O DUELO GLOBO-INTERCEPT

Por que a Globo passa a insistir na teoria da infiltração dos russos no escândalo dos vazamentos? Porque, se a aparecer alguma coisa que a envolva no pântano de Curitiba, tudo terá sido obra dos comunistas.
O duelo agora não é mais entre a Globo e Bolsonaro, pelo menos por enquanto. Agora é do Intercept de Glenn Greenwald com a Globo.
Há armadilhas nessa briga em que Greenwald diz que a Globo é parte do conluio da Lava-Jato contra Lula, e a Globo tenta desqualificar os arquivos dos vazamentos das conversas em que se confirma que Moro mandava em Dallagnol.
A armadilha seria esta: Moro pode cair, mas os Bolsonaros, o pai e os filhos, podem se fortalecer. Uma Globo fragilizada, com eventuais vazamentos que a comprometam, teria que força para continuar enfrentando Bolsonaro?
“A Globo foi para a força tarefa da Lava-Jato aliada, amiga, parceira, sócia”, diz Glenn Greenwald. O jornalista avisa: tem mais coisa guardada.
A Globo terá de levar adiante a tese da espionagem dos russos. E combinar com a turma de Curitiba que a estratégia agora é insinuar que todo vazamento é falso. Depois de admitirem, na arrancada, que as conversas eram verdadeiras.
Temos então a batalha entre o jornalismo meia boca da Globo (que tentava pegar Bolsonaro para se livrar da extrema direita que ameaça a organização) e o jornalismo de verdade do Intercept.
A Globo, que ajudou no golpe, que abandonou Eduardo Cunha, que não conseguiu depois derrubar o jaburu, que inventou Bolsonaro e que se volta agora contra a criatura enfrenta não só um site, mas toda uma rede alternativa que faz jornalismo sem falsas neutralidades, à margem do esquema poderoso da grande imprensa.
Uma pedrada na testa pode acabar com tudo.

GLOBO ATACA GREENWALD

A Globo pegou pesado com Glenn Greenwald, o diretor do Intercept Brasil. Esta é a nota divulgada há pouco pelo site Agência Pública em que a Globo ataca o jornalista pela entrevista concedida ao mesmo site.

“Segue esclarecimento da Comunicação da Globo sobre a entrevista de Glenn Greenwald, publicada por seu veículo.

Glenn Greenwald procurou a Globo por e-mail no último dia 29 de maio para propor uma nova parceria de trabalho. Em 2013, a emissora já havia dividido com ele o trabalho sobre os documentos secretos da NSA referentes ao Brasil. Uma parceria que mereceu elogios dele pela forma como foi conduzido o trabalho.

Greenwald ficou ainda mais agradecido por um gesto da Globo. Nas reportagens que a emissora divulgou, em algumas frações de segundo era possível ver nomes de funcionários da agência americana, que não trabalhavam em campo, mas em escritório. Mesmo assim, tal exposição poderia levá-lo a responder a um processo em seu país natal, os Estados Unidos. A Globo, então, assumiu sozinha a culpa, declarando que, durante a realização da reportagem, Greenwald se preocupava sobremaneira com a segurança de seus compatriotas. Tal atitude o livrou de qualquer risco.

Ao e-mail do dia 29 de maio seguiram-se alguns telefonemas na tentativa de conciliar agendas (ele estava viajando) para um encontro, finalmente marcado. Ele ocorreu na redação do Fantástico no dia 5 de junho. Na conversa, insistindo em não revelar o tema, ele disse que tinha uma grande “bomba a explodir” e repetiu que queria voltar a dividir o trabalho com a Globo, pelo seu profissionalismo. Mas, antes, gostaria de saber se a emissora tinha algo contra ele, sem especificar claramente os motivos da pergunta, apenas dizendo que falara mal da Globo em algumas ocasiões. Provavelmente se referia a um artigo que seu marido, o deputado David Miranda, do PSOL, tinha publicado no Guardian com mentiras em relação à cobertura do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O artigo foi rebatido por João Roberto Marinho, presidente do Conselho Editorial do Grupo Globo, fato que deu origem a comentários desairosos do próprio Greenwald.

Na conversa de 5 de junho, ele afirmou que “tudo estava no passado”. Prontamente, ouviu que jamais houve restrição (de fato, David Miranda já foi inclusive convidado para entrevista em programa da GloboNews). Greenwald ouviu também, com insistência, por três vezes, que a Globo só poderia aceitar a parceria se soubesse antes o conteúdo da tal “bomba” e sua origem, procedimento óbvio. Greenwald se despediu depois de ouvir essa ponderação.

A Globo ficou aguardando até que, na sexta-feira à tarde, Greenwald mandou um e-mail afirmando que não recebeu nenhuma resposta da Globo e que devia supor que a emissora não estava interessada em reportar este material. Como Greenwald, no e-mail, continuava a sonegar o teor e origem da “bomba”, não houve mais contatos. Não haveria como assumir qualquer compromisso de divulgação sem conhecimento do que se tratava.

No domingo, seu site, o Intercept, publicou as mensagens atribuídas ao ministro Sergio Moro e procuradores da Lava-Jato, assunto que mereceu na mesma noite destaque em reportagem de mais de cinco minutos no Fantástico (e depois em todos os telejornais da Globo).

Na segunda, uma funcionária do Intercept sugeriu que o programa Conversa com Bial entrevistasse um dos editores do site para um debate sobre jornalismo investigativo. Como o próprio site anunciou que as publicações de domingo eram apenas o começo, recebeu como resposta que era conveniente esperar o conjunto da obra, ou algo mais abrangente, antes de se pensar numa entrevista.

Por tudo isso, causam indignação e revolta os ataques que ele desfere contra a Globo na entrevista publicada na Agência Pública. Se a avaliação dele em relação ao jornalismo da Globo e a cobertura da Lava-Jato nos últimos cinco anos é esta exposta na entrevista, por que insistiu tanto para repetir “uma parceria vitoriosa” e ser tema de um dos programas de maior prestígio da emissora? A Globo cobriu a Lava-Jato com correção e objetividade, relatando seus desdobramentos em outras instâncias, abrindo sempre espaço para a defesa dos acusados. O comportamento de Greenwald nos episódios aqui narrados permite ao público julgar o caráter dele.”

A MORAL DA GLOBO

O repórter Mauro Naves foi suspenso pela Globo porque teria passado dos limites nas regras, muitas vezes nem escritas, da relação de um jornalista com suas fontes.

Naves teria passado “contatos” (as notícias não esclarecem que contatos são esses) do pai de Neymar para os advogados de Najila Trindade, a moça que acusa o jogador de estupro.

Diz a nota da Globo: “Mauro Naves é um profissional excelente, com grandes contribuições ao Jornalismo Esportivo da Globo. Mas há evidências de que as atitudes dele neste caso contrariaram a expectativa da empresa sobre a conduta de seus
jornalistas”.

Expectativas? Se a Globo e as grandes corporações da imprensa brasileira tornarem tal decisão uma regra, sobrarão poucos. A imprensa vive dessa troca.

O chamado jornalismo de fontes, que ouve declarações nos cantinhos e em elevadores, manda recados, obtém furos e faz muitas vezes apenas o que a fonte quer, é quase regra na política. Mais do que no futebol, muito mais.

A grande imprensa vive disso. Muita gente fez fama com essa tática que alguns podem achar promíscua. Sem isso, não existiria jornalismo, nem Watergate, nem Lava-Jato.

A Lava-Jato é um resultado clássico dessa relação quase sem limites de jornalistas com os condutores de uma caçada, no Ministério Público de Deltan Dallagnol e no Judiciário de Sergio Moro, ou nada se saberia de delações e vazamentos.

O furo que Sergio Moro oferece de bandeja à Globo, quando grampeia Lula e Dilma e oferece a gravação da conversa à Globo, é o maior troféu dessa promiscuidade nos últimos anos.

Aquilo foi um delito do juiz e só existiu porque alguém da Globo topou a troca. A Globo ajudava a derrubar Dilma e a comprometer Lula, e o juiz ganhava fama.

A Globo tenta agora punir Mauro Naves porque o caso tem repercussão por um aspecto, o da moralidade dos costumes, que pune também a moça enquanto tenta punir o jogador.

A Globo nunca temeu se misturar a vazadores de informações sobre corrupção do PT e apenas do PT. Mas teme se envolver com vazamentos envolvendo estupro. Talvez porque Neymar precise de uma “proteção ética” que Dilma e Lula nunca tiveram.

É uma atitude muito ruim. É falsa. É cínica.

#CadêOQueiroz?

A Globo encontrou até a viúva de Pablo Escobar para uma entrevista no Fantástico, mas não encontra o Queiroz.
A Folha encontrou o manifestante atropelado por um tanque nas ruas de Caracas, mas não encontra o Queiroz.
O Estadão encontrou o último deputado liberal perdido entre bolsonaristas na Câmara, mas não encontra o Queiroz.
Os jornais são capazes de encontrar o último cágado das ilhas de Ubatuba. Mas não encontram o Queiroz.
Sergio Moro pode até dizer que não é com ele, porque ele não interfere em mais nada desde que saiu de Curitiba. Mas nós podemos perguntar: cadê o Queiroz, Sergio Moro?

AS MILÍCIAS E A GLOBO

Todos os dias o Globo traz alguma reportagem sobre as milícias e os Bolsonaros. Hoje, não achei nada, até porque não há como manter o assunto em pauta todo tempo.
O Brasil já teve e tem políticos ligados descaradamente a grileiros, desmatadores, assassinos de índios, banqueiros, sonegadores, juízes e todo tipo de mafioso.
Mas o país não sabia (apenas desconfiava) que tinha políticos envolvidos com milicianos e suas famílias. É o que o Globo tenta dizer todos os dias.
E vai continuar dizendo, porque o grande duelo do bolsonarismo é o do pai e dos manos com a Globo.
O enfrentamento mortal dos Bolsonaros não é com as esquerdas, a igreja Católica, o papa, os sem-terra, os sem-teto, os partidos.
Não é com os movimentos sociais, os estudantes, os professores. Não é, por enquanto, com nenhum deles, até porque a capacidade de reação de todos esses grupos está fragilizada.
Por enquanto, o duelo explícito, descarado, a guerra aberta para matar ou morrer, desde o começo do governo, é com a Globo. Os Bolsonaros atiram e a Globo responde.
Por isso o Globo não pode deixar de nos informar, todos dias, alguma coisa sobre a relação das milícias com os Bolsonaros.
Hoje, senti falta. Não achei nada sobre as milícias do Rio das Pedras. Mas posso ter sido distraído.

Texto do Globo, com base em reportagem da revista IstoÉ:

O senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) entregou suas contas de campanha para o Senado à irmã de dois criminosos – os irmãos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, presos, em agosto do ano passado, na operação Quarto Elemento, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público do Rio de Janeiro. Valdenice de Oliveira Meliga, que era lotada no gabinete de Flávio na Alerj , assinou cheques de gastos de campanha em nome dele. É o que revela uma reportagem publicada pela revista “Isto É”. O parlamentar já havia empregado em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a mãe e a mulher do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe do grupo de milicianos conhecido como Escritório do Crime.

A revista teve acesso a dois cheques assinados por Valdenice, em nome da campanha de Flávio: um de R$ 3,5 mil e outro de R$ 5 mil.

Os irmãos participaram de atos de campanha do senador, antes da prisão. Em foto publicada no perfil de Flávio no Instagram, em outubro de 2017, o então deputado estadual aparece ao lado dos irmãos Alan, Valdenice e Alex, e do pai, Jair Bolsonaro. “Parabéns Alan e Alex pelo aniversário. Essa família é nota mil!!!”, dizia a mensagem

Vale ressaltar que outra funcionária do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj exerceu a função de primeira-tesoureira do PSL no Rio. Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira fez a contabilidade de 42 campanhas eleitorais do partido no estado, por meio de sua empresa, a Alê Soluções e Eventos Ltda. O curioso é que o cheque de R$ 5 mil era destinado à empresa de Alessandra, que recebia de volta parte desse dinheiro, como pagamento pelos serviços de contabilidade prestados por sua empresa.

Segundo a reportagem da revista, Alessandra recebeu R$ 55 mil das campanhas do PSL, cobrando valor entre R$ 750 e R$ 5 mil de cada candidato.

A Alê Soluções foi constituída em maio de 2007. De acordo com a Receita Federal, a empresa fica na Estrada dos Bandeirantes 11.216, em Vargem Pequena, zona oeste do Rio de Janeiro. Mas o endereço registrado no Tribunal Regional Eleitoral é Avenida das Américas número 18.000 sala 220 D, no Recreio dos Bandeirantes, o mesmo endereço na sede do PSL.

Alessandra Oliveira disse à Isto É que não vê conflito ético no fato de ser ao mesmo tempo tesoureira do partido, funcionária de Flávio Bolsonaro e ter contratado sua empresa para fazer a contabilidade das campanhas.

Segundo o jornal O Globo, Flávio Bolsonaro diz que a reportagem da revista faz “uma ilação irresponsável” ao tentar vinculá-lo com candidaturas irregulares e milicianos em “mais uma tentativa de denegrir a imagem do senador”.

“Val Meliga é tesoureira geral do PSL. Tinha como determinação legal a obrigação de assinar cheques do partido em conjunto e jamais em nome do atual senador.Os supostos irmãos milicianos apontados pela revista são policiais militares. Em relação aos serviços de prestação de contas eleitorais, não houve qualquer direcionamento do PSL-RJ relacionado à escolha dos profissionais de assessoria contábil e jurídica. Todas as prestações de contas foram aprovadas, ratificando a legalidade e lisura durante o processo eleitoral”.

OS BOLSONAROS E A GLOBO

Não há mais nenhuma dúvida de que a crise com Gustavo Bebianno vai muito além da suspeita de que ele esmagava as laranjas sem socializar o suco com a parceria. A turma não teria gostado desse egoísmo.
O que está claro agora é que a crise envolve também a Globo. Bolsonaro estaria sendo traído por seus ministros, enquanto tentava sobreviver depois da cirurgia no Albert Einstein.
A traição foi configurada nas reuniões de gente do primeiro escalão com o vice-presidente de Relações Institucionais da Globo, Paulo Tonet Camargo, que também preside a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão.
Que ponte a Globo tentou armar com Bebianno e outros do governo, sem o conhecimento de Bolsonaro? O que os ministros querem com a Globo que Bolsonaro não pode ficar sabendo?
Outra informação sobre a pressa dos filhos em detonar Bebianno cita o site O Antagonista, de Diogo Mainardi. De aliado dos Bolsonaros, de repente Mainardi se transformou em crítico da família. O que Bebianno tem com isso?
Por que de uma hora para outra Mainardi passou a debochar da família? O que Mainardi estava querendo que não conseguiu com os Bolsonaros?
Outra pergunta possível hoje (e talvez a mais importante) é esta: quem afinal ainda está com os Bolsonaros? Formulada de outra forma fica assim: com quem os Bolsonaros ainda podem contar?

O ENVIADO

Mais uma notícia para preocupar os já preocupados, publicada na coluna do jornalista que mete três furos por dia sobre os rolos dos Bolsonaros, o colunista Lauro Jardim, do Globo.

Leiam o que ele escreveu no site do jornal:

“Na quinta-feira, horas depois de Luiz Fux ter paralisado a investigação do Ministério Público sobre o caso Queiroz, Jair Bolsonaro mandou um enviado da sua confiança para falar com o ministro sobre a sua decisão”.

Um enviado falar com um ministro que momentos antes havia tomado uma decisão que favorecia a família Bolsonaro. Estranho? O que o enviado mandou dizer? Foi agradecer?

E quem vazou a informação sobre o enviado? Alguém do gabinete do ministro ou do gabinete de Bolsonaro?

Talvez isso tenha faltado a Dilma e a Lula: um enviado de confiança que tivesse a petulância de falar com um ministro do Supremo no mesmo dia de uma decisão envolvendo o governo.

MAIS UM TIRO

A Globo tem mesmo munição para uma guerra longa (ou que talvez venha a ser curta). A manchete do jornal O Globo de hoje pode acabar com tudo: Fabrício Queiroz movimentou R$ 7 milhões em três anos.

É de novo informação do Coaf para o colunista Lauro Jardim. Agora, entende-se o que levou Bolsonaro a tirar o Coaf da Fazenda e transferi-lo para o Ministério da Polícia de Sergio Moro.

O ex-juiz foi usado numa manobra desesperada para que o Coaf seja controlado pela família. Claro que os informantes, com dados conseguidos muito antes da chegada de Moro, não estão sob o controle do ex-juiz.

A Globo é abastecida por gente que Sergio Moro pôs a correr da direção do órgão quando assumiu o Coaf.

Moro cometeu um erro ao demitir Antonio Carlos Pereira de Sousa do comando do Coaf como se caçasse um inimigo. O Coaf tem uma equipe de 37 técnicos.

Os vazamentos são parte da vingança desses técnicos contra o esquema montado para que o bolsonarismo tivesse o controle absoluto das atividades de controladoria da movimentação de dinheiro sujo.

Moro achou, por excesso de soberba, que ainda estava em Curitiba. Foi politicamente amador. Pode estar mandando para o ralo sua estratégia de usar o Ministério da Polícia para chegar ao Supremo.

Só um milagre ou uma gigantesca manobra imoral seriam capazes de oferecer um desfecho “feliz” (para eles, os Bolsonaros e sua turma) nesse caso.

Uma manobra imoral do tamanho da que derrubou Dilma ou da que levou Lula para o cárcere. Ou a direita não tem mais como manobrar?

Bolsonaro não deveria ter autorizado o porte de armas para um jornalismo que hibernava desde o golpe, sem saber direito como iria sobreviver.

Está sendo bombardeado pelo grupo que ajudou a criá-lo como solução para acabar com o lulismo.

Bolsonaro salvou o jornalismo da Globo e pode salvar toda a Globo.

O MASSACRE

Se quiserem e se não sucumbirem a uma trégua, a Globo e a Folha poderão triturar os Bolsonaros.
O bolsonarismo ressuscitou o jornalismo moribundo. Os jornais estavam entregues à sua irrelevância com o esvaziamento das redações e a desistência de fazer jornalismo.
A maioria comeu pela mão da Lava-Jato, sem produzir uma, só uma reportagem de investigação sobre o caso.
Alguns optaram pelo jornalismo de opinião de direita como tentativa de salvação. Mas a maioria sobrevivia da inércia, mandando embora jornalistas de esquerda, à espera do que acontece com jornais em todo o mundo, inclusive os já alojados no mundo virtual.
Mas Bolsonaro brigou com quem não poderia ter brigado. Não só com os comandos das empresas, mas com os jornalistas. O bolsonarismo ressuscitou o furo, como os dois aplicados pelo grupo Globo ontem.
Primeiro, o Globo antecipou a posição do ministro Marco Aurélio sobre a pretensão desastrada de Flávio Bolsonaro de buscar refúgio no Supremo e desmontar as investigações do Ministério Público do Rio.
E depois veio o furo da TV Globo, que revelou que Flávio recebeu, em 2017, R$ 96 mil depositados em dinheiro vivo na sua conta. Foi devastador. A cachorrada está solta. Até os jornalistas fofos começam a se revoltar.
Os Bolsonaros acharam que iriam fazer comunicação com mensagens de fumaça pelo Twitter e pelo WhatsApp, para o contingente de estúpidos que acredita em tudo o que eles dizem.
Queriam continuar em campanha. Subestimaram a estrutura de comunicação da direita (que sempre os rejeitou), que ainda conversa com a classe média, como o PT já havia subestimado.
Os Bolsonaros são atacados por todos os lados, inclusive em relação às suas vidas privadas. Experimentam os mais variados bumerangues na testa. Não deveriam ter provocado tantos inimigos ao mesmo tempo.
Não há como enfrentar a Globo, a Folha, as ex-namoradas, os desafetos que hibernavam, os inimigos dos primos e agora o Ministério Público e um ministro que destoa do acovardamento do Judiciário, do Supremo, com Fux e com tudo.
Os Bolsonaros terão de pedir uma trégua, mas talvez seja tarde demais.