Que os homens não se acovardem

Esta é a semana para esclarecer a situação constrangedora das jornalistas Patrícia Moraes, ex-editora do iG, e da repórter que trabalhava com ela e foi assediada por um cantor.
Exatamente na semana em que a categoria lançou o portal jornalistas contra o assédio, as duas foram demitidas. Primeiro demitiram a repórter. E depois demitiram a chefe da repórter.
O homem acusado de assédio venceu até agora. É o cantor MC Biel.
Por que as jornalistas perderam o emprego?
O contexto não ajuda nas explicações que deverão ser apresentadas.
Há poucos dias, o Supremo decidiu que o deputado Jair Bolsonaro, compulsivo agressor de mulheres, finalmente será processado.
As jornalistas, que vinham cobrando atitudes contra assédios no próprio meio, lançaram o portal e esperaram reações semelhantes às do Supremo.
O que ocorre é o contrário. O cantor está impune, enquanto as profissionais perdem o emprego.
O jornalismo não pode se acovardar. Que os homens sigam o exemplo das mulheres e reforcem a vigilância. E ajudem a cobrar explicações de quem talvez não tenha nada a explicar. Mas cobrem. Publicamente.

Jornalistas ameaçados

jornalista

Está difícil ser jornalista, não em Bagdá, mas aqui mesmo. Primeiro, o portal iG, ao invés de apoiar, demitiu a repórter que acusou o cantor MC Biel de assédio.
Agora, a chefe da repórter, a editora Patrícia Moraes, também foi demitida.
No Paraná, cinco jornalistas sofrem mais de 40 processos de juízes que recebem super-salários, porque publicaram os valores na Gazeta do Povo.
Em Porto Alegre, o repórter Matheus Chaparini foi preso porque cobria a desocupação da Secretaria da Fazenda.
Fora a caçada que o interino de Brasília promove aos jornalistas que trabalhavam no governo até o golpe.
Aguardem os próximos fatos envolvendo jornalistas. A vida de repórter ficou perigosa no Brasil.