AS LIÇÕES ÉTICAS DE UM BOLSONARISTA

Leiam esse trecho do mais exaltado moralismo edificante e informem-se abaixo sobre seu autor.
“A vida nos ensina muitas coisas. Uma das principais é ser inabalável nas posturas de cunho ético. Eventualmente há maus comerciantes que se aproveitam da ingenuidade de clientes, parceiros ou fornecedores e acabam levando vantagem financeira indevida. No entanto, o mercado é implacável; em pouco tempo ele “fica queimado na praça” e a loja acaba fechando. Na verdade, o vacilo ético, cedo ou tarde, desmoraliza aquele que o pratica”.
O autor dessa pérola, de 2017, que pode ser encontrada com busca no Google, é o bolsonarista Vitor Augusto Koch, investigado por desvios de mais de R$ 10 milhões na Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul, reduto da direita bolsonarista militante.

A ESPERTEZA DE MORO

Do deputado Marcelo Freixo, ouvido pelo Blog do Sakamoto, na Folha, sobre o repentino interesse de Sergio Moro em federalizar o caso Marielle:
“Sergio Moro, enquanto ministro, nunca telefonou para nenhum familiar da Marielle. É o caso de homicídio mais debatido no Brasil, mas nunca falou nada sobre ele, a não ser questionado. E nunca se pronunciou sobre federalização.
“Quando a investigação se aproxima dos Bolsonaros, ele diz que tem que federalizar. O conjunto de fatos nos permite afirmar que ele não está preocupado com a família da Marielle, mas com a família do presidente”.
Depois dessa manobra oportunista de Moro para proteger a família de Bolsonaro, qual será a reação da Polícia do Rio, diante da tentativa de desqualificação do trabalho dos investigadores?
A missão da Polícia agora é provar independência e devolver a ofensa de Moro com mais trabalho.
A Polícia tem que largar o porteiro e Lessa no colo de quem tentou depreciar o que já foi feito.
O ex-juiz abandonou o Plano Estratégico de Defesa do Cigarro Nacional para atuar integralmente como advogado dos Bolsonaros.

SÓ CACHORRO GRANDE

A Lava-Jato tenta sobreviver do jeito que dá, mesmo que provocando guerras destruidoras dentro da Polícia Federal.
Os ataques a setores da polícia que não acompanham o trote de Curitiba estão em reportagem de José Marques, na Folha. Não há limite para que o cenário fique mais assustador.

Força-tarefa da Lava Jato denuncia policiais federais desafetos da operação
Acusados de vazar informações sigilosas, denunciados falam em perseguição após relato de escuta ilegal

José Marques
SÃO PAULO
A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba denunciou policiais federais tidos como desafetos da operação, sob a acusação de que eles violaram sigilo funcional e vazaram informações confidenciais.
A denúncia, que está sob sigilo, foi apresentada no último dia 8 à Justiça Federal do Paraná e obtida pela Folha.
Os denunciados negam as irregularidades e afirmam que têm sido perseguidos pelos procuradores. Segundo eles, isso aconteceu após eles terem revelado que uma escuta ilegal gravou, indevidamente, mais de 260 horas (11 dias) na cela do doleiro Alberto Youssef, em 2014.
São alvos das acusações da força-tarefa o delegado Mario Renato Castanheira Fanton, o agente Dalmey Fernando Werlang e ainda Fernando Augusto Vicentine, ex-presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná.
Segundo os procuradores, eles revelaram dados sigilosos de um inquérito que apurava a conduta de outros agentes federais e de advogados, suspeitos de tentarem produzir um dossiê contra a Lava Jato.
O Ministério Público Federal diz que os denunciados repassaram essas informações a outro delegado e também à CPI da Petrobras no Congresso.
As polêmicas que envolvem a atual denúncia começaram nos primeiros anos da Lava Jato. Em 2015, foi instalado um inquérito a respeito de “veiculação na imprensa de material depreciativo a policiais federais responsáveis pela Operação Lava Jato” e “confecção de um dossiê com o objetivo de atribuir a prática de ilícitos penais a determinados membros da Polícia Federal”.
Essa investigação acabou arquivada em 2017, a pedido do próprio Ministério Público Federal, por falta de provas.
Fanton era o delegado responsável pelo inquérito e Dalmey, um dos agentes que trabalhavam nessa investigação.
Foi nesse período que Fanton descobriu, segundo documentos internos da Polícia Federal que a Folha teve acesso, que houve, de fato, a instalação de um grampo ilegal na cela de Youssef em 2014.
Quem confessou ter instalado esse grampo foi o próprio agente Dalmey —segundo ele, sob orientação do delegado Igor Romário de Paula, que hoje faz parte da cúpula da PF em Brasília.
Na época, já havia sido feita uma sindicância sobre o grampo, que havia concluído, erroneamente, que a escuta fora instalada em 2008, com autorização judicial, para investigar o traficante Fernandinho Beira-Mar. Com a nova descoberta, a investigação sobre o grampo foi reaberta.
Nos anos seguintes, Fanton virou alvo de diversas ações da Lava Jato —três processos disciplinares e quatro inquéritos policiais, todos arquivados. Em sua defesa, afirmou ser considerado “inimigo” pelos seus ex-chefes.
A denúncia deste mês é mais um episódio dessas trocas de acusações. Segundo o Ministério Público Federal, Fanton vazou em 2015, junto a Dalmey, informações do inquérito que conduziu.
Para basear as acusações, a Lava Jato quebrou o sigilo telemático dos investigados.
A força-tarefa diz que Fanton elaborou um documento chamado “despacho”, com informações que constavam no inquérito —uma cópia desse documento, segundo a Procuradoria, foi remetida a Fernando Vicentine, que presidia o sindicato dos policiais federais no Paraná.
Esse documento foi lido pelo deputado federal Aluisio Mendes (Pode-MA) na CPI da Petrobras.
Fanton, segundo a força-tarefa, ainda repassou informações ao delegado Alberto Iegas, que foi diretor de inteligência policial. Também teria relatado à CPI fatos sigilosos.
Procurada, a defesa de Fanton afirma que a denúncia é “uma tentativa de encobrir os crimes de falsa perícia praticados nos processos da Lava Jato”. Diz ainda que “sindicância falsa sobre a escuta na cela de Youssef” (que negava ter havido escuta) foi usada em processo da Lava Jato, o que poderia levar à anulação de atos da operação.
Também afirma que Iegas foi o delegado que intermediou a ida de Fanton à Corregedoria-geral da PF em Brasília. Ainda diz que o delegado não tem dever de sigilo na CPI da Petrobras “sobre crimes de falsa perícia e denunciação caluniosa que testemunhou à frente do inquérito 737/15, bem como tem o dever de falar a verdade numa sob pena de crime de falso testemunho”. A reportagem não localizou as defesas de Dalmey e Vicentine.
Também procurada, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba afirma que a denúncia “está amparada em provas de materialidade e autoria colhidas em inquérito policial conduzido pela Corregedoria-Geral da Polícia Federal”.
“As mesmas questões referentes à suposta escuta já foram levantadas e afastadas em diversas ações penais porque, embora investigadas, jamais foram provadas. O vazamento das informações sigilosas no curso da investigação policial é um dos fatores que pode ter contribuído para frustrar as apurações”, diz, em nota.

A PERSEGUIÇÃO A GLENN GREENWALD

É complicada a situação de Sergio Moro no caso da anunciada investigação das movimentações financeiras do jornalista Glenn Greenwald.

O Ministério Público Federal determinou que o Tribunal de Contas da União apure se o jornalista é de fato investigado pelo Coaf. O TCU já determinou que o Ministério da Fazenda esclareça com urgência se a sindicância existe.

Por que Moro fica numa situação delicada? Se a informação for confirmada, ficará provado que o jornalista está sendo caçado pelo governo.

Segundo: Moro terá de esclarecer se foi ele quem determinou a investigação, que teria sido acionada pela Polícia Federal, que está sob seu comando. Terceiro: como o site O Antagonista ficou sabendo da investigação e deu a notícia como furo?

Se o Coaf disser que não investiga o jornalista, o mesmo Antagonista fica numa situação complicada (mais uma vez) porque terá plantado uma informação como ameaça ao jornalista que denunciou, pela divulgação das conversas da Lava-Jato, o criminoso conluio de Moro com o procurador Deltan Dallagnol.

De qualquer forma, com a confirmação ou não da bisbilhotagem, continuará a suspeita de que Moro teria aparelhado o Ministério da Justiça para perseguir inimigos, como vários deputados denunciaram quando do depoimento do ex-chefe de Dallagnol na Câmara.

O aparelhamento teria o suporte de sites que desde o golpe tentam proteger a Lava-Jato. O Antagonista, de Diogo Mainardi, serviçal da extrema direita, é a principal trincheira, com franquias informais de apoio a Moro espalhadas pelo Brasil, incluindo o Rio Grande do Sul.

Há jornalistas de toda parte fazendo o marketing da Lava-Jato, alguns sem qualquer disfarce, como fizeram quando do golpe. Para eles, Moro é exemplo de juiz e de correção.

Mas é possível prever o que já aconteceu com outros gurus da direita. Se Moro cair em desgraça, eles saltam fora logo.

A direita joga os seus fracassados na sarjeta, como jogou Aécio, Serra e Cunha. Sergio Moro já está na fila.