UM TERÇO

Todo mundo está noticiando que o índice de desaprovação de Bolsonaro na nova pesquisa do Ibope subiu de 40% para 48%. É recorde.
Mas não é o dado que considero relevante ou impactante. O dado que me inquieta é este: Bolsonaro ainda tem a aprovação de 32%.
Um terço da população acha que ele governa bem. Um terço!!! O Brasil tem um terço de ricos, gente bem de vida, sem problemas e que não se preocupam com os problemas dos outros?
O Brasil tem um terço de reacionários egoístas, armamentistas, odientos, homofóbicos capazes de apoiar a qualquer custo um governo que se encaminha para o desastre?
Esse é o dado assustador, porque ele pega o cara que não está nem aí para as perdas provocadas por Bolsonaro e pega também o que acha que deve ser bolsonarista por se identificar com o bolsonarista que não está nem aí.
A verdade é que nesse um terço estão os que ainda não sabem nada do que está acontecendo. Esse é o dado que deve alarmar. O bolsonarismo se sustenta no egoísmo do reacionário rico e de classe média e na resignação das ignorâncias.

O SUL BOLSONARISTA

A última pesquisa do Ibope mostra a devastação na imagem de Bolsonaro, que tem somente 34% de bom e ótimo. O pior dado para ele é este: 53% dos eleitores não confiam no vizinho de Ronnie Lessa.
E o pior dado para nós é este: os moradores do Sul, sempre eles, são os que sustentam o apoio a Bolsonaro. Os sulistas estão ao lado dos evangélicos, dos mais ricos e dos homens na sustentação do desastre.
Os pobres, os jovens, as mulheres e até o Brasil reacionário do Centro-Oeste nunca apoiaram ou abandonaram Bolsonaro. Mas o Sul e os machos resistem.
O Sul dos descendentes de imigrantes que se consideram uma raça superior é há muito tempo a expressão do Brasil bolsonarista, armamentista, xenófobo, homofóbico e racista.