Desculpas

Bolsonaro pediu desculpas pelo vídeo do leão, porque nem sabe direito quem fez o vídeo com ataques ao Supremo, à OAB e aos partidos. Mais de cem pessoas teriam a sua senha das redes sociais.
Pois o Supremo está mudo, calado. Só falta aceitar as desculpas (com exceção de Celso de Mello) e querer saber se Flavio Bolsonaro não está precisando de alguma ajuda no momento.

O LEÃO CANSADO

O assunto agora é o leão Bolsonaro, que tenta enfrentar as hienas do Supremo, da imprensa, dos partidos (incluindo o PSL), da OAB, dos inimigos do seu poder atrapalhado.
Bolsonaro publicou o vídeo do ataque das hienas com plaquinhas dos inimigos na cabeça (coisa grotesca) e retirou logo a brincadeira do Twitter. Eu vi o vídeo e entendo o motivo da eliminação. O leão estava muito alquebrado.
E, enfim, até os macacos sabem que Bolsonaro não é leão. Bolsonaro é outro bicho.

As hienas que atacam adolescentes

A deputada Maria do Rosário e o professor Eliezer Pacheco terão trabalho na luta para identificar e processar os responsáveis pelas agressões à filha deles na internet. Preparem-se para os argumentos ‘legais’ a favor dos covardes.

Vão dizer que as leis não são claras a respeito de crueldades nas redes sociais, que é difícil penalizar alguém por excessos cometidos em nome da liberdade de expressão, que a Polícia Federal não consegue esclarecer quem são os autores das violências, que isso e aquilo.

Não se surpreendam se não der em nada, como não dá em nada quase tudo que tenta enquadrar a direita na Justiça brasileira. Os fascistas se refestelam até quando se submetem a um Judiciário tão rigoroso com as esquerdas.

E os corruptos tucanos, a turma do Jaburu, os sonegadores do pato da Fiesp, todos sabem que têm grandes chances de continuar escapando. Que talvez peguem um ou outro, pra dizer que pegaram um bagre, mas a maioria ficará impune. É ingrata a luta contra a direita.

A Justiça que será acionada por Maria do Rosário (dependendo do êxito das investigações da Polícia Federal) talvez frustre os que esperam punição severa aos que exploraram politicamente a imagem de uma adolescente só para atingir sua mãe. Estou entre os pessimistas.

Mas podemos nos preparar para o inverso. Anuncia-se que a próxima etapa do golpe será a disseminação de ações contra artistas, intelectuais, professores, estudantes que se manifestarem contra os organizadores e os patrocinadores da farsa que derrubou Dilma.

O Judiciário será convocado a prestar serviços aos que se ofendem com as críticas ao governo, numa tarefa miúda que irá muito além de Lula, de Marisa Letícia (até hoje processada), de Dilma e de todos os que um dia se aproximaram do PT. As ações seletivas podem chegar à base da pirâmide dos que refutam o golpe, sendo ou não de esquerda. É a hora de propagar o medo.

O diretor de cinema Kleber Mendonça Filho, de Aquarius, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal por ter captado recursos da Lei Rouanet enquanto era, ao mesmo tempo, diretor de uma entidade que teria ligação com o governo federal, a Fundação Joaquim Nabuco. Não pode, diz o MP. Ninguém conhece ninguém da direita sofrendo esse tipo de processo.

Mendonça Filho é um dos artistas mais incisivos contra o golpe e liderou os protestos contra o Jaburu em Cannes. Vão apertar o cineasta.

Mas não espere que apertem muito os que participam do cerco das hienas à filha de Maria do Rosário na internet. Não espere desfechos edificantes do processo que corre no Supremo contra Bolsonaro, por ter ofendido a mesma Maria do Rosário. Não espere nada de muito consequente das instituições do Brasil pós-golpe.

A desolação é um direito dos massacrados e ofendidos desde o grande show de agosto no Senado e seus desdobramentos.

Um dia, quando voltar ao poder (e espera-se que volte), a esquerda brasileira disforme e dispersa terá de ser menos ingênua e condescendente com os reacionários. Incluindo os criminosos, os torturadores protegidos pela anistia de 1979, com a anuência não só da política, mas também do Supremo – e sob o silêncio da universidade.

As hienas que atacam adolescentes prosperaram no Brasil à sombra das cordialidades da esquerda.