A vingança de Eike

A tese de que Eike Batista denunciou Mantega apenas para ganhar privilégios da Lava-Jato talvez não diga tudo.
O que importa mesmo é uma pergunta que o bom jornalismo das grandes redações de São Paulo e do Rio tentaria responder até anos atrás: o que Eike pode ter pedido e não levado de Guido Mantega?
A resposta poderia explicar por que Eike ataca Mantega sem piedade. Mas aí é pedir demais de redações atordoadas pelo golpismo.

O roteiro

Guido Mantega preso pela Polícia Federal na porta do hospital onde iria acompanhar a mulher que passaria por cirurgia. É normal? É assim mesmo? Tudo agora é normal?
Para onde poderia fugir o perigoso Guido Mantega, se não tivesse sido preso na portaria do hospital? Que acusação grave (com provas ou convicções?) há contra Guido Mantega, para que tenha sido preso no exato momento em que a mulher era operada?
Qual é o real significado desse gesto que insinua a urgência da lei contra alguém fragilizado por um drama pessoal?
Os mais jovens podem entrar no Google e pesquisar situações semelhantes que antecederam momentos terríveis da História.
O hino na palestra do juiz justiceiro, a caçada que chega aos hospitais, as denúncias sem provas, a espetacularização da polícia, do Ministério Público e da Justiça, o cerco a filhos, cunhados e parentes de acusados, as ações ‘moralizantes’ seletivas, o golpe….
Não precisa ser mais antigo nem mais sábio para prever o desfecho desse roteiro.