menos que sua mulher tenha trabalhado, por acaso, para escritórios nos quais os mafiosos são defendidos.
Por tudo isso, o conluio pode ser maior do que o imaginado por Jucá, que incluída o Supremo. O conluio inclui juristas e altas sumidades do Direito. Os mais divertidos são sempre os ‘especialistas’ em alguma coisa da FGV.

Frases exemplares

As frases inspiradoras que voltamos a ouvir esta semana e que iremos ouvir até o fim dos tempos, se o golpe e a mediocridade continuarem vencendo.
Jaburu-da-mala: “A economia está entrando nos trilhos”.
Sergio Moro: “A justiça é para todos”.
Gilmar Mendes: “O rabo não abana o cachorro”.
Cachorro anônimo: “Nos deixem fora dessa”.

Eles temem Lula preso

Esta é a nova tese que se espraia pelo Brasil. Gilmar Mendes estaria soltando todo mundo, no atacado, porque vai ter que soltar graúdos da direita a granel mais adiante.
E a própria direita se diverte com a complementação da teoria. Ontem, Mendes mandou soltar um condenado julgado em segunda instância, porque é preciso preparar argumentos para mais adiante.
Lula poderia ser beneficiado pelo mesmo critério que libertou Vicente Oliveira, condenado por crime tributário, se tiver a condenação determinada por Sergio Moro, no processo do tríplex, confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região em Porto Alegre.
Ninguém sabe quem é Vicente Oliveira, que hoje seria apenas um pretexto para que a ideia de Gilmar Mendes possa prosperar. Liberta-se um Vicente qualquer agora, contrariando até o que o próprio Mendes pensava sobre a soltura de condenados em segundas instância, para libertar outros réus com grife depois.
No caso de Lula, a caçada ficaria pela metade, mas a parte decisiva estaria preservada, que é condená-lo para que não possa concorrer em 2018.
O detalhe é importante: ao não mandar Lula para a cadeia, a direita evitaria uma reação popular imprevisível. E Lula seria ‘apenas’ inelegível, e não um perigoso mártir na prisão.
A extrema direita, essa que está em articulação com o PSDB para o ano que vem, quer Lula preso. Mas a direita mais ‘racional’ não é tão imbecil.
Divirtam-se com a teoria, mas não debochem, porque o golpe segue em frente. Como disse Jucá, com todos juntos e mancomunados.

Os autos de Gilmar Mendes

Gilmar Mendes diz que foi vaiado em evento em São Paulo porque o povo não conhece os autos.
Mendes e outras figuras públicas estão subestimando demais a porção do povo que conhece muito bem os personagens e os crimes dos autos que passam por ele.
Juristas que entendem de autos esperam que Gilmar Mendes enfrente um dia seus próprios autos. Se o Senado finalmente analisar os pedidos de impeachment contra ele por delitos que envergonham o Judiciário.

O deboche

Mais um encontro noturno secreto, desta vez na casa de Rodrigo Maia, com as presenças do jaburu-da-mala e de Gilmar Mendes.
A Folha noticia o encontro da noite deste sábado e informa que, é claro, não estava na agenda de nenhum dos três. Por que um encontro noturno e às escondidas entre três figuras envolvidas nas maiores controvérsias da República? Porque eles decidiram debochar do país que os aceita como donos absolutos dos destinos de todos nós.
O Ministério Público quer que Gilmar Mendes se afaste do caso da máfia dos ônibus do Rio (hoje ele mandou libertar mais quatro suspeitos de participação na quadrilha). Não vai acontecer nada.
E Maia é pressionado pela OAB, via Supremo, para que analise os 25 pedidos de impeachment do jaburu, que ele enfiou na gaveta. Não vai dar nada.
A democracia brasileira está entregue às manobras secretas dessas três figuras. Não há quem impeça suas ações. Eles descobriram que podem manejar como quiserem, sem qualquer interferência de ninguém, muito menos do povo. O povo só quer gastar o FGTS.
É o que um país alienado e acovardado merece.

Os donos do Judiciário

Todos os três advogados de uma lista tríplice enviada ao jaburu-da-mala, para uma vaga de assessor no TSE, têm um dado em comum, um pequeno detalhe.
Os três são funcionários da Gilmar Mendes na faculdade aquela que faz conferências com tucanos em Portugal.
Gilmar Mendes é o dono da faculdade. E preside o TSE. O Judiciário está sendo pisoteado sem nenhuma reação das entidades dos próprios juízes.
Com exceção dos Juízes para a Democracia e de alguns juristas que pediram o impeachment do juiz supremo que faz reuniões noturnas com o jaburu.
Nem na ditadura, sob a ameaça de baionetas e paus-de-arara, o silêncio foi tão perturbador.

A Justiça e os estupradores

Monica Iozzi foi processada por Gilmar Mendes porque o criticou por ter libertado o médico estuprador Roger Abdelmassih, depois de sua condenação a 278 anos de prisão por 58 estupros.

A atriz escreveu na internet que, ao mandar libertar o médico tarado, que acabou fugindo do país, Mendes tornara-se cúmplice de um violentador. Teve que pagar R$ 30 mil por danos morais, por decisão da 4ª Vara Cível de Brasília.

Até hoje, o violentador de pacientes anda de um lado para outro, da cadeia para casa, de casa para algum hospital para ricos e impunes.

O outro caso é o de Jair Bolsonaro, que disse em entrevista que só não iria estuprar a deputada Maria do Rosário porque ela não merece. Mesmo reincidente com suas agressões covardes à deputada, foi condenado agora pelo Superior Tribunal de Justiça a pagar apenas R$ 10 mil de indenização.

Bolsonaro foi condenado e terá de se retratar na internet, o que já é um consolo (alguém esperava que ele fosse absolvido?).

Mas o custo da declaração criminosa do estuprador assumido, que agride uma colega deputada e assim ataca todas as mulheres, é R$ 20 mil mais baixo do que o preço pago por Monica por ter criticado o ministro do Supremo que mandou soltar um estuprador.

Os personagens são emblemáticos. Um juiz sempre envolvido em controvérsias pró-direita e sorteios estranhos, um deputado que se autoproclama violentador e já foi denunciado como racista e homofóbico e um médico estuprador. Do outro, uma atriz e uma deputada, as duas determinadas e valentes. Três homens, duas mulheres, além das dezenas de vítimas do médico tarado.

No Brasil, há estupradores e estupradores, juízes e juízes. E há ofendidos e ofendidas. E mais as vítimas.

O Judiciário brasileiro agora é desmoralizado até pelos estupradores.

Sorte grande

Aécio queria que um processo que corre no Supremo sobre propinas da Odebrecht fosse transferido do ministro Edson Fachin para Gilmar Mendes. Mas a presidente do STF, Cármen Lúcia, negou o pedido.
Mas sempre tem um mas. E o mas, desta vez, é o seguinte. Mas a ministra admitiu que o processo não tem relação com a corrupção na Petrobras e por isso deve sair de Fachin e ser encaminhado a sorteio.
E todos sabem o que acontece com sorteio que envolva Aécio no Supremo.

Divagações sobre indícios

Por acúmulo de indícios, Sergio Moro poderia ser condenado como um juiz parcial a serviço dos tucanos e da direita. Mas isso só aconteceria se ele fosse submetido ao julgamento sumário dessa nova linha da justiça criminal sem provas.

O que se sabe é que Moro está aquém da missão que acha ter no mundo, que é a de acabar com Lula. É tão limitado que até seu humor (uma boa medida de mediocridades) é de propaganda da Amanco.

Essa conexão entra a sentença de nove anos e meio e o número de dedos de Lula (com o detalhe do meio dedo) é mais do que uma grosseria, é uma ideia bagaceira. A direita Zorra Total considerou genial.

E Gilmar Mendes? Gilmar Mendes é um juiz que, pelas coincidências da vida, sempre é sorteado para decidir sobre um caso envolvendo tucanos. E que sempre decide, por casualidade, a favor dos tucanos.

Se fossem números, com três pra cada um, Moro e Mendes seriam a mega-sena acumulada a favor da direita. Tudo por casualidade.

E nós? Nós devemos continuar tentando o Jogo do Bicho. Deixo aqui, como palpite, os números do avestruz: 1, 2, 3 e 4.