POR R$ 6

Depois do Oscar, o assunto é a indecisão de Bolsonaro, se aumenta ou não o salário mínimo de R$ 1.039 para R$ 1.045, para pelo menos recompor o que foi perdido com a inflação do ano passado.
É a manchete dos jornais. O Brasil largou a controvérsia do Oscar para debater se Bolsonaro deve ou não conceder mais R$ 6 a quem ganha salário mínimo.
Especialistas debatem o ajuste fiscal, o teto do orçamento, o equilíbrio das contas da Previdência com a maior naturalidade, Tudo por causa de R$ 6.
O sujeito tira 1 milhão de mães do Bolsa Família, deixa 2 milhões de pessoas na fila de benefícios do INSS e acaba com o SUS, mas não sabe se abre mão de fantásticos R$ 6. E a imprensa toda destaca o seu dilema.
Vamos voltar para o debate do Oscar, para que a direita sofra mais. Vamos esculhambar com o veraneio do bolsonarismo. Oscar neles.

A INFLAÇÃO MASCARADA

Para esclarecer o que escrevi antes sobre a inflação dos pobres.
1. Não acuso nenhum índice de manipulação, até porque todos, com algumas variações, indicam inflação baixa.
O que digo é que nenhum deles reflete a dramaticidade da realidade dos pobres e miseráveis (sim, porque o Brasil voltou a ter milhões de miseráveis).
O golpe se deu conta de que poderia usar a seu favor os indicadores de inflação, porque são medidas do custo de vida da classe média. O Quadrilhão joga com isso para tentar enganar todo mundo. É o que o Jornal Nacional faz.
Os índices, pelos mais variados métodos que usam, estão corretos. Mas, como diria Touro Sentado, estão cada vez mais corretos para os brancos e cada vez mais errados para os índios.
2. Dois amigos jornalistas me mandaram mensagens para dizer que os jornais fizeram matérias sobre os pobres que agora usam lenha para economizar gás, e que isso seria uma forma de abordar o drama das periferias pós-golpe.
Isso é jornalismo pela metade. Só ajuda a “folclorizar” a pobreza.