Mais um vexame

Todos os jornalistas (menos os fascistas, os bolsonaristas e os fofos golpistas) são agredidos e ofendidos pela decisão do procurador da República Wellington Divino de Oliveira, que denunciou Glenn Greenwald por “invasão de celulares”.
O Brasil 247 informa que o sujeito é um aliado de Sergio Moro, foi sargento do Exército por 13 anos, persegue Lula desde antes da Lava-Jato e agora caça também o presidente a OAB, Felipe Santa Cruz.
O que ele vai conseguir? Expor o Brasil a mais um vexame mundial.

O QUE O HOMEM-MOSCA TEM QUE MAURO NAVES NÃO TINHA

Diogo Mainardi foi flagrado trocando mensagens como subalterno de Deltan Dallagnol na Lava-Jato. Mainardi, como mostram as mensagens vazadas hoje pelo intercept, comportava-se como empregado da turma de Curitiba.

Pois o sujeito respondeu hoje mesmo às revelações do jornal, com essa frase à la Bolsonaro no Twitter:

“Só agora a bandidagem descobriu que eu apoio a Lava Jato?”

Apoiar a Lava-Jato é o que toda a bandidagem da direita e da extrema direita faz. Isso não quer dizer nada. O que o Intercept mostrou não é apoio. É subserviência, é servilismo.

Mainardi tentou dar uma volta e insinuar que denunciaram apenas um apoio (quando ele vive dizendo que é imparcial) e que isso não é notícia.

Não tem nada de apoio. Tem é comportamento de homem-mosca mesmo, de total atração pelos maus odores da Lava-Jato, como mostram as mensagens.

Mainardi é o cara que ficou ainda mais famoso ao pedir em vídeos que qualquer bandido enviasse a ele coisas comprometedoras contra Lula, o PT e as esquerdas.

Agora, está todo moralista com a divulgação do seu conluio com o lavajatismo, porque foi flagrado por um hacker.

Mainardi é um sujeito bem assustado. Pode ter passado dos limites, se a Globo, dona da GloboNews, levar a sério seus códigos de ética.

Por muito menos, o repórter Mauro Naves foi mandado embora, ao tentar fazer uma conexão do pai de Neymar com um advogado, no caso de Najila Trindade, a moça que havia ido ao encontro do jogador em Paris.

Naves teve, segundo a Globo, conduta inadequada, ao tentar interferir no caso e, pelo que supõem, camuflar ou mediar uma solução para o escândalo, ao invés de divulgá-lo.

É muito semelhante com o que aparece nas conversas do homem-mosca com Dallagnol, que orienta o sujeito a divulgar ou não as informações que o chefe do Antagonista recebe dos procuradores amigos.

Naves foi degolado em um mês, no Jornal Nacional, porque – dizia a nota da Globo – havia “evidências de que suas atitudes neste caso contrariaram a expectativa da empresa sobre a conduta de seus jornalistas”.

Valerá para o homem-mosca o código que, por avaliar condutas impróprias, também determinou a demissão do apresentador Dony De Nuccio?

Naves e Dony não tinham na Globo a proteção da Lava-Jato e de Sergio Moro, como está claro que o homem-mosca tem.

PEGARAM O HOMEM-MOSCA

O Intercept pegou Diogo Mainardi, o homem-mosca, que prestava serviços (agora comprovados) para a Lava-Jato.
O homem-mosca não só orientava e era orientado por Deltan Dallagnol, como suspendia a publicação de informações contra amigos da Lava-Jato e poderosos.
A troca de mensagens vazadas hoje só reafirma o que todo mundo sabia, que o homem-mosca trabalhava para a turma de Curitiba. Era um mandalete da força-tarefa para plantar notícias.
Mainardi foi usado até mesmo na briga política (e o que mais?) para escolha do presidente do Banco do Brasil.
A Globo, que mantém Mainardi em Veneza como laranja, para atacar Lula e o PT, dirá alguma coisa sobre o serviçal de Dallagnol e Sergio Moro?
Lucas Mendes, que já foi um dia um grande repórter da Globo, continuará convivendo com o sujeito que participou e talvez ainda participe do esquema lavajatista?
O link para a reportagem do Intercept está na área de comentários.

A dublagem

Não me interessa se o Roda Viva com Sergio Moro terá só jornalistas amiguinhos, porque esse é o padrão do programa. Qual é a surpresa?
A esquerda está empolgada demais. Já ganhou o Oscar e agora acha que pode participar até da bancada do Roda Vida.
Não é bem assim. Menos, gente. Vamos com calma, Primeiro, Hollywood e só depois a TV Cultura.
O que me interessa mesmo é saber quem vai dublar Sergio Moro no Roda Viva. Eu defendo que seja o Gabeira.

E OS NOMES DOS JORNALISTAS?

A Folha publica hoje um longo texto de Ricardo Balthazar sobre o Clube dos Jornalistas Lavajatistas (o titulo é meu), que comiam pela boca de Sergio Moro e Deltan Dallagnol.
Balthazar conta como o esquema privilegiava jornalistas aliados, alguns transformados em dedos-duros do lavajatismo.
Era uma estrutura podre, de entrevistas combinadas, que mantinha informados só os amiguinhos mais fiéis à caçada a Lula e às esquerdas.
Mas faltam no texto os nomes dos jornalistas amigos de Dallagnol e Sergio Moro.
O jornalismo é uma das atividades mais corporativas. A Vaza Jato deflagrada pelo Intercept já divulgou vazamentos com nomes de ministros do Supremo.
Agora, vai proteger jornalistas em nome de alguma regra não escrita desse corporativismo de amiguinhos?
O jornalismo vai imitar a Lava-Jato?

LAVA-JATO CONFESSA QUE MORO MENTIU

A Lava-Jato finalmente admitiu que vazava de forma seletiva as gravações com os grampos que fez de Lula. O argumento é a admissão de um delito.
A turma de Deltan Dallagnol informa, em nota enviada hoje à Folha, que “o grau de sigilo das escutas telefônicas realizadas durante as investigações do caso (referindo-se às operações de Curitiba de caçada a Lula) variou de acordo com a gravidade dos crimes revelados pelos diálogos interceptados pela Polícia Federal”.
Claro que para eles o que importava era grampear e divulgar os grampos que envolviam Lula. Os outros grampos não eram enviados para a Globo e os amigos dos jornais.
“Quanto maior a gravidade dos fatos, menor o grau de sigilo”, afirmou a força-tarefa a respeito de reportagem de hoje da Folha sobre o fato de que a Lava-Jato só vazava os grampos de Lula.
“A decisão no caso envolvendo o ex-presidente Lula seguiu esse mesmo princípio, sendo devidamente fundamentada”, afirma a nota.
A força-tarefa de Dallagnol acaba desmentindo o próprio Sergio Moro, chefe de fato de Dallagnol.
A Folha relembra que, ao tornar públicas dezenas de conversas telefônicas de Lula, Moro disse que em 2016 seguira o padrão estabelecido em outros casos da Lava-Jato, ou seja, argumenta que divulgava grampos aleatoriamente.
Levantamento do próprio MP, obtido pelo Intercept e divulgado hoje pela Folha, mostra que apenas as escutas de Lula eram divulgadas.
E agora a nota do Ministério Público informa oficialmente, ao admitir o vazamento seletivo, que Moro mentiu. O padrão era outro, era o de grampear muitos, mas divulgar apenas os grampos de Lula. Moro e Dallagnol eram seletivos para tentar incriminar Lula.

A MANCHETE CONTRA MORO QUE A FOLHA NÃO DEU

A Folha parece envergonhada com a própria manchete:
“Moro contrariou padrão da Lava Jato ao divulgar grampo de Lula, indicam mensagens”

Contrariar o padrão é um jeito tucano de dizer que Moro agiu sempre para perseguir Lula, ao divulgar apenas os grampos que interessavam ao plano do lavajatismo.

Esta deveria ter sido a manchete:
“Moro só divulgava os grampos contra Lula”

Moro divulgou os grampos que fez de Lula, incluindo a conversa do ex-presidente com a presidenta Dilma Rousseff, porque aqueles eram os grampos que favoreciam a caçada.

A própria turma do Ministério Público na Lava-Jato fez o levantamento em 2016, vazado por troca de mensagens entre os envolvidos no conluio.

A nova revelação da Folha, baseada no material obtido pelo Intercept, que apenas reafirma o que já se sabe: Moro só queria dar publicidade aos grampos de Lula. O Intercept conseguiu mais uma prova do modo de agir do ex-juiz:

“O levantamento da Lava Jato (de 2016), que analisou documentos de oito investigações em que também houve escutas telefônicas, indicou que somente no caso do ex-presidente os áudios dos telefonemas grampeados foram anexados aos autos e o processo foi liberado ao público sem nenhum grau de sigilo”.

Diz a Folha: “Nos outros exemplos encontrados pela força-tarefa, todos extraídos de ações policiais supervisionadas por Moro na Lava Jato, o levantamento do sigilo foi restrito. Apenas os advogados das pessoas investigadas puderam ter acesso aos relatórios da PF e aos áudios com as conversas interceptadas”.

Mas, ao invés de dizer que Moro só divulgava os grampos de Lula, a Folha decidiu passar o pano na própria manchete e sair com essa de que o ex-juiz contrariava “o padrão” da Lava-Jato. Mais um pouco e o jornal pede desculpas pela descoberta que fez ao analisar as mensagens.

O que importa é que o conluio lavajatista se manifesta em várias frentes. O levantamento do MP tentava provar, lá em 2016, que Moro divulgava tudo. Saiu pela culatra. Moro era seletivo contra Lula.

Dallagnol, o prestativo, quis ajudar o chefe, ao dizer que Moro era um vazador compulsivo, mas se deu mal. Moro escolhia o que vazar. O ajudante de Bolsonaro era o justiceiro encarregado pela direita de pegar Lula.

SEJAM JORNALISTAS, ESTÚPIDOS

Alguém perguntou a Glenn Greenwald, ontem no Roda Viva, o que ele faria se soubesse que pagaram o hacker para ter acesso às conversas escabrosas da Lava-Jato.

A resposta deveria ser estudada já a partir de hoje em aulas de jornalismo: jornalista não é polícia.

Jornalista divulga informações relevantes, de interesse público, obtidas legal ou ilegalmente. Aqui e em qualquer democracia (ou deveria ser assim também no Brasil).

O que não pode é comparar hacker com autoridade que faz vazamentos seletivos de informações do próprio trabalho para tentar favorecer ou comprometer uma das partes, como fizeram na Lava-Jato.

Outro bom momento foi quando da pergunta sobre os estragos que os vazamentos podem causar na Lava-Jato, se eventualmente beneficiarem já condenados.

A resposta: Sergio Moro e seu pessoal se consideram acima do bem e do mal, a ponto de achar que qualquer informação que os contrarie pode conspirar contra feitos que consideram inquestionáveis? A verdade absoluta está sempre com eles?

Resumindo, Glenn Greenwald deu boas lições à atrapalhada bancada de jornalistas que tentou cercá-lo de todas as formas.

Tentem ser menos oficialistas, menos policialescos, menos governistas e menos lavajatistas. Sejam jornalistas.