A PROPINA DA GLOBO

Está protocolada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma representação em que PT, PDT e PSOL acusam a rede Globo de ter ferido a concorrência no caso de propinas da Fifa.
Os partidos também acionaram a Procuradoria-Geral da República para que investigue o crime denunciado por um delator. E ainda pediram ao Ministério da Ciência e Tecnologia que casse a concessão da TV, porque a Globo, ao pagar por fora para obter licença de transmissão de jogos, feriu a Lei Geral de Telecomunicações.
O que vai dar disso tudo? Nada. Nem no Cade, nem no MP e muito menos no Ministério do jaburu. Talvez dê alguma coisa na Suíça ou nos Estados Unidos.
Só teria alguma consequência aqui se tivesse uma reforma em uma cozinha ou se achassem pedalinhos e barcos de alumínio. Não vai dar nada. Nunca dará nada. Nada, nada, nada. A não ser que um filho do Lula apareça na história como homem forte da Fifa.

O truque da auditoria

A conversa da Globo de que fez auditoria nas suas contas e não descobriu pagamento de propinas é uma armadilha para incautos. A direita está certa de que o país se imbecilizou a ponto de aceitar qualquer explicação.

O truque foi consagrado pelos tucanos na Lava-Jato. Se alguém fez algo errado, não foi o comando da Globo, foi um subalterno. E uma auditoria poderia descobrir a mutreta.

A Globo transfere o rolo com as propinas do futebol para algo ou alguém que poderia estar fora do seu controle. Ou seja, se a propina for confirmada, a Globo dirá que alguém de escalões inferiores cometeu o crime, mas não a Globo.

A Globo adota a tática do PSDB. Nunca a culpa é deles, nem mesmo dos tesoureiros deles, quando há corrupção comprovada. Não há um tesoureiro tucano investigado, um só.

A culpa sempre é de alguém sem ligação orgânica com o partido, um operador, um agregado, um tarefeiro. É assim nos casos que investigam Serra, Alckmin, Aécio, Aloysio Nunes e os governos tucanos desde os anos 90 em São Paulo.

Nunca vai aparecer, no caso do metrô, por exemplo, um cacique tucano no rolo ou alguém do partido. O condenado é sempre um gerentinho do metrô. Não há um tucano condenado pela máfia do trem dos governos do PSDB. Só ajudantes prestativos.

Com a conversa da auditoria, a Globo está apenas tentando enganar trouxa. A média da população, segundo a Globo, vai entender que uma auditoria interna é algo esclarecedor. E todos os dias eles vão anunciar que a auditoria interna não descobriu nada.

Enquanto isso, um já se matou na Argentina, um peruano ameaçou o delator Alejandro Burzaco de degola e o próprio delator está em crise nervosa em Nova York.

A Globo se meteu com gente da pesada da máfia internacional do futebol. Mas um gerente de terceira linha vai pagar o pato. No Brasil, a teoria do domínio do fato só vale para condenar gente do PT.

José Dirceu dança mal

O Estadão flagrou José Dirceu dançando numa festa. O Jornal Hoje, da Globo, mostrou o vídeo. Pensei muito sobre o motivo da notícia. É um condenado que foi libertado. É um cara com uma tornozeleira.
Foi caçado pelo Joaquim Barbosa (sem uma única prova) e é caçado agora pelo Sergio Moro (juristas dizem que também sem provas). E daí? Não pode dançar?
Nunca tive simpatia por José Dirceu, que alguns apontam como o cara que empurrou o PT para muitos erros, pela soberba e pelo excesso de poder.
Mas mostrar Dirceu dançando significa o quê? Significa que a Globo tenta mostrar uma indecência de Dirceu, depois do flagra com a indecência do seu apresentador racista.
A Globo vai tentar, de todas as formas, mostrar deslizes de alguém da esquerda. Se não encontra racistas, tentará encontrar condenados pela Justiça seletiva que dançam. Assim como não acham nada contra Dilma e tentam processá-la agora por causa da morte de um cachorro.
Hoje à tarde fiquei pensando que a Globo pode ter mostrado o vídeo porque José Dirceu dança mal. Temos a única prova contra José Dirceu. É um péssimo dançarino. Aí o vídeo pode ter algum fundamento. O William Waack deve dançar melhor.
Eu queria ver o William Waack dançando capoeira com o cara aquele que deu os buzinaços lá em Washington.

Intocáveis?

William Waack é apenas uma das excrescências que a Globo mantém no ar. O jornalismo se autoprotege há muito tempo, principalmente nos redutos da direita, porque os tais ‘formadores de opinião’ se acham intocáveis.
Quem comentar qualquer atitude de jornalista, centrado nas suas atividades, corre o risco de ser acusado de atentar contra a liberdade de opinião. Não é nada disso.
Jornalista é tão criticável como qualquer outro profissional de qualquer área. Jornalista que critica o Papa, os políticos, os jogadores de futebol, os professores (alguns adoram atacar professores em greve), os servidores públicos e os sindicalistas e ainda faz fofoca de celebridade tem que se submeter às críticas também dos colegas.
Jornalista não tem foro privilegiado. Jornalista que protege colega para livrá-lo de críticas age em nome do corporativismo, só isso. E pior ainda se o corporativismo é acionado para proteger racistas.

https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2017/11/william-waack-e-acusado-de-racismo-apos-video-vazado-na-internet.shtml

A derrota da Globo

O grande debate interno na Globo não é sobre a audiência das novelas. É sobre o fracasso do esforço global para derrubar o jaburu-da-mala e Aécio.

As esquerdas quase que desistiram de discutir a inconsequência dos seus discursos e das suas tentativas de ação. As esquerdas não derrubam nem síndico. Mas a Globo deve estar debatendo todos dias a incapacidade de derrubar o jaburu.

Por que a Globo bate todos dias de forma implacável no jaburu e no Quadrilhão e não consegue derrubar os golpistas que eram seus aliados? Por que a Globo fez todos os esforços nos últimos dias para acabar com Aécio e não conseguiu?

As esquerdas falharam, os estudantes se recolheram, a classe média se encaramujou e o povo está hibernando, mas porque a Globo falha?

Será que o povo, de quem a Globo também depende para levar adiante seu plano, sabe que a Globo está armando o próximo golpe com Rodrigo Maia, ou com Henrique Meirelles, ou com qualquer um que impeça a realização de eleição em 2018?

O que se sabe é que a direita organizada, a direita dos raposões do PMDB e do PSDB, com a ajuda do baixo clero do Congresso, desplugou-se da casa dos Marinho. Essa direita salvou Aécio para salvar o jaburu amanhã.

A Globo perderá de novo na votação da segunda denúncia contra o jaburu. E a goleada será maior do que na primeira votação no início de agosto. A Globo já não governa como antes.

Comam chocolate

Está ficando bandeiroso demais o esforço da Globo para falar mal do jaburu e, ao mesmo tempo, dizer que a economia está reagindo.
É preciso afirmar todos os dias que a economia de Meirelles vai bem, porque Meirelles é o cara que pode assumir o governo em novo golpe de eleição indireta. E ao mesmo tempo repetir que o jaburu vai politicamente mal.
O Jornal Nacional está deitando e rolando na invenção sobre a fantástica expansão do consumo e dos investimentos. A Globo está pedindo até que as pessoas comam mais chocolate para melhorar a sensação de prazer e otimismo.
Um economista especialista em prazeres foi ouvido e disse que é bom. Se ele não diz, eu não como. O homem deu base científica pra coisa (esse cara deveria falar de prazeres em exposições do Santander…).
O que importa é que a ciência do chocolate está aí, e o povo não percebe que tudo melhorou. O povo é ingrato. O povo precisa comer mais chocolate.

O ascoso

Alexandre Garcia, porta-voz de Figueiredo na ditadura e uma das aberrações do jornalismo brasileiro, lendo no Jornal Nacional, com cara de sério, as notícias sobre Lula na Lava-Jato.

O ascoso Alexandre Garcia, que sabia da ditadura o que muitos jornalistas de verdade gostariam de saber (até porque era porta-voz e bajulador, como mostram vídeos no youtube), é hoje a melhor imagem da Globo sem disfarces.

A presença do porta-voz de um regime que torturou, matou e escondeu cadáveres, agora na bancada do principal jornal do grupo, mostra bem o que é a Globo.

Os Marinho não têm o menor interesse em se desvincular desse período, apesar da farsa dos pedidos de ‘desculpas’ pelo apoio aos ditadores. Certas dívidas com a ditadura e seus prepostos são impagáveis.

A presença de Alexandre Garcia preserva a ponte entre a Globo e a memória da ditadura que a família ajudou a articular e sustentar.

AS CRIANCINHAS DA GLOBO

Quando fez o gol mil, Pelé produziu a famosa frase com o apelo: “Pensem nas criancinhas”. Mas o Brasil não embarcou na conversa e no choro do craque que nunca fez nada de muito importante pelos negros e pelas criancinhas pobres.

A Globo é o nosso Pelé permanente com essa campanha anual da Criança Esperança. Um grupo que sempre conspirou contra projetos de esquerda que poderiam mexer nas estruturas das desigualdades (que maltratam as crianças porque antes maltratam os pais das crianças) passa o chapéu para que tudo continue como está.

Para a Globo, as nossas misérias podem ser resolvidas com altruímos patrocinados. Uma corporação gigantesca usa seu poder de comunicação para se apropriar da ideia da benemerência como substituta, e não como complementar de uma política transformadora e de ações coletivas permanentes e efetivas.

Prevalece o marketing oportunista da solidariedade eventual, para que alguns se consolem com um gesto por ano pelas criancinhas. Quem puder, que doe trinta reais e acalme sua consciência. A Globo usa as criancinhas para parecer bondosa.

Pergunte aos donos da Globo se eles pagariam mais impostos, para que as criancinhas e suas famílias, suas escolas e suas comunidades não dependessem das suas campanhas de donativos.

(Pretendia escrever duas linhas e saiu tudo isso, sob inspiração de um post do Zé Adão Barbosa, que li ontem e dizia o seguinte: “Deve ser foda pra alguns artistas da globo terem que apresentar “criança esperança”. Eu morreria de vergonha”.)

Ir embora pra onde?

Para onde se foge num momento como esse, se o vasto mundo, na hora da verdade, parece virar um minifúndio? Para onde se foge da quadrilha do jaburu, da empáfia impune de Aécio, do pato da Fiesp, da Justiça seletiva de Sergio Moro? Foge-se para Portugal, a nova terra de Evaristo Costa?

É o tema do meu texto no Extra Classe.

http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2017/07/ir-pra-onde/